A partida do FC Porto para Londres, onde amanhã defronta o Chelsea de José Mourinho para a Liga dos Campeões, ficou marcada pela resposta de Pinto da Costa a José Veiga. O dirigente do Benfica acusou Pinto da Costa de pressionar os árbitros e ontem recebeu o troco, tudo isto quando faltam três semanas para os ‘dragões’ jogarem na Luz.
“Achei graça, porque pensei que estava a brincar. Depois percebi que não, mas achei que fez uma figura triste”, ironizou o presidente dos ‘dragões’, atribuindo as palavras ao nervosismo decorrente do empate com o Braga na Luz.
“Naturalmente compreendo que, se quis falar, não podia falar de arbitragens nem do golo invalidado ao João Tomás (Sp. Braga), e compreendo que tenha sido uma questão estratégica. Mas foi pena os pontapés na gramática”, acrescentou o presidente do FC Porto.
O líder portista considerou que José Veiga estava frustrado e nervoso com o empate cedido em casa e pretendeu “desviar as atenções de mais um caso da arbitragem com aquela invalidação do golo de João Tomás”.
Pinto da Costa disse mesmo que o observador do encontro era “incompetente, cego, ou agiu de má-fé”, considerando que deveria “ser banido para exemplo e para que o futebol não possa parecer que está viciado”.
VEIGA E A NOITE LUXEMBURGUESA
José Veiga, administrador da SAD do Benfica, não perdeu tempo a responder a Pinto da Costa. “O meu português é de 23 anos passados no Luxemburgo. Há quem vá lá menos vezes e tenha muito mais proveito. Sei que ele tem muitos cursos, a maior parte deles tirados à noite”, disse o dirigente do Benfica, acrescentando: “Fico satisfeito por saber que Pinto da Costa vê os jogos do Benfica, o que não fazia antigamente, mas a memória não deve estar no melhor porque esqueceu-se de um penálti sobre o Sokota. O Benfica na liderança incomoda. Não foi com este conselho de arbitragem e estes árbitros que o FC Porto ganhou tudo nos últimos anos? Com esta Liga e Federação, com estes conselheiros e raimundos? Quando a vida lhe corria bem não falava. Cada vez que falar do Benfica vou responder”, disse, citado pelo ‘Maisfutebol’.
JORGE COSTA E MANICHE, OS HOMENS DO SACRIFÍCIO
Víctor Fernández, no final do jogo de Guimarães – primeira e sofrida vitória na Superliga –, não se cansou de elogiar os seus jogadores, dizendo que houve até quem jogasse com sacrifício “e até com infiltrações”. Os casos mais difíceis eram os de Jorge Costa e Maniche, mas ambos quiseram jogar pela importância do encontro, apesar de estarem a pouco mais de três dias de um novo e decisivo jogo na Liga dos Campeões, apimentado por ser frente ao Chelsea de José Mourinho. Esse espírito de sacrifício de ambos, mas também de Derlei e Diego, impressionou o técnico pela vontade de vencer que a equipa demonstrava como um todo. Por isso disse também, no final do jogo – e pela segunda vez desde que está em Portugal –, que nunca tinha visto uma equipa que trabalhasse com o espírito desta. Aparentemente, os quatro empates que o FC Porto concedeu – incluindo o 0-0 com o CSKA na Liga dos Campeões – não tirou o sono ao homem de Saragoça. Para Londres, onde a equipa chegou ontem à tarde, Fernández manteve a convocatória de Guimarães e é muito capaz de manter a equipa – a dúvida é se Ricardo Costa se mantém a defesa-esquerdo, ou se regressa Areias –, embora tenha que olhar para o Chelsea com outros olhos. A equipa de José Mourinho marcou sete golos em sete jogos na Premier League e só sofreu um. No global, há vantagem de Ranieri na época passada, (19 pontos então, contra 17 agora) mas o italiano já tinha quatro anos de trabalho no clube e Mourinho começou há meses.
CHELSEA SEM ESTÁGIO
Como é de boa tradição nos clubes ingleses, não há estágios para os jogadores antes dos jogos em casa – normalmente encontram-se para almoçar no dia do jogo, se este é à noite, num dos magníficos hotéis da ‘Chelsea Village’, e descansam juntos até à hora do jogo. Já Arsène Wenger, quando chegou ao Arsenal, tentou impor os estágios, mas rapidamente se deixou dessas ideias porque os jogadores não se sentiam confortáveis. Mourinho faz o mesmo. O treinador português continua a ser um enormíssimo foco de atenção da imprensa, que se divide entre os que acham que a equipa é muito defensiva – comparando-a com o Arsenal de George Graham nos anos 90, que ganhou muitos troféus – e aqueles que percebem a organização que o técnico está a implantar. No sábado, no campo de uma das boas equipas inglesas – o Middlesborough – o Chelsea dominou, teve muitas oportunidades para marcar, mas só o fez já nos últimos minutos. “Há-de chegar um dia em que marcamos as oportunidades todas e ganhamos por quatro ou cinco a zero”, disse Mourinho no final. O que levou o colunista Jeff Powell, no ‘Daily Mail’ de ontem, a perguntar, num artigo cheio de veneno: “Então, quatro ou cinco oportunidades de golo por jogo é o mais que o senhor Abramovich pode esperar de todo o dinheiro que investiu…”.
MARCO FERREIRA
No avião para Londres, Pinto da Costa explicou que Marco Ferreira, emprestado pelo FC Porto ao Guimarães, alinhou no sábado porque o Vitória paga os seus salários por completo, daí não ter havido um acordo de não utilização.
CASA DO FC PORTO
A Casa do FC Porto de Londres levou ontem a efeito um jantar no Hotel Selfridges, para marcar a passagem do FC Porto pela capital inglesa. Pinto da Costa foi naturalmente um dos convidados mais especiais. À chegada ao aeroporto de Heathrow lá estava meia dúzia de adeptos portistas a receber a equipa.
CENTRO DE TREINOS
A grande notícia do Chelsea ontem era a de que já tinha obtido a permissão necessária das autoridades para construir um novo centro de treinos. De facto, desde que chegou a Stamford Bridge, Mourinho nunca deixou de criticar a falta de condições que encontrou para treinar o plantel mais caro do mundo (é mesmo mais galáctico que os galácticos, nesse aspecto).
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