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Correio da Manhã

Cultura
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“Sei os livros que me falta escrever”

Passaram mais de vinte anos desde que João de Melo, escritor e adido cultural em Madrid, escreveu ‘Gente Feliz com Lágrimas’, o seu romance mais premiado e o melhor cartão de visita. Publicou pela primeira vez em 1975 um livro de contos e está de regresso ao género com uma edição especial de ‘Luxúria Branca e Gabriela’, em resposta a um desafio do ilustrador.

24 de Abril de 2009 às 00:30
“Há sempre um texto anunciado na minha cabeça”, sustenta o autor
“Há sempre um texto anunciado na minha cabeça”, sustenta o autor FOTO: Filipa Paula Soares

"O pretexto para esta edição foi--me dado por Francisco Simões, autor das ilustrações. "Encontrou--me por acaso em Lisboa: ‘Você é o João de Melo, não é? Tenho uns desenhos que, em tempos, fiz sobre um texto seu. Quer vê-los?’", lembra.

Deste encontro saiu a ganhar a carga erótica do conto, escrito em 1996, revisto em 1999, publicado em 2003 e reformulado em 2008.

"É um sonho nocturno à luz do dia, desses que todos guardam para si por pudor ou sentimento de culpa. Não há nada pior do que uma nudez culpada", explica.

Chamou ‘Sonhos’ ao prólogo e tem os seus bem resolvidos: "Todos os livros serviram para me livrar de sonhos e pesadelos reais. Livrei-me dos sufocos e isolamentos insulares e da ditadura com ‘O Meu Reino não é deste Mundo’ e ‘Gente Feliz com Lágrimas’; fiz a catarse da Guerra Colonial com ‘Autópsia de um Mar em Ruínas’ e questionei a Europa e a Península Ibérica em livros como ‘O Homem Suspenso’ e ‘O Mar de Madrid’."

Contas feitas aos livros, sabe os que ainda tem em falta. "A construção de uma obra como a minha faz--se nesse movimento de fuga para a frente. Há sempre um texto anunciado na minha cabeça. Sei os livros que me falta escrever", adianta em jeito de balanço.

O seu próximo livro, ‘A Divina Comédia’, sai em finais de Maio. "Essa novela dava uma ópera. Espero que as pessoas se surpreendam, gostem da história e da prosa e fiquem comigo. É um dos meus melhores textos", garante.

PESSOAL

EROTISMO

"O erotismo impõe o corpo à alma e os sentidos à pele. Um conto erótico como este é um exercício de verdade sobre a hipocrisia sentimental."

INTIMIDADE

"A intimidade é uma das maiores evidências da literatura. Quis escrever um texto sobre a beleza, o desejo, o prazer que nos salva dos trabalhos e dos dias."

LINGUAGEM

"Toda a literatura é erótica: a linguagem exige sentido estético e sensualidade ao escritor."

LITERATURA

"A literatura é um sal, um elixir, um éter da vida, uma alma para o Mundo."

 

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