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Saramago mostra livro sobre a vida

O escritor José Saramago apresentou quinta-feira em São Paulo, em estreia mundial, o seu novo livro, ‘As Intermitências da Morte’, que narra os conflitos provocados pela decisão da Morte de abandonar a sua actividade.

29 de outubro de 2005 às 00:00

Os actores Dan Stulbach e Leona Cavalli fizeram uma leitura dramática de um trecho do novo romance e o violoncelista Johannes Gramsch apresentou composições de Johann Sebastian Bach, cuja obra, nomeadamente a ‘Suite Número 6’, é citada no romance.

“Todos os meus livros partem de uma situação improvável ou impossível, sem excepções. Descobri isso há bem pouco tempo, há uns dois anos”, afirmou o escritor, acrescentando: “Se algum talento tenho, é transformar o improvável e o impossível em algo provável e possível. Quero que gostem desse livro por duas razões: porque ele merece e porque eu mereço”.

“EXTREMAMENTE DIVERTIDO”

O romance mostra como a agitação e alegria provocadas num país imaginário pela reforma da Morte se convertem logo a seguir num motivo de preocupação, pelo impacto político, económico, social e até religioso da nova situação. Para Saramago, é um romance “extremamente divertido” que fala sobre a morte, sendo, “portanto, um livro sobre a vida”.

O escritor revelou que teve a ideia de escrever esta obra ao ler um livro que relatava a morte de uma pessoa e começou a pensar no que aconteceria se os homens não morressem. “O ser humano alimentou sempre a esperança de conseguir a imortalidade, mas sem a Morte a Vida seria um caos”, comentou.

Com quase 83 anos, José Saramago declarou que ele próprio se sente um pouco na eternidade, mas “felizmente em boas condições”. “Quando nasci, a esperança de vida na minha aldeia era de 35 anos e dentro de três semanas faço 83, por isso já me sinto um bocado a entrar na eternidade”, gracejou.

Já à venda no Brasil, ‘As Intermitências da Morte’ apenas chega a Portugal, Espanha e América Latina na próxima semana.

O livro tem o reconhecimento das autoridades ambientais brasileiras de que foi feito a partir de madeira legalizada, o que não gera a destruição de florestas primárias como a Amazónia.

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