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José Dominguez, treinador da equipa B dos leões na época passada, acredita que fator casa e moralização da equipa leonina podem pesar na decisão do dérbi, mas destaca capacidade das águias e tece elogios a Jorge Jesus. Lembra ainda o prazer que lhe deu treinar Bruma
Correio Sport – Começa a época sem colocação, depois de na temporada passada ter conseguido o 4º lugar na II Liga pelo Sporting B. Como será o futuro?
Dominguez – Estou a concluir o IV Nível do Curso de Treinadores, uma ferramenta muito importante para mim. No início da época passada, por exemplo, fui convidado para me candidatar a treinador do Birmingham, mas não pude porque não tinha o IV nível. Agora, vou tê-lo.
– A 3ª jornada da Liga é dominado pelo Sporting-Benfica, dois clubes que representou. Como antevê o jogo?
– Creio que será um grande jogo, que por vir no início da época pode libertar ainda mais os jogadores para um encontro ofensivo, pois mesmo com um deslize ainda haverá tempo para qualquer das equipas recuperar.
– Quem é o favorito?
– O Sporting para mim é ligeiramente favorito, porque joga em casa, está muito moralizado, vem de vitórias folgadas e está a praticar um futebol que enche as medidas.
– Qual das equipas tem mais a perder neste jogo?
– As duas. Perder pode ser um golpe que faz abanar, no caso do Sporting porque tem uma equipa muito jovem, no do Benfica porque vem de uma época em que perdeu tudo nas últimas jornadas e esta temporada já perdeu um jogo.
– Jesus pode ter o lugar em perigo se o resultado do dérbi não for bom para o Benfica?
– Não creio. A meu ver, o balanço do trabalho de Jesus no Benfica é bastante positivo. Valorizou jogadores, tem estado perto dos títulos e tem montado equipas competitivas. Jesus tem feito crescer o Benfica e merece a confiança da direção.
– Individualmente, em quem aposta para resolver o dérbi de Alvalade?
- Do lado do Sporting há boas armas, desde logo o ponta de lança Montero, que está supermotivado, mas também os extremos Carrillo e Wilson Eduardo, muito rápidos, agressivos e criativos. Adrien tem boa meia distância e Maurício tem explorado bem situações de bolas paradas. No Benfica, Salvio, Gaitán, que define bem no último passe, e os pontas de lança.
– Orientou alguns dos jovens que estão agora a ser treinados por Leonardo Jardim, casos de Chaby e Ponde. O que se pode esperar deles?
– São jovens de valor, que têm de se manter focados. Acredito que o Sporting está com a melhor fornada de jovens dos últimos anos, com grande talento, mas também responsabilidade e sempre vontade de evoluir. Já na época passada houve Dier, Ilori, Bruma, João Mário e Esgaio.
– Com Bruma, o Sporting deveria assumir-se declaradamente candidato ao título?
– Bruma é um predestinado, um fora de série, mas é preferível o Sporting não se assumir para já como candidato. Isso vê-se no campo e jogo a jogo. Julgo que o Sporting pensará assim.
– Do que precisa Bruma nesta fase da carreira?
– Bruma precisa de bons conselhos, é um jovem que veio muito novo da Guiné, que não voltou a ver a mãe. É muito humilde, dócil, gosta de ouvir o que lhe dizem e só quer é voltar a jogar. Já falei com ele e foi o que me disse.
– Que conselho lhe daria?
– Para não se desfocar, porque isso sim seria perigoso.
– Como treinador, depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal seria capaz de perdoar Cardozo?
– Todas as atitudes no futebol são perdoáveis, mas no caso concreto de Cardozo, só se toda a estrutura o fizer. Quando digo toda a estrutura é dirigentes, treinador e jogadores. Se alguma destas partes não aceitar, torna--se muito difícil aceitar Cardozo, que teve uma reação que fragiliza um pouco o treinador. Mas como disse, no futebol tudo é possível: lembro-me de ter estado no Tottenham, um clube judaico que na altura idolatrava um alemão, o Klinsmann.
– Jogou vários dérbis. O que os torna tão especiais?
– Tudo, desde a envolvência à rivalidade e ao orgulho.
– Ganhar um dérbi compensa de alguma maneira uma época menos positiva de qualquer uma das equipas?
– Pode atenuar um pouco uma época menos conseguida.
– A última semana ficou marcada por alguma polémica em torno de um gesto de Luisão (mandou calar os adeptos) quando o Benfica fez o 2-1 ao Gil Vicente. É desculpável o que o capitão do Benfica fez?
– Sinceramente, não vi, mas claro que um capitão deve ser exemplo de serenidade, o que Luisão tem sido ao logo de dez anos de carreira. Momentos de frustração por vezes acontecem.
– O Sporting tem uma equipa menos experiente do que o Benfica, mas por outro lado tem o fator casa. São aspetos que contam num dérbi?
– Claro que são aspetos que contam. A meu ver, quem marcar primeiro tem excelentes condições para sair vencedor. As variáveis emocionais têm grande importância.
– Jogou no Brasil, palco do Mundial do próximo ano. Acredita que Portugal vai estar presente na competição?
– Sem dúvida. Confio no trabalho do Paulo Bento e nos jogadores nacionais.
– Portugal está muito dependente do rendimento e dos golos de Ronaldo?
– Nenhuma equipa deve estar muito dependente de um só jogador, porque isso fragiliza-a. Não creio que isso aconteça com Portugal, mas é inevitável centrar as atenções no Ronaldo, que é um jogador extraordinário.
– Caso Portugal se apure, o título é possível?
- Claro. Portugal tem dos melhores jogadores do Mundo, uma boa estrutura e tem condições para se bater com os melhores.
PERFIL
JOSÉ Manuel Martins DOMINGUEZ tem 39 anos – nasceu no dia 16 de fevereiro de 1974 em Lisboa. Treinador de futebol, teve antes uma carreira de relevo enquanto futebolista, tendo representado, entre outros, o Sporting, ao serviço do qual ganhou uma Supertaça, e o Benfica. Foi internacional português.
Como treinador, Dominguez tem uma carreira ainda curta (três temporadas), mas uma já na Liga, ao serviço da U. Leiria, onde os muitos salários em atraso lhe limitaram em muito o sucesso. No Sporting B foi bem sucedido.
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