Vítor Baía herói da noite

Uma noite de muita. muita chuva, Dragão cheio, e drama com prolongamento e penáltis. Ganhou o FC Porto e Adriaanse venceu o primeiro clássico nas grandes penalidades (6-5, após empate 1-1) – e está na primeira final da carreira – porque Baía defendeu o penálti de João Moutinho. Baía foi o herói da noite porque também no jogo esteve bem, mas Lisandro foi quem converteu o último pontapé. Adriaanse ganhou sem a sua acção o merecer desta vez. Venceu mas não convenceu o Sporting.

23 de março de 2006 às 00:00
Vítor Baía herói da noite Foto: João Abreu Miranda/Lusa
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Golos só houve no tempo extra: o Sporting adiantou-se, num erro de Cech que perdeu uma bola fácil junto à linha de fundo e Nani cruzou para Liedson marcar de cabeça (109’). Cinco minutos depois, cruzamento de Quaresma e McCarthy a desviar ainda de cabeça. Diferença: o Sporting marcou contra onze, o FC Porto já contra dez.

FC Porto desta vez em 3x4x3, com Cech no meio-campo, Adriano na direita e Quaresma na esquerda para servirem McCarthy e Lucho, que aparecia por trás. No Sporting, Miguel Garcia em vez de Abel – seria recordação do Alkmaar de Adriaanse? – e Deivid e Liedson no ataque, com Sá Pinto a municiá-los.

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Houve vencedor porque tinha de haver, mas não houve um patrão no jogo, porque as duas equipas alternaram o comando – o que, tratando-se de jogo no Porto, diz algo do que fez o Sporting.

A noite ficou marcada por muitos erros da arbitragem: encosto suspeito de Polga a McCarthy na área, mão de Pepe à entrada da área (fora), McCarthy quase marcava em fora-de-jogo, Liedson mete a mão na cara de Baía e está perto do golo e por aí fora. Mais grave, mostrou o segundo amarelo a Caneira numa confusão em que amarelou a eito e em que o expulso era o menos culpado. E já depois do 1-1 foi Bosingwa o expulso quando nem tocou em Tello.

Poucas oportunidades de golo ao longo de um jogo táctico. Carlos Martins de livre obriga Baía a defesa atenta (28’), McCarthy no tal lance em fora-de-jogo obriga também Ricardo a boa defesa (44’) e já na segunda parte Caneira viu Baía negar-lhe o golo num remate de perto (48), Adriano de cabeça, após canto, é contrariado pela defesa de Ricardo, que voltou a brilhar num cruzamento-remate de Raul Meireles e teve sorte num remate de primeira de pé esquerdo de Adriano, que levou a bola ao poste exterior. Bolas de baliza foram estas nos 90 minutos.

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O Sporting mostrava uma equipa mais curta, com bola de pé para pé e em espaços reduzidos, o FC Porto alongava-se mais. Os ‘leões’ mais confortáveis, os ‘dragões’ menos, num jogo sentido como uma final. Mais oportunidades do FC Porto, mais jogo articulado do Sporting e mais vezes em dificuldade os defesas do FC Porto. Parece paradoxal, mas não é se se explicar que o Sporting ameaçou mais. Paulo Bento teve de tirar Miguel Garcia (entrou Abel) e Carlos Martins (como sempre entrou Nani). Adriaanse só fez substituições no prolongamento – Adriano por Lisandro, enquanto Sá Pinto dava o lugar a Tello. Não se percebia a estratégia do holandês, que costuma ser homem de tanto risco e que esperou até ao fim. O FC Porto nunca forçou a pressão, esteve à espera.

O prolongamento teve os dois golos e as duas expulsões, mas não teve mais jogo, mantendo-se a tendência. Nos penáltis, o nulo desfez-se. O FC Porto teve mais sorte.

VÍTOR BAÍA

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Já tinha sido decisivo durante os 120 minutos, ao deter a soco um livre de Martins (26’) e, sobretudo, ao captar um remate cruzado de Caneira que levava o selo de golo (aos 49’). Mas acabou por fechar com chave de ouro ao defender magistralmente o penálti de João Moutinho que permitiu ao FC Porto a passagem à final da Taça de Portugal.

