Benfica abre guerra ao Governo por Assis
O Benfica abriu ontem guerra declarada ao Governo, na pessoa do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, na sequência da sentença do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausane, que condenou Nuno Assis a um ano de suspensão – o jogador já cumpriu 161 dias pelo que ficará sem jogar até 26 de Julho, ou seja, a época acabou para Assis. Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi duríssimo para Laurentino Dias, que denunciou o caso junto das instâncias internacionais, e anunciou que vai renovar contrato com Nuno Assis. A sentença não é passível de recurso, mas o vice-presidente Sílvio Cervan, revelou que o Benfica vai pedir a anulação da decisão do TAS junto do Tribunal Federal suíço, embora não tenha conhecimento dos fundamentos do acórdão.
Vieira não poupou Dias e prometeu novidades para breve: “O secretário de Estado deve estar a abrir uma garrafa de champanhe mas este caso não morre aqui. Vamos denunciar pessoas, instituições e comportamentos. O secretário de Estado esteve contra a federação e o maior clube do seu País. Se tivesse colocado a mesma energia no caso que coloca em causa toda a indústria do futebol o ‘Apito Dourado’ já estava resolvido. Quantas vezes já o ouviram falar no ‘Apito Dourado’? Até foge... tem mais medo”, afirmou, acrescentando: “Ele politizou e pessoalizou esta situação e abriu guerra ao Benfica. Ninguém esquece o que sucedeu ao Benfica no Governo PS. Isto é mais que vingança, é perseguição. Primeiro devia olhar para a casa dele, se calhar não funciona tão bem quanto a nossa.” Vieira expressou total confiança em Assis e garantiu: “A única preocupação é renovar com o Nuno.”
Assis teve um controlo positivo por 19 norandrosterona em 3 de Dezembro de 2005, no jogo Marítimo-Benfica, tendo sido suspenso por seis meses pela Comissão Disciplinar da Liga, castigo que não cumpriu na íntegra devido ao arquivamento do processo por parte do Conselho de Justiça da FPF. Alertada para o caso por Laurentino Dias, a Agência Mundial Antidopagem recorreu para o TAS, cuja sentença foi ontem conhecida.
SIMÃO SOLIDÁRIO
O capitão Simão Sabrosa manifestou solidariedade com Assis: “O grupo acredita na sua inocência, o que lhe aconteceu podia acontecer a qualquer um de nós. Ele será agora o n.º 12 e venceremos por ele. Já houve coisas no passado que nos deram força e isto também dará.”
PROVAR ILEGALIDADE
A única forma de o Benfica conseguir anular a decisão do TAS junto do Tribunal Federal suíço é provar que houve uma ilegalidade. Refira-se que o castigo de Assis entra em vigor de forma imediata.
"INSATISFAÇÃO NÃO FARÁ TITULARES" (Fernando Santos, treinador do Benfica)
CM – Amanhã com o Oliveira do Bairro vai rodar jogadores?
Fernando Santos – Não posso. Vão jogar os atletas que têm sido utilizados nos últimos jogos. O Oliveira do Bairro merece o nosso respeito.
– Nem na baliza haverá alterações?
– Não. Vai haver apenas umas duas alterações.
– Moretto tem-se queixado. Está de saída?
– Não tenho conhecimento. Mas a insatisfação demonstrada nos jornais não fará ninguém titular.
– Rui Costa regressa?
– Deve ser convocado.
– Miccoli está apto?
– Está a fazer uma recuperação muscular e contarei com ele com a Académica.
– E quanto a Kikin?
– Pode sair se houver uma hipótese boa para as partes.
– Quer um substituto?
– Obviamente.
– E a redução do plantel?
– Acontecerá naturalmente. É um assunto que está a ser tratado por quem de direito.
– Como vê um possível regresso de José Veiga?
– Com muita naturalidade. Não há nenhuma razão para não o recebermos com alegria.
FPF SALVA DE PERDER ESTATUTO
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) já não poderá perder o estatuto de utilidade pública, depois de a decisão do TAS ontem conhecida ter revogado o acórdão do Conselho de Justiça (CJ) que arquivou o castigo de seis meses aplicado a Assis pela Comissão Disciplinar da Liga.
Paulo Relógio, assessor jurídico da FPF, garante porém que a perda do estatuto nunca esteve em causa: “Podemos não concordar com a sentença do TAS, mas a decisão é legítima. Quanto ao risco de perda de estatuto de utilidade pública da FPF era juridicamente inexistente porque a FPF nunca foi notificada pelo secretário de Estado e também nunca vi o parecer da Procuradoria. De qualquer forma, o acórdão do CJ foi revogado agora pelo TAS, a suposta ilegalidade deixou de existir, por isso essa questão morreu. E como não se pode matar o morto, o caso termina aqui.”
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