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Correio da Manhã

Cultura
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Von Trier paga 4 mil por enigma

Os enigmas estão, definitivamente, na moda: agora é o realizador dinamarquês Lars von Trier que lança um repto ao público e está a oferecer quatro mil euros (e um papel como figurante no seu próximo filme) a quem descobrir um enigma incluído em ‘Direktoeren for det Hele’ (qualquer coisa como ‘Director para Tudo’).
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Von Trier paga 4 mil por enigma
Von Trier paga 4 mil por enigma FOTO: Rolf Konow
Trier espalhou pelo filme uma série de pistas visuais que, juntas, formam um código, e chamou-lhe ‘lookey’ (contracção da expressão ‘look for the key’, ou seja, ‘procure a chave’). Estas pistas surgem na forma de cenas que parecem – e estão – fora do sítio, mas que, todas juntas, fazem sentido e contribuem para uma nova leitura da obra.
Lars von Trier, famoso graças a títulos como ‘Ondas de Paixão’ ou, mais recentemente, ‘Dogville’, promete agora pôr o conceito à disposição de qualquer cineasta que o deseje, para que o possa utilizar livremente.
Depois do enigma proposto aos leitores por Dan Brown (no famoso ‘Código Da Vinci’) e do juiz que julgou o escritor no caso de pseudo-plágio (em que o veredicto também foi escrito sob forma cifrada), eis um conceito que parece estar a ganhar cada vez mais adeptos.
COMÉDIA NEGRA
Quanto ao filme de Trier, ‘Director para Tudo’ conta-nos a história de um dono de empresa que, para justificar medidas drásticas e impopulares junto dos seus empregados, ‘inventa’ um director fictício, a quem atribui as decisões problemáticas. No dia em que tem de vender a empresa, porém, confronta-se com este problema: os potenciais compradores querem negociar com o director (inexistente)!
Ele vê-se então obrigado a contratar um actor para fazer o papel e facilmente se imaginam as complicações que daí resultarão. É mais uma comédia negra na carreira deste cineasta tão aplaudido.
PERFIL
Nascido em Abril de 1956, Lars von Trier estudou cinema na Dinamarca e conseguiu atrair a atenção internacional desde a sua primeira película, rodada em 1984.
Da sua obra, caracterizada por uma mistura entre o filme negro e o expressionismo alemão, distinguem--se títulos como ‘Europa’ ou ‘Dancer in the Dark’, com Björk, mas foi com ‘Ondas de Paixão’ – Prémio do Júri no Festival de Cannes, em 1996 – que o realizador foi unanimemente reconhecido como um dos maiores do seu tempo.
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