O ALDEÃO QUE FEZ FORTUNA

Corria o ano de 1973, quando Jaime Rodrigues Antunes, então com 19 anos, deu o passo mais importante da sua vida: deixou a aldeia de Matas, perto de Leiria, para rumar a Lisboa, com o objectivo de tirar um curso superior e... vencer na vida.

12 de outubro de 2003 às 00:00
O ALDEÃO QUE FEZ FORTUNA Foto: d.r.
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Trinta anos depois, pode dizer-se que Antunes venceu – hoje é um homem rico, com uma fortuna avaliada em alguns milhões de contos.

Mas nem sempre foi assim. Jaime foi o terceiro dos seis filhos de Manuel e Maria Emília, uma família classe média-baixa. “Não nasci em berço de ouro”, afirma o agora candidato à presidência do Benfica. O seu pai, hoje com 85 anos, tinha um táxi e a mãe, já falecida, tomava conta de uma mercearia, em Matas, concelho de Ourém. Numa região muito marcada pela emigração, Manuel e Maria Emília conseguiram patrocinar a instrução dos filhos até ao liceu, mas os que quiseram fazer a universidade tiveram de pagar do seu bolso. Jaime Antunes foi um deles, sendo hoje o único dos seis irmãos que reside em Lisboa, uma vez que os outros continuam na região. Manuel, o irmão mais velho, com 58 anos, é mesmo o presidente da Junta de Freguesia de Matas.

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Curiosamente, se for a Matas e perguntar pelos Antunes, ninguém os conhece. Já se falar nos Gameiros, a resposta será positiva. É que a família é conhecida pelo outro apelido do pai. Outra curiosidade é que dos seis irmãos (Lurdes é a única mulher), apenas Fernando destoa, sendo do... Sporting.

Assim que chegou a Lisboa para estudar Economia, em 1973, Jaime Antunes começou a trabalhar no Jornal do Comércio, primeiro como revisor e depois como jornalista. Viveu com intensidade o período pós-25 de Abril, quando se fez mesmo militante da UDP, tendo abandonado essas lides em Novembro de 1975. Os que trabalharam consigo neste período recordam o seu carácter interventivo e as posições assumidas em defesa dos trabalhadores. Hoje, Antunes não é militante de qualquer partido e não se revê nas separações entre esquerda e direita.

Depois de concluir o curso, Antunes começa a exercer cargos de chefia nos jornais no início da década de 80 e ganha notoriedade nas televisões, como comentador de economia.

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Mas é a partir de 1986 que, com o lançamento do Semanário e do Diário Económico, Jaime Antunes começa a fazer fortuna. Em 1994 vende os dois jornais e arrecada uma soma considerável. “O que me dá gozo é lançar empresas”, afirma. E de facto lança muitas outras, com destaque para a imobiliária Pelicano.

Por essa altura Antunes começava também a ser conhecido pelo facto de ser associado do Benfica. Neste contexto ganha protagonismo pelas posições vincadas que adopta, muitas vezes contra o poder vigente na Luz. É visto pelos sócios como um permanente contestário, mas outros aplaudem a sua capacidade de análise da realidade ‘encarnada’ e a coragem demonstrada em assembleias-gerais nos tempos de Vale e Azevedo, nas quais chegou a ser agredido.

Casado com La Salete Fernandes, gerente da Inforfi, e pai de Pedro, 24 anos, estudante de gestão, Jaime Antunes tem hoje mais tempo para dedicar ao Benfica, em especial depois de ter vendido, em 2001, a Pelicano, o negócio mais proveitoso da sua vida.

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Nome: Jaime Rodrigues Antunes

Idade: 49 anos (22 de Março de 1954)

Naturalidade: Matas, Ourém

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Estado Civil: Casado

Profissão: Empresário

Sócio do Benfica nº: 43.534

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Habilitações literárias: Licenciatura em Economia (ISEG), Pós-graduação em Mercados, Instituições e Instrumentos Financeiros.

Percurso profissional: Foi director de informação da ANOP (de 1984 a 1986), do Semanário Económino, do Diário Económico e da revista Expansão. Exerceu a função de jornalista de economia até ao ano de 1994. Esteve ainda ligado ao Jornal do Comércio, Expresso, Rádio Comercial, Rádio Renascença, TSF, Agência Lusa e RTP.

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