Quatro anos depois, o Benfica voltou a vencer em Paços de Ferreira com dois golos saídos de livres marcados por Rui Costa para cabeceamentos de Cristian Rodriguez, repetindo o triunfo por 2-1 nos derradeiros minutos da semana passada e conseguindo reduzir pontos relativamente ao líder. Dois livres que deixam o Benfica respirar no 2.º posto, finalmente, aliviando um pouco da pressão mantida pela enorme vantagem alcançada pelo FC Porto nas primeiras oito jornadas.
Numa partida a exigir muito coração e espírito competitivo, o Benfica salvou o essencial, alcançando o terceiro triunfo consecutivo e acumulando rodagem para o importante jogo de terça-feira em Glasgow. Como é da tradição, sentiu imensas dificuldades na Mata Real, demorando mais de uma hora a impor o ritmo do jogo ou controlar as operações, por causa do espírito combativo dos jogadores locais, organizados num sistema muito apoiado, com as linhas muito próximas, de forma a não dar espaço nem tempo de controlo de bola aos lisboetas.
Com o primeiro golo aos 20 minutos, saído de um livre de Rui Costa para um cabeceamento imprevisível de Rodriguez, quando as atenções se concentravam em Cardozo e Luisão, o Benfica acomodou-se, eventualmente pensando que a concretização ajudaria a dirigir o jogo a partir daí.
O Paços não tardou a reagir, empurrando o Benfica e obrigando-o a ceder alguns cantos. Na marcação de um destes, o talento de Cristiano conduziu a bola a uma finalização frontal e imparável do jovem defesa Tiago Valente, a última descoberta de José Mota.
Na segunda parte, depois de Ricardinho e Renato Queirós terem desperdiçado oportunidades de marcar nos primeiros minutos, a equipa pacense recuou bastante e acabou por ser castigada em novo livre sobre o flanco esquerdo, muito bem executado por Rui Costa. Na última meia hora, com Nuno Gomes em campo, o Benfica exerceu domínio territorial, mas com dificuldade em penetrar na área e sem construir ocasiões, devido às dificuldades de manobra do paraguaio Cardozo. Só de bola parada e pela inspiração de Rodriguez foi possível chegar ao triunfo, num campo onde o Porto também já conquistara os três pontos.
POSITIVO: RODRIGUEZ, PERNAS E CABEÇA
Cristian Rodriguez correu mais do que qualquer outro, tendo sido o primeiro jogador do Benfica a perceber o que aquele campo e aquele adversário exigiam. E esteve nos dois golos, da forma mais inesperada, com cabeceamentos no meio da área.
NEGATIVO: LUÍS FILIPE EXASPERA
Com a via aberta à titularidade devido às lesões prolongadas de Nelson, Luís Filipe vive um estranho momento de instabilidade e falta de confiança, que se traduz num número anómalo de cruzamentos falhados, uns atrás dos outros, de forma exasperante.
ARBITRAGEM: TESOURINHO DEPRIMENTE
Horrível arbitragem, a gravar, para rever daqui a uns anos como “tesourinho deprimente”. Terminou com duas invenções: uma a proporcionar um quase--penálti ao Paços de Ferreira e logo de seguida outra a originar o golo da vitória benfiquista.
CAMACHO: "FOI UMA VITÓRIA SOFRIDA"
“Foi uma vitória importante e sofrida. Começámos muito bem, mas depois ficámos intranquilos. Temos de trabalhar mais para não ter problemas”, disse José Antonio Camacho, após a vitória (2-1) sobre o P. Ferreira. O técnico do Benfica não escondeu a satisfação por ter garantido o segundo lugar: “O importante é que ficámos seguros no segundo posto.” Enquanto Camacho recusou falar da crise na direcção encarnada, Rui Costa foi mais expansivo: “Não é bonito, mas a equipa tem pouco a ver com isso e tenta ficar fora dessa situação.”
Já José Mota mostrou-se descontente. “Merecíamos outro resultado. Criámos as melhores ocasiões”, afirmou o técnico, acrescentando: “No segundo golo do Benfica não existe falta.”
Local: Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira (5.000 espectadores)
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)
PAÇOS DE FERREIRA: Peçanha, Chico Silva, Tiago Valente, Rovérsio, Mangualde (Ferreira, 65m), Dedé, Filipe Anunciação (Wesley, 87m), Pedrinha, Renato Queirós (Furtado, 73m), Cristiano e Ricardinho. Treinador: José Mota.
BENFICA: Quim, Luís Filipe, Luisão, Katsouranis, Léo, Binya, Maxi Pereira (Nuno Gomes, 58m), Cristián Rodríguez, Rui Costa, Nuno Assis (Di María, 71m) e Cardozo (Freddy Adu, 83m). Treinador: José Antonio Camacho.
Marcador: 0-1, Cristian Rodríguez (20m); 1-1, Tiago Valente (29m); 1-2, Katsouranis (85m)
Acção disciplinar: Cartões amarelos – Renato Queirós (26m), Rovérsio (31 e 90 1m), Cardozo (31m), Maxi Pereira (33m), Filipe Anunciação (81m), Nuno Gomes (81m), Dedé (82m), Binya (83m); Cartão vermelho - Rovérsio (90 1m)
Melhor jogador: Cristian Rodríguez
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