Sveva Casati Modignani passou por Lisboa para promover o seu novo romance, 'Um Dia Naquele Inverno', lançado pela Porto Editora. Conhecida por escrever histórias com finais felizes, protagonizadas por mulheres que conseguem realizar-se pessoal e profissionalmente, diz que não é rica, apenas uma "pessoa de sorte".
Correio da Manhã – Há 30 anos que escreve livros para mulheres. Não lhe falta a inspiração?
Sveva Casati Modignani – Não lhe chamaria inspiração. Tenho ideias para escrever e do trabalho em torno delas nascem intrigas.
– De onde surgem as ideias? Pessoas que conhece, coisas que ouve ou que lhe contam?
– Sim. Também histórias que leio... Não sei explicar. As ideias não se compram, chegam, nem sei explicar como.
– Inicialmente, escrevia em colaboração com o seu marido. Os dois encontraram o pseudónimo Sveva Casati Modignani, que se tornou uma marca de prestígio…
– O meu marido morreu há muito tempo [2004]. Ele esteve muito doente durante muito tempo [doença de Parkinson] e há 20 anos que trabalho sozinha. Continuei o trabalho que iniciámos os dois.
– Já vendeu mais de onze milhões de livros em todo o Mundo. A literatura tornou-a uma mulher rica?
– Em Itália os impostos são altos. Levam-nos entre 55 e 60 por cento dos rendimentos. Não sou pobre. Mas não penso que isso seja importante. Fundamental para mim é que adoro o que faço.
– Mas é compensador sentir que é uma estrela das letras?
– Não creio que seja uma estrela.
– Pedem-lhe autógrafos...
– Quando vou às livrarias apresentar os meus livros. Fora isso... Eu sei que não sou uma grande escritora. Sou uma mulher que adora contar histórias a si própria. É isso que faço. Depois escrevo-as para os outros, que talvez gostem delas...
– Ao ponto de as comprar.
– Tenho essa sorte, sim. Sou uma mulher afortunada.
– Pensa na reforma? Em parar de escrever, um dia?
– Nunca. Não imagino o dia em que não tenha mais histórias para contar. Porque escrevo uma a seguir a outra, tranquilamente, sem stress, sem angústias.
– E mudar de estilo? A J.K. Rowling decidiu deixar de escrever para crianças e adolescentes e passou a escrever para adultos. Seria possível ler um policial da Sveva Casati Modignani?
– A verdade é que há poucos meses escrevi uma autobiografia,. Um livro de receitas da minha infância. As receitas servem como ponto de partida para me lembrar dos dias em que era criança. Mas não pensei: Vou fazer algo diferente. Simplesmente aconteceu. E foi maravilhoso.
– Vários dos seus livros têm sido adaptados para cinema e televisão. Imagina-se em Hollywood?
– Hollywood seria interessante, sim! Quase inimaginável. Mas em geral as adaptações não me fascinam muito. O cinema é uma linguagem de tal forma diferente da escrita, que eu sinto não ter nada a ver com aquilo.
– Que conselho daria a um jovem escritor?
– Nenhum. Cada um pode cometer os seus erros sozinho. Nunca dei conselhos a ninguém e nunca os daria. E depois, aprende-se a escrever sozinho. Se é isso que queremos realmente fazer.
– Era jornalista. A escrita não lhe era estranha…
– É completamente diferente. O jornalista não cria. O escritor, o romancista tem histórias em si e vontade de as passar para livro. Mas é preciso descobrir se se tem talento…
– O que a fez começar?
– Desde miúda que contava histórias a mim própria. Escrever era inevitável.
PERFIL
Sveva Casati Modignani é o pseudónimo literário de Beatrice Cairati e de Nullo Cantaroni, falecido em 2004. A estreia literária aconteceu em 1981 com ‘Anna Dagli Occhi Verdi’. A primeira obra editada em Portugal foi ‘Baunilha e Chocolate’ (2002) já adaptado ao cinema. Outros quatro livros deram origem a produções televisivas.
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