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Correio da Manhã

Desporto
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Farense termina com futebol sénior

A equipa sénior do Farense não comparecerá amanhã no Estádio Algarve para disputar o jogo da 10.ª jornada da série F da 3.ª divisão nacional, frente ao Beira-Mar de Monte Gordo.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Gomes Ferreira (à esquerda) anunciou a demissão da presidência da SAD
Gomes Ferreira (à esquerda) anunciou a demissão da presidência da SAD FOTO: Carlos Almeida
Ao registar a terceira falta de comparência da época – os restantes sete jogos foram disputados pelos juniores – o Farense, pelo artigo 508 do regulamento da Federação Portuguesa de Futebol, ponto 4, “será punido com a desclassificação na prova, a descida ao distrital da 1.ª divisão da Associação de Futebol do Algarve e com uma multa pecuniária de 1500 a 3000 euros”.
“Esta falta de comparência deve-se ao facto de não termos conseguido inscrever a equipa sénior, uma vez que não foi possível fazer a escritura de um terreno em S. Luís, cedido pela Câmara Municipal de Faro, que nos possibilitaria um encaixe financeiro que daria para pagar os 500 000 euros [montante das dívidas a antigos jogadores e técnicos] necessários para inscrever a equipa sénior”, explicou Gomes Ferreira, presidente da Farense Futebol SAD, que garantiu haver investidores interessados no negócio, Contudo, não foi possível concretizá-lo: “Sem a escritura de cedência do terreno, que a Câmara de Faro adiou, não tínhamos um bem para dar em contrapartida”.
Gomes Ferreira, emocionado, afirmou ainda “não ter forças, nem moral, para pedir à equipa júnior para continuar a jogar nos campeonatos júnior e sénior”, anunciando a sua demissão da SAD. “ Sinto-me triste e frustrado, mas vou continuar como presidente do Farense [clube], até final do mandato [Junho de 2006] mantendo as outras actividades e para não deixar cair o clube”.
CARLOS COSTA REVOLTADO
Os 14 funcionários do Farense não recebem ordenados há cinco meses, acrescidos de dois subsídios (férias e Natal). Também sem emprego fica dezena e meia de profissionais de futebol, que têm treinado regularmente à espera da solução da crise. “Muitas pessoas, com responsabilidades na situação, hoje não vão dormir tranquilas.”
O Farense foi vítima de interesses políticos, que dividiram as pessoas que podiam ter resolvido a crise, mas acabaram por deixar morrer o clube sem dignidade”, afirmou o capitão Carlos Costa, porta-voz da revolta que, no final, se traduziu nalguma agitação que se viveu junto dos sócios presentes.
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