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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mourinho atenuou supremacia do 'Barça' numa primeira passagem tensa por Madrid

Presidente Florentino Pérez, que agora recruta Mourinho ao Benfica para a segunda passagem por Madrid, deu "uma nota alta" aos três anos do treinador português, pelo "salto qualitativo" em relação à superioridade do FC Barcelona.

09 de junho de 2026 às 23:52

O treinador José Mourinho volta ao Real Madrid após uma primeira passagem, em que mitigou a afirmação do 'tiki-taka' do FC Barcelona ao conquistar três títulos, entre várias tensões com alguns dos principais futebolistas do balneário 'merengue'.

Após a 'glória' vivida na temporada 2009/10, fruto das conquistas da Liga dos Campeões, da Serie A italiana e da Taça de Itália pelo Inter Milão, o técnico apresentou-se no Estádio Santiago Bernabéu em 31 de maio de 2010, com 17 títulos no currículo, vincando que a atração pelo emblema 'blanco' provinha da "sua história", das "suas frustrações nos últimos anos" e das "suas expectativas de ganhar".

Na hora de suceder ao chileno Manuel Pellegrini, Mourinho assumiu um clube que vencera apenas uma Supertaça nas duas épocas anteriores, período em que o rival FC Barcelona conquistara sete títulos, entre os quais duas edições da Liga espanhola e uma Liga dos Campeões (2008/09), sob o comando de Pep Guardiola, técnico que impusera um estilo assente no passe curto e no domínio dos jogos pela posse de bola, o 'tiki-taka'.

No primeiro ciclo ao serviço do Real Madrid, o 'Special One' limitou a ascensão 'blaugrana' com a conquista de três cetros, entre os quais o campeonato de 2011/12, o único dos 'merengues' entre 2009 e 2016, e com o equilíbrio alcançado nos confrontos diretos com os catalães, expresso em cinco vitórias, seis empates e seis derrotas.

A mais pesada dessas derrotas aconteceu logo no primeiro clássico entre Mourinho e Guardiola, em 29 de novembro de 2010, com o 5-0 no Camp Nou a traduzir a supremacia dos movimentos de Messi, Xavi, Iniesta e David Villa perante um Real 'apagado', com os lusos Ricardo Carvalho, Pepe e Cristiano Ronaldo no 'onze'.

O técnico luso assumiu que a maior derrota da carreira até então foi "fácil de digerir", após um desafio entre "um produto acabado" e uma equipa com "muito trabalho pela frente", que permitiu aos catalães ultrapassarem o Real Madrid no topo da tabela, decorridas 13 jornadas na Liga espanhola, e lançarem-se de vez para o tricampeonato.

O primeiro êxito contra aquela que descreveu como "a melhor equipa do mundo", numa entrevista à Lusa no início da temporada, deu-se em 20 de abril de 2011, numa emotiva final da Taça do Rei, em Valência, decidida no prolongamento, num dos cabeceamentos onde sobressai a impulsão de 'CR7'.

Uma semana depois, o 'Special One' viveria novo dissabor perante os 'culés', com o desaire por 2-0 em pleno Bernabéu, para a primeira mão da semifinal da Liga dos Campeões, competição que o Real Madrid, recordista com 15 troféus, nunca venceu sob o comando de Mourinho, ao cair nas meias-finais nas três épocas.

Em mais um duelo entre os dois melhores jogadores do mundo de então -- Cristiano Ronaldo e Lionel Messi -, o argentino brilhou com dois golos tardios, já depois da expulsão de Pepe, aos 60 minutos, decisão de arbitragem questionada por 'Mou' no final do encontro.

O português esteve sempre exposto à controvérsia, sendo alvo de críticas dos adversários, como Gerard Piqué, defesa do 'Barça' que afirmou que Mourinho estava "a destroçar o futebol espanhol", após uma altercação com o adjunto 'blaugrana', o malogrado Tito Vilanova, num triunfo catalão por 3-2 em 17 de agosto, a garantir mais uma Supertaça aos 'culés'.

A relação com a imprensa também foi tensa, com o setubalense a queixar-se de uma "campanha" contra si no início da temporada 2011/12, que viria a ser a mais bem-sucedida em Madrid, face à vitória na Liga espanhola, com 100 pontos, recorde da competição.

Segura no 'miolo' por Khedira e Xabi Alonso, essa versão do Real Madrid dava liberdade a Ozil, Di María, Benzema e Cristiano Ronaldo para ataques 'explosivos' e sentenciou as dúvidas quanto ao título na visita a Camp Nou, em 21 de abril de 2012, com o triunfo 'merengue' (2-1), a fixar uma distância de sete pontos, a três jornadas do fim.

Mourinho começou a época seguinte com a vitória na Supertaça espanhola, perante o FC Barcelona de Tito Vilanova, o eleito para render Pep Guardiola, mas os oito pontos perdidos nas quatro primeiras jornadas da época 2012/13 arredaram cedo os 'blancos' da luta pelo bicampeonato.

A contestação ao português adensou-se, quer no balneário, quer na imprensa, com o diário desportivo Marca a escrever, em 23 de dezembro de 2012, que "Mourinho roça o ridículo", após a derrota com o Málaga, por 3-2.

O técnico luso rejeitou conflitos no balneário, após afastar Sergio Ramos da titularidade em setembro, mas, posteriormente, em maio de 2013, adiantou que Pepe não soube lidar com a chamada de Raphaël Varane para o substituir e que Cristiano Ronaldo "não aceitou muito bem" os seus conselhos a nível tático.

A final da Taça do Rei de Espanha de 2012/13, perdida para um Atlético de Madrid que se reerguia com Diego Simeone, antecedeu a confirmação da saída do treinador, em 20 de maio, após 128 vitórias, 28 empates e 22 derrotas em 178 jogos oficiais pelo 'gigante' espanhol.

Mourinho cumpriu o último jogo no Santiago Bernabéu em 01 de junho de 2013, um triunfo sobre o Osasuna (4-2), em que os assobios e os aplausos se misturaram nas bancadas, antes da oficialização do regresso ao Chelsea, dois dias depois, e da apresentação em Londres, em 10 de junho.

No rescaldo da saída de Mourinho, o presidente Florentino Pérez, que agora o recruta ao Benfica para a segunda passagem por Madrid, deu "uma nota alta" aos três anos do treinador português, pelo "salto qualitativo" em relação à superioridade do FC Barcelona.

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