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Wire ou a subversão do rock

Quarteto britânico apresentou este sábado, no RCA Club de Lisboa, o último trabalho 'Silver/Lead'.

25 de novembro de 2018 às 16:03

"Somos o grupo mais famoso de que ninguém ouviu falar", brincaram os britânicos Wire numa entrevista dada à revista Rolling Stone há ano e meio. O último álbum 'Silver/Lead' tinha acabado de sair para as lojas, dando continuidade a uma carreira iniciada em 1976, em paralelo com o movimento punk que começava a abalar consciências no Reino Unido.

A afirmação é tanto mais irónica porquanto as suas ideias sonoras influenciaram bandas tão díspares como os R.E.M., Sonic Youth, The Cure ou os mais recentes Franz Ferdinand e Bloc Party.

Este sábado à noite, no RCA Club, em Lisboa – sexta-feira atuaram no Hard Club, no Porto – o quarteto de Colin Newman, Graham Lewis, Robert Grey e Matthew Simms mostrou em palco porque mantém toda essa aura em seu redor, mais de quatro décadas após a estreia em álbum com 'Pink Flag' em edição de autor.

Numa sala praticamente cheia, onde a faixa etária da maior parte da audiência passava bem para lá dos 40 anos de idade, o grupo passeou-se em menos de hora e meia por quase todos os álbuns da carreira, com canções como 'Over Theirs', 'Art of Persistence', 'Ahead' ou 'Drill' em plano de destaque.

O diálogo entre o público e o grupo foi praticamente inexistente, e a qualidade técnica do som também estava longe de estar apurada numa sala onde a acústica costuma ser muito boa. De certa forma, sentiu-se em determinadas partes do concerto que se estava antes numa sala de ensaios, com os Wire a darem os remates finais às suas canções.

Não terá sido um regresso deslumbrante ao nosso país, dez anos depois de terem atuado no Museu de Arte Contemporânea, em Serralves, mas também ninguém terá sentido que foi defraudado. Na verdade, esta é a postura típica dos Wire.

A noite de sábado no RCA Club arrancou com as sonoridades eletrónicas dos portugueses Sweet Nico. Formados por Marisa da Anunciação e David Francisco, o duo centrou a atuação no segundo álbum 'R Eborn', que sucede a 'R Evival'.

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