<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">É um filme de ficção científica ‘made in Portugal’. Num futuro mais ou menos longínquo, os ricos vão poder comprar corpos jovens, para viver mais tempo. Rutger Hauer é estrela maior deste filme de Tino Navarro e David Rebordão, ao lado de estrelas nacionais como Soraia Chaves, Débora Monteiro, Victória Guerra e Pedro Granger.
Correio da Manhã – Parece estar a assistir-se a um renascimento do cinema português, cada vez mais visível, cada vez mais internacional, como o prova o seu filme, ‘RPG’?
Tino Navarro – O cinema português está a nascer todos os dias. Infelizmente, é a isso que somos forçados, pela força das circunstâncias. Melhor era ter uma estrutura que funcionasse continuamente, que criasse emprego, que criasse hábitos de acesso aos filmes portugueses. O ideal seria ter uma produção diversificada, que abrangesse vários públicos. Infelizmente, porque as estruturas não estão criadas no nosso País, temos de renascer todos os dias. Das cinzas.
– Recorrer a estrelas internacionais, como fez neste seu trabalho, ajuda muito à divulgação do filme no mercado internacional?
– Um conjunto de circunstâncias tornou possível que um filme com um orçamento normal, de um milhão e 200 mil euros (e eu já os fiz mais caros, em Portugal), conseguisse atrair vedetas como o Rutger Hauer e o Chris Tashima, entre outros. Mas isso só foi possível porque eles adoraram o guião e dispuseram-se a trabalhar por tuta e meia.
– A história é do mais atual: um grupo de milionários decide comprar juventude. Compram corpos, de pessoas jovens…
– Tem tudo a ver com os dias de hoje. Com a maneira como a sociedade está a evoluir, como o mercado está a dominar tudo e todos. A ação acontece no futuro, onde a última fronteira será ultrapassada. Ou seja, a da vida e da morte. A vida e a morte também estarão no mercado e infelizmente, haverá muita gente disposta a vender a vida a troco de dinheiro; e poucos, muito ricos e poderosos, que a poderão comprar. Tal como hoje já se compra a saúde.
- Mas o filme não tem um final assim tão desprovido de esperança…
- Claro que eu não podia deixar que os ricos ganhassem. Criei uma surpresa para o fim, que espero que o público goste.
- Que impacto acha que vai ter este trabalho junto do público?
- Não faço ideia. Sei que foi um processo de pós-produção muito complicado, porque o filme tem muitos efeitos especiais, e foi uma loucura. A minha única preocupação era torna-lo disponível para o público português e só depois pensar nos mercados internacionais.
- Como foi dirigir o Rutger Hauer?
- Fantástico. Tivemos imensa sorte. Ele fez questão de entrar no filme, tanto que interrompeu a rodagem de outro filme, em África, para vir filmar connosco. Foi um privilégio.
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