"Dito jogou no Benfica (dois anos) e no FC Porto (uma época), mas o seu coração bate mais forte pelos arsenalistas, que representou durante oito temporadas. O actual técnico do Varzim entende que a conquista do título pelos minhotos seria uma lufada de ar fresco no futebol português"
Correio Sport – Jogo u no Sp. Braga, Benfica e FC Porto, os três concorrentes ao título. Como vê a intromissão dos minhotos nesta luta?
Dito – Para mim já não é surpresa, porque há três anos que o Sp. Braga se bate com os três grandes pela Liga. Há duas épocas, a luta foi com o Benfica, até ao fim. É salutar que assim seja, pois isso favorece o futebol português e é uma lufada de ar fresco.
– Como pode um clube com orçamento muito inferior (17 milhões de euros) – Benfica, 50 milhões; FC Porto, 95 milhões – entrar nesta luta?
– Tem a ver com a organização, algo que já foi reconhecido por todos. A estrutura funciona, o sucesso do clube não é obra do acaso. Nos últimos cinco ou seis anos, o Sp. Braga demonstrou muita regularidade e consistência. Ainda na época passada chegou à final da Liga Europa. O dinheiro não é tudo e disso é prova o Sp. Braga.
– Quem prefere ver campeão nacional?
– Representei os três clubes, mas fiz toda a minha formação em Braga. Foram oito anos. Não escondo que gostaria de ver o clube. O Gil Vicente é o meu clube do coração, porque Barcelos é a minha terra. Depois o Sp. Braga e o Benfica, onde joguei dois anos. O FC Porto é a minha 4ª opção. Estive lá uma época.
– Benfica e Sp. Braga defrontam-se hoje. Qual deles é o favorito?
– Há diversos factores que podem pesar no resultado e rendimento das duas equipas. O Braga reforçou a moral com a vitória (2-1) sobre a Académica. Joga para dois resultados, pois o empate também lhe serve. E o terceiro factor positivo é que os dirigentes retiraram a pressão do título dos ombros dos jogadores. O Benfica tem mais responsabilidades, pois o seu orçamento é sempre feito a pensar no título.
– Qual das equipas está em melhor momento de forma?
– Benfica, Sp. Braga e FC Porto têm valor idêntico. Nenhuma está a jogar mais que as outras.
– O Benfica vai sentir muito a falta de Pablo Aimar?
– É um jogador importante em termos ofensivos. Sem ele, Jesus terá de alterar a forma de jogar da equipa. Provavelmente, irá apostar em dois avançados, obrigando o Sp. Braga a ter maiores cuidados defensivos. O Braga nunca jogou com três centrais, pelo que Custódio terá de dar mais apoio aos centrais.
– A sucessão de jogos na Champions e na Liga pode ter acentuado a quebra do Benfica nos últimos jogos?
– Quebra acentuada não digo, mas o Benfica está em várias competições e isso pode ter gerado um pequeno desgaste. É normal que a produção da equipa baixe um pouco, pois nem há tempo para respirar. Depois, o factor psicológico também pesa, devido à necessidade de lutar pelas vitórias.
– E o outro candidato, FC Porto? Há quem diga que é a pior versão dos últimos anos.
– Provavelmente será, sobretudo se fizermos a comparação entre esta equipa e a do ano passado. Mas também há que ver que a carreira do FC Porto foi excepcional. Não será fácil de repetir. Uma coisa é certa, no seu melhor o FC Porto não está, de certeza absoluta.
– As queixas da arbitragem têm subido de tom. Os erros têm desvirtuado a verdade desportiva ou são desculpas?
– Os erros existem, é verdade, mas há também quem defenda que os grandes são muito mais favorecidos. Às vezes, são formas de pressão que escondem objectivos próprios. Não é de bom tom fazer este alarido todo à volta da arbitragem.
– Hugo Viana é preponderante no Sp. Braga. Acha que devia ir ao Europeu de 2012?
– Primeiro, gostava de dizer que respeito todas as opções de Paulo Bento. Contudo, acho que Hugo Viana devia ir à Selecção. Tem mostrado um nível exibicional constante, desde há dois anos. Não temos outro médio com estas características e seria muito útil. Mas esta é apenas a minha opinião pessoal.
– No Benfica existe um caso semelhante, talvez mais definido, com o Nélson Oliveira.
– Está muito perto de tornar-se o melhor avançado português da actualidade. Acredito que haverá espaço para ele na lista final de convocados para o Europeu.
– O Benfica defrontou o Chelsea (0-1, na Luz) sem um único português na equipa inicial. É preocupante ou é reflexo do actual futebol?
– Os tempos são mesmo assim, mas de certeza que há jogadores portugueses com capacidade para jogar no Benfica. Não deixa de ser irónico que numa jornada em que estiveram envolvidos dez jogadores lusos nos quartos--de-final da Liga dos Campeões, a única que não os tinha era a precisamente a equipa portuguesa em prova.
– Está satisfeito com a carreira do Varzim?
– Estamos muito bem. Lideramos a II Divisão, zona Norte, desde a 7ª jornada (55 pontos, mais oito do que o segundo, o D. Chaves). Temos jogadores de grande qualidade e muitos jovens, de 19 e 20 anos. No ano passado saíram alguns, inclusive para clubes da Liga e outros podem, certamente, seguir-lhes o exemplo. Não faltam talentos em Portugal.
PERFIL
Eduardo José Gomes Camessele Mendes (Dito) nasceu a 18 de Janeiro de 1962 (50 anos) em Barcelos e começou a dar nas vistas nas camadas jovens do Gil Vicente. Em 1976/77 transferiu-se para o Sporting de Braga, onde subiu aos seniores em 1978/79. Oito anos depois, na época de 1986/87, foi contratado pelo Benfica, onde formou dupla com Carlos Mozer. Depois disso, representou, sucessivamente, FC Porto, Vitória de Setúbal, Espinho, Torreense e Ovarense, onde pôs fim à carreira de jogador em 1996/97. Como treinador, orientou Esposende, Salgueiros, Arrifanense, Felgueiras, Chaves, Portimonense, Ribeirão, Moreirense e os juniores do Sp. Braga. Actualmente, é o técnico do Varzim, da 2.ª Divisão.
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