O AVANÇADO DOS TÍTULOS BONITOS
Normalmente o seu nome permite títulos bonitos. Sexta-feira à noite voltou a ser assim. Três minutos após entrar em campo, no Bonfim, já com o jogo na última meia hora, abriu a contagem do Varzim e rasgou o caminho de um incrível volte-face.
O que parecia um triunfo garantido do V. Setúbal (vencia por 2-0), transformou-se numa copiosa derrota (2-4). Até ao final marcaria mais dois golos poveiros (o outro foi de Pepa). E lá apareceu em todos os títulos dos jornais.
Esta tem sido a sua sina nas últimas nove épocas, desde que trocou o modesto Odivelas da III Divisão (melhor marcador de todas as divisões), pelo Benfica, corria a época de 93/94, curiosamente o último ano em que o clube da Luz foi campeão (com Toni e Jesualdo). As convulsões vividas pelos 'encarnados' levaram-no a peregrinar ao sabor de empréstimos sucessivos, sem nunca mais voltar à base. Por onde passou nestes nove anos (9 clubes no total), marcou sempre.
96 golos (quatro esta época) em 253 jogos (13 na corrente temporada), o que dá uma média de 0,37 golos por jogo. Nada mau. Sobretudo se se acrescentar que se trata de um avançado que nunca foi um jogador de 90 minutos (esta época não fez qualquer jogo completo).
Aos 31 anos (completados no dia 9), Paulo Jorge Vida Ribeiro é um dos tais jogadores que pode ter passado ao lado de uma grande carreira. Excelente na leitura táctica, primoroso a jogar de cabeça, surge como um dos trunfos de José Alberto Costa na brilhante carreira que o Varzim está a fazer: é quarto classificado, com os mesmos pontos do Sporting.
Constitui, além disso, uma inesgotável fonte de inspiração. Desperta poesia e aforismos. A imaginação solta-se com os golos decisivos de Paulo: é a Vida!
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