POSITIVO: CAPACIDADE DE APARECER NAS ALAS

Adriaanse leu bem o Sporting e mudou o sistema da sua equipa, colocando-a num 3x4x3 que criou algumas situações de superioridade numérica nas alas. Foi graças à aliança de Meireles e Adriano na direita e de Cech e Quaresma na esquerda que o FC Porto foi acumulando cruzamentos potencialmente perigosos para a área de Ricardo. É verdade que nem sempre saíram bem, porque talvez aqueles não fossem os jogadores certos (tirando Quaresma), mas acabou por ser de um deles que saiu o golo do empate.

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NEGATIVO: ADRIAANSE E CECH A VER JOGAR

O treinador holandês demorou demasiado nas substituições (guardou duas para os últimos 10 minutos do prolongamento), perdendo a oportunidade de marcar superioridade física na parte final dos 90 minutos regulamentares. O defesa-médio checo e ficou a ver uma bola a saltitar junto à linha de fundo, perdeu-a para Nani e criou uma situação irresolúvel para Pedro Emanuel, que depois foi batido por Liedson na resposta ao cruzamento. Ambos foram salvos por Quaresma e McCarthy.

LIEDSON

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Mostrou a capacidade de luta do costume, sempre pronto a lutar por cada bola como se fosse a última. E fez um golo onde se viu a inteligência da sua movimentação, a fugir a Pedro Emanuel assim que percebeu que Nani ia ganhar a bola a Chech. Foi poucpado aos penalties, dado o seu historial recente de falhanços, pelo que não saiu maculado na derrota.

POSITIVO: SOLIDEZ HABITUAL DA DEFESA

Durante 112 minutos, o Sporting voltou a colocar em campo o seu habitual ‘massacre defensivo’. Embora nem sempre o meio-campo tenha auxiliado devidamente os laterais nas basculações, permitindo cruzamentos em situações perigosas, os dois centrais e o guarda-redes dominaram quase sempre a zona frontal à baliza, dando a ideia de que o FC Porto estava a bater contra uma parede. O golpe fatal foi a expulsão de Caneira: com Tello a lateral, Quaresma teve mais liberdade para cruzar e McCarthy pôde antecipar-se a Polga para cabecear para o golo.

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NEGATIVO: OS PENÁLTIS FAZEM PARTE DO JOGO

O Sporting é a equipa que mais penáltis já teve a seu favor na Liga portuguesa, mas não é a que faz mais golos da marca dos onze metros. Ontem, voltou a mostrar que não trabalha convenientemente esta matéria: mesmo sem os jogadores que mais vezes falharam na Liga (Liedson e Sá Pinto), os ‘leões’ perderam um penálti e não impediram um único do FC Porto. Depois de já terem saído da Taça de Portugal na época passada, na Luz, através dos penáltis, repetiram a proeza este ano. Dá que pensar.

Local: Estádio do Dragão, no Porto

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Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)

FC PORTO: Vítor Baía, Bosingwa, Pepe, Pedro Emanuel (Hugo Almeida (111’), Cech, Paulo Assunção, Lucho González, Raul Meireles, Quaresma (Ricardo Costa 119’), McCarthy, Adriano (Lisandro López 91’). Treinador: Co adriaanse

SPORTING: Ricardo, Miguel Garcia (Abel 70’), Tonel, Polga, Caneira, Custódio, Carlos Martins (Nani 60’), João Moutinho, Sá Pinto (Rodrigo Tello 91’), Deivid, Liedson. Treinador: Paulo Bento

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Golos Marcados: 0-1, Liedson (109’); 1-1, McCarthy (114’). Penáltis: FC Porto - Marcaram: Lucho, McCarthy, Ricardo Costa, Paulo Assunção e Lisandro López. Sporting - Marcaram: Custódio, Deivid, Tello e Ricardo. Falhou: João Moutinho

Acção disciplinar: Amarelos: Caneira (79 e 112’), Nani (84’), Bosingwa (89 e 119’), Liedson (110’), Lucho (112’), Deivid (112’) e Custódio (120’). Vermelhos: Caneira (112’) e Bosingwa (119’)

Melhor jogador: Vítor Baía

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