Leão mete milhões do City no bolso
O Sporting venceu o Man. City por 1-0, numa grande exibição colectiva – a melhor desde que Sá Pinto é treinador. <br/><br/>
O triunfo, graças a um estupendo golo de Xandão, num toque de calcanhar, premiou a enorme organização, espírito de sacrifício, mas também qualidade da equipa verde-e-branca, que foi crescendo com o tempo até chegar a superiorizar-se ao poderoso adversário – um dos mais ricos da Europa.
Mas ontem, a riqueza maior foi do leão, capaz de anular as estrelas do líder da Liga inglesa, como Dzeko e Agüero, com um jogo de entreajuda e empenho.
O Sporting começou mais na expectativa, a conter o adversário, mas já então com saídas intencionais para o ataque. No meio-campo, duas exibições transcendentais – Schaars e Carriço – e um Matías a conduzir muito bem as iniciativas ofensivas. Atrás, Patrício segurou com boas defesas o pouco que poderia passar por Xandão e Anderson Polga.
A 2ª parte revelou um Sporting sem ponta de acanhamento, a disputar o jogo em toda a largura do campo. Quando o encontro já estava a ser dominado pelo Sporting, Xandão teve um toque de génio a defesa incompleta de Hart – bom livre de Matías – e, de calcanhar, fez o golo que levou Alvalade ao delírio.
Com o estádio transformado num vulcão em erupção, a equipa galvanizou-se mais ainda e Wolfswinkel teve no pé direito a possibilidade de dar o 2-0 aos leões, mas Hart defendeu.
Sempre com muito coração e cabeça, o Sporting segurou a vantagem, apesar dos esforços de Balotelli (ainda acertou na barra, de cabeça), Silva e Barry, os únicos a rivalizarem na categoria com os jogadores leoninos. Quem diria? ´
"NUNCA PENSEI MARCAR UM GOLO TÃO LINDO"
"Nunca pensei, sendo eu um central, marcar um golo tão lindo de calcanhar numa partida da Liga Europa. É um momento marcante", disse ontem o brasileiro Xandão, de 24 anos. "Encarámos o City como o jogo da época. Nada está ganho. Falta a segunda parte. O importante foi marcar e não sofrer golos", frisou o central.
SCHAARS SEGURA E XANDÃO MARCA
Rui Patrício – Atento e seguro, desviou um golpe de cabeça perigoso de Touré (13’). Assustou--se com Balotelli (87’), que cabeou à barra.
João Pereira – A raça do costume elevada ao quadrado, pois surgiu forte a defender e a atacar. Chegou a testar os reflexos de Joe Hart na 1ª parte. Podia ter evitado o amarelo (falta sobre Balotelli) que o afastará da 2ª mão.
Polga – Se o argentino Kun Agüero foi uma sombra de si mesmo, a culpa é de Anderson Polga. O central brasileiro fez cortes providenciais e deu muita tranquilidade à equipa, mesmo na fase de maior sufoco do City, perto do fim.
Insúa – Desempenho regular e um cruzamento muito bom que Wolfswinkel não aproveitou.
Carriço – Seguro, autoritário e inteligente à frente dos centrais. Conquistou um par de faltas preciosas.
Matías – Boas iniciativas, muita energia e grande qualidade técnica. A dinâmica do médio chileno fez toda a diferença, pois conquistou e cobrou o livre (directo) que Joe Hart defendeu e Xandão transformou, depois, em golo. Saiu exausto.
Schaars – Começou de forma exuberante, a tentar um ‘chapéu’ ao guarda-redes do City e acabou em missão de sacrifício. Não tremeu e interpretou à letra a receita à italiana de Sá Pinto.
Izmailov – Apesar de esforçado, foi o parente mais discreto do ataque sportinguista. Apagou--se cedo.
Diego Capel – Muito lutador, dinamizou bem o lado esquerdo, embora sem consequências em termos de finalização. Foi muito aplaudido pelos adeptos.
Wolfswinkel – Num dos jogos mais importantes da equipa e quando não podia falhar, o avançado holandês vacilou. Para esquecer o desperdício do minuto 63: sem marcação e com a baliza à sua disposição, permitiu a defesa de Hart.
Bruno Pereirinha – Entrou bem na partida. Muita luta na direita.
Renato Neto – Balotelli deixou-o ficar mal na fotografia uma vez, mas o médio recompôs-se e não deu mais veleidades.
Carrillo – Trouxe velocidade e sangue quente, só que o Sporting já estava a entrar numa fase de gestão.
Xandão – Foi o herói improvável de uma noite que os leões não vão esquecer. Mais despachado do que técnico nas acções defensivas, o central decidiu o jogo com um golaço de calcanhar, depois de falhar a primeira recarga.
"ESTES JOGADORES TÊM DE ACREDITAR"
Ricardo Sá Pinto não escondeu a satisfação após o triunfo (1-0) do Sporting sobre o Man. City, em Alvalade. "É uma vitória da humildade, da inteligência e do espírito de equipa. Fizemos um grande jogo e escrevemos uma parte da história. Este resultado é um feito. Os meus jogadores foram tremendos, superaram-se. Estamos rodeados de excelentes profissionais", disse o treinador leonino, de 39 anos.
"Estes jogadores têm de acreditar. Precisamos do apoio de todos para desenvolvermos um trabalho positivo. Nunca nos podemos distrair. O futebol é feito de detalhes", vincou Sá Pinto, acrescentando: "Ando no futebol há 30 anos e sei que todas as equipas vivem de resultados. Mas tem de se saber porque se ganha e porque se perde e isso eu vou saber sempre." A concluir, pediu uma equipa igual à de ontem para todos os jogos "até ao levantar da Taça no Jamor".
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