RUI BAIÃO: QUERO JOGAR NO FC PORTO
Rui Baião deixou o Benfica aos 21 anos e rumou ao Varzim, onde espera "explodir" para o futebol. Sem grandes oportunidades na Luz, não esquece os sete anos que lá passou, mas já tem um objectivo bem definido: jogar no FC Porto, clube que detém opção sobre o jogador.
Correio da Manhã – Quais foram os motivos que o levaram a sair do Benfica?
Rui Baião – Saí do Benfica por várias razões. A certa altura colocaram-me a treinar com a equipa B e além disso a relação entre certos elementos da Direcção e o meu representante não era a melhor, situação que de alguma forma me prejudicou. Então percebi que o meu futuro passaria apenas pela equipa B. E como não queria jogar na III divisão tinha de sair, pois este era e é um momento muito importante na minha carreira.
– Há alguns culpados pela sua saída?
– O Benfica é uma grande instituição, que não tem nada a ver com as pessoas que estão à frente do clube. Sei que eles não contavam comigo e eu não queria continuar nas condições em que me encontrava. A saída era a minha única opção.
– Alguma vez foi pressionado para mudar de empresário?
– Nunca me falaram nisso directamente, mas todas as pessoas sabem que no Benfica a maior parte dos jogadores são representados por um só empresário. A certa altura notei que eu e outros colegas representados por Paulo Barbosa éramos tratados de forma diferente.
– Sentiu-se prejudicado?
– Prejudicado não digo. Senti um tratamento diferente e que havia menos atenção para comigo.
– Ficou magoado com alguém?
– Não quero falar sobre isso, pois não tenho intenção de causar mal-estar a ninguém. Sei separar bem a instituição Benfica das pessoas que dirigem o clube.
– Por que não conseguiu mostrar o seu valor na Luz?
– Se calhar nunca me lançaram nos momentos certos. Entrei na equipa nas alturas erradas para um jovem poder triunfar. Joguei nos momentos em que a equipa estava a atravessar uma fase difícil e a pressão sobre os jogadores era muita.
– Deixou-o triste a forma como saiu?
– É óbvio que sim. Estive lá sete anos, o que deixa sempre marcas. Cheguei ao Benfica aos 14 anos e passei bons momentos naquela casa. Acima de tudo fiquei triste pela forma como saí de um clube que representa algo para mim.
– Vai custar-lhe regressar à Luz?
Quando jogar na Luz , se calhar, vou sentir alguma melancolia. Mas o jogo em si vou encarar como se fosse contra o Sporting ou FC Porto.
A pensar no FC Porto
– Jogar no FC Porto é um objectivo?
– Tenho contrato com o Varzim por quatro anos, mas é público que o FC Porto tem direito de opção sobre mim. Tenho muito orgulho nisso e espero um dia poder vestir a camisola do FC Porto.
– Chegou a falar com algum responsável portista?
– Nunca falei com ninguém do FC Porto. Tudo foi tratado, publicamente, pelo meu empresário.
– Como está a decorrer a adaptação à Póvoa de Varzim?
– Quando vim para cá fiquei com a certeza de que tinha tomado a opção certa. Há um bom ambiente e tenho sido muito bem tratado.
– O que espera conquistar esta temporada?
– Tentar ajudar ao máximo o Varzim a garantir a manutenção. Quero ser titular e mostrar que posso ser melhor do que sou agora. Quero mostrar o meu valor e sei que isso depende apenas e só de mim. Vou dar tudo para alcançar isso.
Rui Miguel Marques Baião nasceu a 4 de Setembro de 1980 (21 anos). Natural do Montjo, começou a jogar no Barreirense, mas aos 14 anos deu o salto para os juvenis do Benfica. Na Luz, conquistou dois títulos de campeão nacional de juvenis e foi por várias vezes internacional nas selecções de sub-15, sub-16 e sub-18. Em 2000/2001 começou a treinar com o plantel principal do Benfica e nesse mesmo ano foi emprestado ao Alverca.
Regressou à Luz ainda essa época e realizou alguns jogos com a camisola principal do clube, tendo apontando um golo. O ano passado foi titular em três partidas, marcou um golo, mas acabou por sair do Benfica, assinando contrato com o Varzim por quatro épocas.
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