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Correio da Manhã

Desporto
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HEWITT CAI NOS OITAVOS

A oitava jornada do Open da Austrália amanheceu densa em Melbourne, com o céu coberto pelo fumo dos vários incêndios no estado de Victoria. À medida que o dia avançou, as temperaturas subiram até aos 37 graus e o número um mundial Lleyton Hewitt foi sacrificado na fogueira do ‘court’ central, impotente face ao extraordinário serviço do marroquino Younes El-Aynaoui.
21 de Janeiro de 2003 às 00:00
Com a sua estreia na competição júnior marcada para as 10 horas, Frederico Gil – o único português em acção competitiva no Open da Austrália – não sentiu a dureza do verão austral, mas teve de aceitar o veredicto de um duro sorteio que o colocou perante o cipriota Marko Baghdatis, primeiro cabeça-de-série da prova.
Face a tão cotado opositor, o jovem Frederico serviu bem e equilibrou a contenda até aos 5-5... mas depois uma bola na tela que ficou à mercê do opositor precipitou o 'break' e a perda da primeira partida, imediatamente seguida de nova cedência do saque no início do segundo ‘set’. Pouco depois o seu destino em singulares ficava traçado por 7-5 e 6-3.

"Ele tem um bom primeiro serviço, trabalha bem com a direita e falha poucas respostas, para além de se mexer bem", comentou Gil, acrescentando: "No segundo ‘set’ não respondi bem ao serviço". As aspirações de Frederico estão agora confinadas aos pares juniores, em parceria com o russo Sitak Artem, mas o português pode-se consolar por ter sido acompanhado na derrota em singulares por um nome célebre. Sergei Bubka Jr, filho do maior saltador à vara de todos os tempos, também se quedou pela primeira ronda... mas, aos 15 anos, já denota enorme potencial.

Logo a seguir ao almoço, a subida dos termómetros obrigou à adopção da 'Medida do Calor Extremo' (quando a temperatura passa dos 35 graus e a humidade atinge valores igualmente elevados). Durante algum tempo, nenhum encontro começou nos ‘courts’ exteriores e pensou-se em fechar o tecto amovível dos dois campos principais. Mas os índices baixaram e, perante a relutância de El-Aynaoui (queria calor...), o embate entre o marroquino e Hewitt arrancou ao ar livre.
El-Aynaoui, que ganhou o Maia Open em 91 e 97, inspirou-se no confronto da primeira ronda, em que Hewitt necessitou de cinco ‘sets’ para ultrapassar o sueco Magnus Larsson. "Vi o jogo da passada semana e o modo como o Larsson, que tem um estilo de jogo baseado no serviço e na direita como eu, actuou", confessou o marroquino. El-Aynaoui, actual 22.º do ranking, conseguiu a ‘bagatela’ de 33 ases (durante a época, dá 100 dólares por cada ás que faz à instituição de beneficência do rei Mohamed VI) e 24 direitas ganhantes. Foi demasiado poderoso, mesmo para a enorme capacidade de defesa e contra-ataque de Hewitt, e selou o apuramento pelos parciais 6-7, 7-6, 7-6 e 6-4 – defrontando nos quartos-de-final o americano Andy Roddick. O outro embate dos ‘quartos’ masculinos opõe o inesperado alemão Rainer Schuettler ao campeão do Estoril Open, David Nalbandian, que afastou o suíço Roger Federer (sexto do ranking) por 6-4, 3-6, 6-1, 1-6 e 6-3!

BANHOS NA FONTE DO HOTEL...

Na vertente feminina, a belga Clijsters vingou o desaire do seu namorado Hewitt e voltou a ser implacável (6-3 e 6-1 a Amanda Coetzer) no apuramento para os quartos-de-final, enquanto Serena Williams se qualificou naturalmente para um embate com a compatriota Shaughnessy. Mas outra americana, já eliminada, acabou por centrar as atenções dos últimos dias: Jennifer Capriati esteve na origem de alguns desacatos ocorridos na festa dos jogadores. Um amigo de um jogador argentino quis travar amizade com Jenny, que geralmente gosta muito de gozar tais festas, mas encontrou resistência por parte da sua 'entourage'. A situação acabou com alguns jogadores atirados para a fonte do hotel...
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