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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Viciado em porno conquista Scarlet Johansson

“Não há nada melhor que um bom porno”, defende o musculado, egocêntrico, católico e metódico italo americano Jon Martello, numa composição genial do ator Joseph Gordon-Levitt, a acumular as funções de argumentista e realizador, onde se estreia no formato de longas-metragens após algumas curtas.

11 de fevereiro de 2013 às 08:00

Em ‘Don Jon’s Addiction’, exibido na secção Panorama Especial, Jon diverte-se com os amigos a classificar os atributos das ‘damas’ numa escala. Ao avistar a espampanante Barbara – Scarlett Johansson como nunca a vimos, ultra erótica e ‘bimba’ – percebe de imediato que se trata de uma verdadeira ‘mulher de sonho’, um ‘perfeito 10’.

A escolha é acertadíssima e até o ator realizador confirmou na conferência de imprensa que só faria o filme se pudesse contar com a Scarlett. “Quase chorei quando ela disse que sim”, confidenciou.

Só que nem mesmo ela escapa ao vazio deste Don Jon após concretizar o ato sexual, pois nem os melhores momentos de sexo superam o clímax da masturbação diante um bom ‘clip’ pornográfico. E nesse departamento, Jon Martello é imbatível. Só aí desfruta dos planos vistosos que dispensam o incómodo do odor ou sabor menos agradável do sexo.

Até mesmo um eventual sentimento de culpa acaba por ser superado, pois esses ‘pecados’ são semanalmente ‘limpos’ em confissão na igreja.

Percebe-se por este filme que o argumentista realizador Joseph Godon-Levitt está cheio de genica. Aqui a destilar testosterona, já depois de o termos visto recentemente em ‘Looper – Reflexo Assassino’, ‘Encomenda Armadilhada’ e ainda em ‘Lincoln’.

Sente-se o pulsar da veia de um realizador, apesar de já ter deixado bons créditos em diversas curtas.

Mesmo que este Don Jon dificilmente possa deixar de ser comparado à personagem de Michael Fassbender em ‘Vergonha’ – ainda que JG-L tenha confessado na conferência que não tinha ainda visto o filme – acaba por ter mérito pela abordagem muito sincera e direta que Gordon-Levitt faz ao mundo da pornografia, da comunicação e dos relacionamentos afetivos.

O filme até pode ter alguns problemas no desenvolvimento de certas personagens, mas o adequado tom de comédia com que aborda temas mais sérios, e até pela saborosa paródia que faz à banalidade dos clichés das comédias românticas, acaba por superá-los.

‘Don Jon’s Addiction’ pode até nem ser o grande filme que deveria ser, mas será seguramente um estrondoso sucesso comercial. O que já não é nada mau.

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