João Malheiro lança na próxima 2.ª-feira o seu 12.º livro, ‘Eu, Mourinho e Benfica’. A obra reflecte a sua ligação ao ‘El Especial’ na fase em que coincidiram na Luz. O ex-director de comunicação das águias fala da obra mas também do clássico de amanhã.
Correio Sport – O Benfica de duas caras que derrotou o Lyon deixou-o entusiasmado ou apreensivo para o clássico?
João Malheiro – São mais as razões de entusiasmo do que de perturbação. Vimos um Benfica equipado com a melhor cara durante 75 minutos, com condições, inclusive, para ganhar no Dragão. Foram 75 minutos de sonho. Sobre o ‘outro’ Benfica, diria que aquela exibição é interdita no Dragão, para mais num jogo tão decisivo.
– Uma derrota afastaria o Benfica do título?
– Com as vitórias a valerem três pontos, nunca se pode encarar a demissão de um candidato em Novembro. Mas é inquestionável que um aumento da distância pontual quase hipotecaria as pretensões do meu Benfica.
– Como se explica tão grande distância pontual?
– Acho que o Benfica foi maltratado, castigado, por arbitragens injustificáveis nos primeiros jogos. Ao invés, o FC Porto foi empurrado. Cito os jogos na Figueira da Foz, Vila do Conde, Funchal, e a recepção ao Sporting de Braga. Mas é um facto que as derrotas na Supertaça, com o FC Porto, e na Liga, com a Académica, subtraíram capacidade anímica ao conjunto.
– Reconhece Hulk como a grande figura da Liga?
– Até este momento, Hulk tem sido a grande figura. Faço-lhe essa justiça, sendo ele representante de um emblema adversário.
– Há ou não mérito do FC Porto, que descobre jogadores e potencia aqueles que são preteridos pelos outros ‘grandes’?
– E Fábio Coentrão, que é da minha terra, Vila do Conde, e o FC Porto não quis? Estamos a falar do melhor português a actuar na nossa Liga e, se calhar, um dos melhores do Mundo.
– Mas os exemplos abundam: Hulk, Varela, Maniche, Deco...
– Somos tão grandes que se esquecem, por vezes, das virtudes do Benfica. Vejam a tentativa de ‘assassinato’ a Roberto no início da época. Duvido de que tivesse o mesmo tratamento se fosse jogador do FC Porto. Quem descobriu Di María aos 19 anos? Rendeu um importante encaixe financeiro e é influentíssimo no Real Madrid. Quem reabilitou Saviola e Aimar e recrutou Ramires? E David Luiz? Foi o FC Porto? O ‘desfile’ podia não ficar por aqui.
– Atribui a hegemonia do FC Porto nos últimos 30 anos a factores de arbitragem?
– Durante um quarto de século, não existiu verdade desportiva em Portugal. Basta ouvir as escutas do ‘Apito Dourado’ para as pessoas entenderem o que se passou nos últimos 25 anos. Isto não significa que em algumas temporadas o FC Porto não tenha sido a melhor equipa nacional. No entanto, sempre no ‘conforto’ das arbitragens.
– Tem de reconhecer mérito a Pinto da Costa...
– Pinto da Costa é uma figura sobre a qual não gosto de falar. Está na base daquilo que eu abomino no futebol português e que nada tem a ver com o jogo jogado.
– Sendo de Vila do Conde, estas mesmas posições não suscitam alguma animosidade?
- O que sinto é um enorme carinho. Sustento, há muitos anos, uma afirmação que me parece irrefutável. O Benfica é o maior clube do Norte. Amo o Norte, sinto-me magnificamente em Vila do Conde ou Caminha, onde tenho residências, e sinto o conforto permanente de muitos benfiquistas nessas regiões.
– Que podem os leitores esperar do livro ‘Eu, Mourinho e Benfica’?
–Sinceramente, acho que é o meu livro mais importante e acredito que venha a suscitar a maior receptividade e entusiasmo. O livro é a história da minha vida, sublinhando a minha ligação à ‘tribo da bola’. Reflecte a vida de José Mourinho no plano profissional, com incidência na fase em que trabalhámos juntos no Benfica.
– Que factores o motivaram a escrever sobre este tema?
– Ao longo dos anos, estando num café, restaurante ou bombas de gasolina, fui constantemente interpelado por pessoas, muitas delas figuras públicas mas, sobretudo, gente anónima. Perguntavam-me "porque saiu Mourinho? E porque não regressou?". Passaram-se dez anos desses acontecimentos e achei que era a altura de contar essas histórias. Parafraseando Paulo de Carvalho [cantor], dez anos é muito tempo.
– Que aspectos da vida de Mourinho no Benfica retrata o livro?
– A primeira história fala da sua saída e a segunda fala das razões que impediram o seu regresso.
– Foi o maior falhanço de uma Direcção nos últimos anos?
– No livro, digo que é tão ingrato comparar situações separadas por dez anos como injusto seria dizer-se que o meu querido Eusébio, hoje com quase 70 anos, não jogaria neste Benfica. Uma coisa é Mourinho em 2002 e outra em 2010.
– Recolheu testemunhos de Mourinho para o livro?
– Há muitas frases de José Mourinho pois tive o cuidado de consultar a sua biografia, escrita por Luís Lourenço. Este livro tem também a ver com a minha faceta de jornalista, e por isso respeitei as regras do contraditório.
– Houve dedo externo nessa saída?
– Houve dedo externo, e foi comigo que Mourinho falou primeiro, numa segunda-feira, em Dezembro, logo a seguir à vitória sobre o Sporting. Apesar de ele sempre o ter desmentido, encontrou-se com Luís Duque, que era o homem forte do futebol, e iria para Alvalade não fosse a recusa do ex-presidente Dias da Cunha e de outras figuras do Sporting.
- A história recente do Benfica seria diferente com Mourinho?
- Seguramente, a continuidade de Mourinho iria propiciar um Benfica mais forte, apesar de nessa altura a situação do clube ser quase desastrosa, mercê da herança brutal deixada por Vale e Azevedo. Aliás, dedico um capítulo ao Eusébio, talvez a única unanimidade nacional. Explico como consegui evitar que participasse num jantar de apoio a Vale e se juntasse a Vilarinho.
PERFIL
João Malheiro da Silva Fernandes nasceu a 5 de Abril de 1960 (50 anos), em Viana do Castelo, mas foi em Vila do Conde que cresceu. Iniciou a carreira de jornalista no jornal ‘O Jogo’, primeiro diário desportivo nacional. Foi na Rádio, contudo, que ganhou notoriedade, tendo trabalhado na Comercial, Antena 1 e TSF. Surgiu depois a fase da TV na sua vida, tendo colaborado com a RTP e a SIC.
João Malheiro já publicou 11 livros, com o Benfica e Eusébio, seu grande amigo, como temas centrais.
Também no clube da Luz, exerceu o cargo de director de comunicação, entre os anos 2000 e 2003.
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