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Virgílio Teixeira: Morre um homem modesto e bem disposto

Foi o último trabalho de Virgílio Teixeira: a média-metragem ‘Endless Memories’, que Dinarte Freitas escreveu e dirigiu com Eduardo Costa em 2008, é uma homenagem ao actor que ultrapassou fronteiras e fez carreira entre Portugal, Espanha e os Estados Unidos. Em Virgílio Teixeira, falecido domingo, no Funchal, sua terra natal, aos 93 anos, o jovem argumentista e realizador diz ter encontrado, para sua surpresa, “um homem extremamente enérgico e disponível”.

07 de dezembro de 2010 às 00:30

“Ele já tinha 91 anos, mas trabalhava sem parar e era sempre o primeiro a perguntar se se repetiam as cenas...”, recorda Dinarte Freitas, que sempre viu em Virgílio Teixeira um exemplo a seguir.

“Como sou, também, actor, sempre o admirei. Ele materializou o sonho de uma carreira nos EUA, e quando chegou a minha vez também fui estudar para o instituto do Lee Strasberg. Foi no regresso que sonhei este projecto. Mas surpreendeu-me o sentido de humor do Virgílio”, conclui.

Uma opinião, de resto, partilhada por outros amigos do actor que, no seu tempo, fez carreira como poucos – gravou lado a lado com vedetas como Rita Hayworth, Sophia Loren, Rex Harrison ou Yul Brynner – mas que se manteve humilde até ao fim.

“Era uma pessoa muito bem disposta, estava sempre a contar piadas, e não tinha nada a mania”, garante António Rama, que contracenou com o actor na telenovela ‘Chuva na Areia’, em 1985.

“Ele nem sequer se achava um grande actor. Via o que fazia com olho muito crítico... Era, realmente, um homem modesto”, acrescenta, justificando a energia de Virgílio Teixeira com o facto de ser muito regrado.

“Não fumava, fazia várias piscinas, tinha grande disciplina, o que certamente não será alheio ao facto de ter durado até esta idade”, conclui António Rama.

Nascido a 26 de Outubro de 1917, no Funchal,  Virgílio Teixeira estreou-se no cinema com 26 anos, no filme ‘Ave de Arribação’. Dois anos depois fazia o seu primeiro protagonista, em ‘José do Telhado’, filme que o catapultou para a fama e que o tornou num dos galãs mais requisitados do cinema português.

A sua beleza não tardou a chamar a atenção dos produtores espanhóis e norte-americanos, e Virgílio Teixeira teve de se dividir entre três países para responder a todas as solicitações de trabalho. E só não ficou em Hollywood, segundo confissões do próprio, porque o ambiente não lhe pareceu o melhor.

Casado quatro vezes, e com quatro filhos, o funeral de Virgílio Teixeira acontecerá logo que a família esteja toda reunida no Funchal.

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