"Costinha foi muito indelicado comigo"

Sousa Cintra diz que o Sporting não foi feliz nas contratações, garante que deixou um passivo simbólico e desafia o actual director a mostrar o papel sobre a sua gestão.

18 de dezembro de 2010 às 00:00
"Costinha foi muito indelicado comigo" Foto: Pedro Catarino
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Correio Sport - Foi protagonista de uma polémica com Costinha. O que se passou?

Sousa Cintra - Nada de especial. Disse uma evidência que está à vista de todos. Quando as coisas correm mal, o director para o futebol tem de ser responsabilizado, pois ele é que responde pelas contratações. Um facto é que o Sporting não foi muito feliz nas aquisições.

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- Costinha acabou por o aconselhar a meter-se na sua vida...

- Não me meti na vida de Costinha. Ele foi muito indelicado comigo. Fui presidente do Sporting e mesmo que não fosse, teria sempre direito à minha opinião. Quero é o bem do Sporting.

- Ficou ressentido com Costinha?

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- Não, nem o conheço. Desejo sucesso a Costinha, porque isso será o bem do Sporting.

- Admite sentar-se à mesa com ele e ultrapassar o diferendo?

- Sim, se ele quiser podemos falar. Eu disse uma verdade e Costinha é que teve frases infelizes, que não são próprias de um director para o futebol.

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- Teve muita solidariedade?

- Nem imagina. Centenas de mensagens.

- Ele disse que um dia mostra um papel sobre o seu trabalho no Sporting?

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- Mas qual papel? Que mostre e não confunda a opinião pública

- Deixou boas contas no Sporting?

- Fantásticas, com um passivo simbólico. Nada a ver com isto que se passa agora. Mas não quero estar a falar disso.

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- O Sporting vive numa encruzilhada entre resultados desportivos e financeiros. O que deve prevalecer?

- A massa associativa não se preocupa com dívidas, mas com resultados. A componente financeira e a estabilidade económica é muito importante. Contudo, é preciso que a bola entre e que o Sporting ganhe.

- E porque é que não ganha?

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- Tem faltado sorte ao Sporting, mas isso vai mudar.

- De que forma tem vivido este tempos no Sporting?

- O Sporting tem sido uma desilusão a nível interno, não se pode dizer outra coisa. Porém, eu acredito no potencial do clube. A união é indispensável, porque é meio caminho para o sucesso. Querer é poder, e essa mensagem tem de vir dos dirigentes e passar da equipa técnica aos jogadores.

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- José Bettencourt está aquém das suas expectativas como presidente?

- Acredito que ele não esteja nada satisfeito com estes resultados. O próprio já disse que tinha de arrumar a casa. É um grande sportinguista e está a tentar implementar uma gestão equilibrada. É nos momentos difíceis que as pessoas se distinguem. Mas sem ovos não se podem fazer omeletas.

- O que acha do plantel do Sporting?

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- Temos de ir à luta com o que temos. Eu acredito no plantel, tem o meu apoio, só que temos de ganhar.

- Que jogadores mais o têm surpreendido?

- Gosto muito do Salomão, do André Santos e do Nuno André Coelho.

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- Dos três que falou, só um é titular com Paulo Sérgio. Que opinião tem do treinador?

- Fiquei surpreendido pela contratação dele, porque não tem grande currículo. Todavia, devem deixá-lo acabar o trabalho.

- E acha que Bettencourt vai cumprir o mandato inteiro como presidente do Sporting?

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- Os mandatos são para cumprir e não é ele que marca os golos.

- O Sporting é um clube dado à intriga?

- É. Tem sempre detractores.

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- A SAD está a estrangular o Sporting?

- Apareceram para modernizar os clubes, mas tiraram o carisma e a paixão dos adeptos. Uma coisa é os sócios decidirem, outra é ser a SAD a decidir. As SAD mandam nos clubes.

- E a mística, está a perder-se?

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- Tem sido abalada. Extinguiram--se modalidades, e no meu tempo o Estádio estava cheio.

- O passivo total do grupo Sporting ascende a 325 milhões de euros...

- É um assunto interno do Sporting, que prefiro não comentar.

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- Pedem-lhe para voltar ao Sporting?

- Acontece-me a cada passo pedirem-me para regressar e ser presidente.

- E admite fazê-lo?

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- Voltar ao Sporting como presidente não vai acontecer. Já dei o meu contributo.

- Contratou Carlos Queiroz para o Sporting. Ficou surpreendido por ele ter sido despedido da Federação Portuguesa de Futebol

- Não, não fiquei surpreendido. Contratar Queiroz foi o meu grande erro como presidente do Sporting. Vi logo que tinha feito mal. Arrependi-me imediatamente.

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PERFIL

José Sousa Cintra nasceu a 26 de Outubro de 1944 (66 anos) em Raposeira, no Algarve, numa família humilde. Depois de vender caracóis, chegou a Lisboa aos 15 anos. Foi presidente do Sporting entre 1989 e 1995 (três mandatos), e, apesar das equipas que construiu (com Figo, Paulo Sousa e Balakov, entre outros), apenas ganhou uma Taça de Portugal, em 1995, frente ao Marítimo (2-0). Depois das águas e cervejas, negoceia no imobiliário e restauração. É fã de touros e de caça.

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