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JOGADORES CONTRA OLIVEIRA

O "núcleo duro" da selecção não quer a continuidade de António Oliveira como seleccionador e ameaça mesmo deixar a equipa nacional se a FPF mantiver o técnico.

18 de junho de 2002 às 01:45

Além de Figo, cuja desilusão com o que se passou na Coreia e a forma como os adeptos receberam os jogadores o levou a confessar a amigos que poderia abandonar mais cedo a sua carreira internacional ao serviço de Portugal, a intenção estende-se a outros futebolistas de renome: Rui Costa, Pauleta, Abel Xavier, Paulo Bento (as suas palavras após a eliminação já o deixavam entender) e Jorge Andrade, são alguns deles.

Este grupo terá mesmo falado com Madaíl dando-lhe a entender o seu desagrado em relação à falta de liderança e desorganização vividos na selecção durante o estágio e, posteriormente, em Seul. Figo terá, inclusive, apontado o exemplo de Beckham que, com uma lesão mais grave que a sua (fractura no pé) recuperou e jogou, enquanto ele se ia sentindo cada vez mais cansado. Oliveira é acusado de dirigir treinos "à antiga portuguesa" e de fazer tudo segundo as suas "crenças": não divulgar a equipa; dizer aos jogadores que iam ser titulares e depois deixá-los no banco; alterar constantemente horários de treinos, etc.

Isto sem falar das superstições que já todos lhe conhecem: alémd o conhecido episódio dos alhos, houve também sal espalhado nos balneários e ainda... as muletas. Se é verdade que, no jogo com a Polónia, o seleccionador tinha mesmo o pé torcido e foi aconselhado a seguir amparado, o facto de Portugal ter vencido facilmente esse jogo tê-lo-á levado, já sem necessidade, a voltar a usar as canadianas no encontro com a Coreia, tendo, aliás, chegado ao Porto já sem elas.

A outra superstição que os jogadores não perdoam é a da presença de Paulo Sousa entre os convocados, já que todos sabiam que muito dificilmente o "trinco" jogaria.

Tudo terá começado a ser comentado à viva voz depois da derrota frente aos EUA e da famosa palestra do dia seguinte em que se falou de tudo, menos do jogo. Oliveira terá começado por um "já sei que andam a falar nas minhas costas", frase à qual Rui Jorge terá pedido para o "mister" dar "nomes aos visados". Falou-se então, por uma hora, de... António Boronha. Tudo porque Oliveira não terá gostado de ser chamado à atenção pelo "vice" federativo em relação a algumas ausências, mesmo às refeições, oara para reflectir ou fazer pequenos passeios (com Silvino e Neca e deixando Caçador e Romão à margem).

Os jogadores dizem mesmo que, face à confusão táctica, eram eles quem, antes dos jogos, falavam entre si sobre a forma como se deviam colocar em campo, liderados por Figo, com quem todos se solidarizaram por, mesmo em más condições físicas, se ter sacrificado pela equipa.

E apontam o seleccionador como fonte da notícia sobre a questão dos prémios sem impostos, já que dizem que a reunião, informal, serviu apenas para clarificar e colocar em documento, aquilo que havia sido discutido em Lisboa. Porque havia dúvidas quanto à taxa a aplicar: se unicamente os 22% em vigor na Coreia, ou se, à chegada a Portugal, ainda haveria alguma verba para os cofres do Estado português.

Madaíl tem agora a batata "quente" nas mãos. Pode sair e deixar o problema do seleccionador por resolver. Ou demitir de imediato Oliveira, apesar das vozes de apoio ao técnico, entre elas a de Valentim Loureiro.

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