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Stª Teresa renasce

O Convento de Cristo, em Tomar, voltou atrás no tempo: foi escolhido pelo realizador Ray Loriga para rodar a sua última grande produção em que é recriada a vida de Santa Teresa d’Avila, uma mulher revolucionária que viveu no século XVI, incarnada por Paz Vega.

14 de dezembro de 2005 às 00:00

As filmagens de ‘Teresa: Morte e Vida’ decorrem na cidade do Nabão até ao próximo dia 23 e depois a equipa segue para Espanha (Madrid e Cáceres). O filme deverá estrear nos cinemas dentro de um ano e meio.

A “extrema beleza arquitectónica” do monumento, que não tem “ocupação própria” e mantém a sua “originalidade”, foram as principais razões que motivaram a escolha do Convento de Cristo para uma parte significativa das filmagens.

“Este edifício parou no tempo, não sofreu adaptações aos confortos da vida moderna diária e aqui pode filmar-se dentro da sua originalidade, permitindo revelar a grandiosidade do monumento”, disse ontem ao CM Caterine Leroux, produtora executiva portuguesa, salientando que “toda a beleza do mosteiro cabe na imagem”.

Para além de Paz Vega, que fez sucesso em Hollywood com a comédia ‘Espanglês’, o filme conta ainda com outra vedeta internacional: Geraldine Chaplin (a filha de Charlie Chaplin), que veste a pele da madre superiora do Convento que a monja escolheu para se entregar a Deus.

Ray Loriga descreve Teresa d’Avila como uma mulher humana, sensual, revolucionária inteligente e feminista. “Teresa foi uma das primeiras mulheres da História a negar os papéis femininos que lhe estavam destinados, quer pela sociedade, quer pela Igreja”, contou o realizador e escritor espanhol. Teresa d’Avila viveu entre 1515 e 1582 e foi canonizada em 1622.

Esta grande produção espanhola, com um orçamento de 7,7 milhões de euros (100 mil dos quais destinados a pagar o aluguer do Convento de Tomar), envolve mais de 400 pessoas.

Parte da mão-de-obra é recrutada em Tomar, o mesmo acontecendo com os figurantes, a maioria dos quais já entrou noutros filmes.

A japonesa Eiko Ishioka, premiada com o Óscar de guarda-roupa por ‘Drácula de Bram Stoker’, de Francis Ford Coppola, foi escolhida para estilista/figurinista, trabalhando ao lado de Rafael Palmero, o director de arte. A direcção de fotografia está a cargo de José Luis Alcaine, enquanto a direcção de produção é de Yousaf Bokhari, que em Portugal é coadjuvado por Caterine Leroux.

"ELA VIVEU ADIANTADA NO TEMPO

Uma mulher “muito adiantada no tempo, muito forte espiritual e também fisicamente, apesar de ser muito magra”, que se negou a aceitar o papel que a sociedade de então lhe destinara e procurou uma vida própria, é como Paz Vega, a actriz que faz o papel de Santa Teresa d’Avila, caracteriza a sua personagem.

De 29 anos, a actriz contou ao CM que a personagem vai sendo construída ao longo das filmagens. “Não me posso comparar a ela, mas tenho de lhe dar vida com muito empenho, energia e segurança, mas também com altivez e humildade”.

"ESTA MADRE É UMA MULHER FRUSTRADA"

A madre superiora do convento escolhido por Santa Teresa d’Ávila é interpretada pela veterana Geraldine Chaplin, que descreve a sua personagem como uma mulher “frustrada” e que toma conta do convento com uma “disciplina militar”. É uma mulher “muito organizada, mas também triste”.

Aos 61 anos, a actriz conta no seu currículo com participações em 120 filmes e está a atravessar uma fase de alguma “fragilidade”. “Nem sempre o texto sai perfeito, por vezes há esquecimento. Quero ter o controlo do corpo e da mente e nem sempre consigo”, confessou-nos.

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