O Benfica chegou finalmente à liderança isolada da Liga portuguesa, aproveitando um percalço do Sporting de Braga, a condição que faltava ao reconhecimento da equipa mais competitiva e que melhores performances tem realizado desde o início da época.
Alguns dados confirmam um equilíbrio exibicional que chega a roçar o perfeccionismo, para o que muito contribuiu a subida de rendimento de dois jogadores fulcrais, os argentinos Aimar e Di María, que já tiveram intervenção directa em mais de 30 golos e ajudaram bastante à eficácia dos dois avançados, Cardozo e Saviola.
Este quarteto sentiu algumas dificuldades nas últimas semanas, em particular nos jogos da Liga, ao enfrentar oposições cada vez mais compactas e combativas, mas os recursos ao serviço de Jorge Jesus têm compensado em géneros alternativos quando as primeiras opções não correm pelo melhor.
A procura incessante de recompensas ofensivas explica o cronograma das rotinas goleadoras de uma equipa educada para não se impacientar. Os tempos de golo do Benfica surgem de forma homogénea a cada cinco minutos, em divisões idênticas e sequenciais, sem ocasos nem picos excepto, ao de leve, as entradas de rompante e as saídas em glória. A infografia [à direita] impressiona pela rotina serial de golos a cada cinco minutos – um fenómeno quase impossível de encontrar no histórico de outras equipas, nacionais ou estrangeiras. Regular de mais para ser mesmo coincidência.
De igual modo, o equilíbrio absoluto entre os três modelos possíveis de finalização (ambos os pés e cabeça), com distribuição absolutamente rigorosa de 1/3 por cada uma, seria candidato ao livro de recordes se assim se mantivesse até ao final da época. Em 20 anos de estudo jamais se encontrou uma beldade com medidas mais que perfeitas como estas (17-17-18), sendo norma que os golos de cabeça nunca são a maioria e que um dos pés, quase sempre o direito, prevalece numa razão de 70-30. Mas também são raras as equipas de futebol a apresentar de início três, às vezes quatro, esquerdinos.
DEFESA MENOS BATIDA
No início da época, Jorge Jesus estabeleceu o objectivo de baixar o número de golos sofridos mas só após a goleada do Porto-Braga o Benfica passou a ser a equipa menos batida – 11 golos em 20 jogos. Este facto significa bastante: desde 1991, há quase 20 anos, que o Benfica não tem a defesa menos vazada do campeonato nacional.
MENOR RIGOR NA EUROPA
O perfil dos jogos do Benfica na Liga Europa diverge substantivamente dos internos, apesar de índices semelhantes de resultados (75% de vitórias na Liga, 70% na UEFA). Na competição internacional sofre mais golos e também marca menos, apesar de ser bastante mais eficaz nos jogos em casa. Nos processos, a maior diferença nota-se nos lances de bola parada e no jogo aéreo, diminuições motivadas pelo menor número de pontapés de canto (-20%) e de faltas assinaladas nos jogos da UEFA.
Nas bolas paradas, a percentagem de 44% na Liga nacional cai para apenas 13% na Liga Europa, de forma abrupta quer nos livres (de 16 para apenas um), quer nos pontapés de canto (de 7 para 2). Uma razão evidente para esta diferença é a menor eficácia nos lances aéreos, que desce de 33% para igualmente 13% na prova europeia. As torres do Benfica apontaram apenas três golos de cabeça (Cardozo 2, Luisão 1) frente ao Everton e ao Hertha, contra quase um cabeceamento de sucesso (18 em 20 jornadas) na Liga portuguesa.
SAVIOLA: JOGADOR DECISIVO
Com seis golos e quatro assistências, Saviola teve participação em perto de metade das conclusões nos jogos europeus, vincando um grau de influência impossível de atingir na Liga interna, onde não tem tanto espaço para jogar (dez golos e também quatro assistências).
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