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Correio da Manhã

Desporto
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BOAVISTA JÁ NÃO PAGA HÁ TRÊS MESES

A grave crise financeira que envolve todo o futebol, aquém e além fronteiras, chegou também ao Estádio do Bessa. Há já três meses que alguns jogadores do Boavista não são remunerados de acordo com o estabelecido contratualmente, sendo que os salários em atraso estão a motivar descontentamento entre o plantel. João Loureiro, presidente ‘axadrezado’, confrontado pelo CM, escusou-se a comentar.
11 de Maio de 2003 às 00:44
“Não tenho que me pronunciar”, disse, não confirmando ou desmentindo o teor da notícia.
Aliás, sabe o CM, mesmo alguns apartamentos arrendados pelo elenco de João Loureiro e que servem para albergar os atletas têm, também eles, as rendas em atraso há vários meses.
BRILHANTES NA UEFA
É nestas difíceis circunstâncias que Jaime Pacheco, o treinador, tem de motivar uma equipa que nos últimos anos explodiu definitivamente entre os maiores da SuperLiga.
E se é certo que a época, a nível interno, defraudou as expectativas, também é verdade que Pacheco conseguiu transportar a equipa até às meias-finais da Taça UEFA, em mais um grande feito para o clube.
Aliás, conhecendo-se agora as dificuldades por que têm passado os atletas, então a excelente campanha na UEFA representará também o elevado profissionalismo dos jogadores, que até estiveram perto de Sevilha. Por agora, o clima é de natural apreensão, esperando-se por uma breve resolução do problema, até porque a ameaça de rescisões de contrato com justa causa tem de ser levada em conta.
RESCISÃO COM JUSTA CAUSA
Os salários em atraso podem acarretar perigosas consequências para as SAD e clubes. É que, de acordo com o contrato colectivo de trabalho, os jogadores que não recebam há dois meses podem requerer o pagamento da dívida. Isso é feito através de um pré-aviso de rescisão, do qual o jogador dá conhecimento ao clube, à Liga e ao Sindicato de Jogadores, após o qual a entidade empregadora (clube) passa a ter três dias úteis para fazer a prova de pagamento ou o próprio pagamento.
Caso contrário, o jogador poderá rescindir o contrato com justa causa e consequentemente ficar livre para assinar por outro emblema a custo zero, como aconteceu com Paulo Sousa e Pacheco no célebre ‘verão quente’, em que os dois jogadores saíram do Benfica para o Sporting.
Posteriormente, e apesar de determinado atleta se ter desvinculado com justa causa de um qualquer clube em falta, o jogador fica mesmo assim com direito a receber a totalidade do contrato que havia rescindido.
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