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O jogo da reconciliação

Possível enchente da Luz confirmará recuperação operada por Paulo Bento em menos de um ano.<br/><br/>

04 de junho de 2011 às 00:00

O estádio da Luz deve registar hoje uma assistência das grandes noites para ajudar a selecção a colocar-se na melhor posição para o apuramento para o próximo Campeonato da Europa.

Espera-se que este jogo marque o reencontro desportivo da equipa nacional com os seus desígnios, depois da deriva perigosa que sofreu nas mãos de Carlos Queirós. Mas um resultado positivo com a Noruega também significará a reconciliação afectiva da equipa com o seu público, regressando às multidões e ao apoio entusiástico que se desenvolveu no consulado de Luís Felipe Scolari, aproveitando o conforto dos novos estádios.

Os números na base desta análise referem-se, aliás, aos jogos disputados nos estádios do Euro-2004, desde 2003, excluindo mais algumas partidas realizadas noutros recintos, mais pequenos em situações pontuais, como Viseu, Águeda, Barcelos, Setúbal, Ponta Delgada ou Covilhã.

Depois dos problemas com Carlos Queirós o índice de apoio à selecção desceu para baixo dos 50% da lotação dos estádios. Paulo Bento realizou quatro partidas em recintos do Euro, praticamente sempre abaixo da meia-casa, incluindo na passagem anterior pela Luz, para enfrentar (e golear) os campeões do Mundo perante apenas 35 mil pessoas.

Todo o crédito dos anos de Scolari, quando as bancadas registaram várias vezes a lotação esgotada, a Selecção parecia regressar aos tempos da indiferença, particularmente em jogos sem interesse competitivo. O público que Scolari arregimentara, em boa parte diferente do público habitual dos clubes, estava a ponto de virar costas à selecção, como se viu na partida inaugural desta campanha, o empate 4-4 com Chipre, em Guimarães, perante menos de dez mil pessoas.

Os resultados desencadeiam o entusiasmo e o próximo ano, com vários jogos oficiais e particulares antes do Euro-2012, depende do sucesso deste encontro com os noruegueses. Haverá reconciliação se houver vitória.

QUATRO DERROTAS EM OITO ANOS

Os estádios do Euro-2004 têm sido inspiradores para a selecção nacional, que só sofreu quatro derrotas ao longo destes oito anos de renovação do parque desportivo, duas delas em pleno Campeonato da Europa, ambas frente à Grécia, uma no Dragão, a outra na Luz. Antes disso, apenas o desaire com a Itália na Pedreira de Braga. Depois de 2004, só o incrível jogo com a Dinamarca, no estádio Alvalade XXI.

QUEIROZ BEM APOIADO

Carlos Queirós beneficiou do efeito Scolari, sobretudo nos jogos decisivos do apuramento com Malta (Guimarães) e Bósnia-Herzegovina (Luz), em que se aproximou da lotação esgotada. Mas a mobilização já estava a cair e atingiu o zénite após o Mundial, quando a abertura da nova fase de qualificação, frente a Chipre (com Agostinho Oliveira), registou uma das assistências mais baixas de sempre no estádio Afonso Henriques.

SCOLARI CRIOU A PAIXÃO

A explosão da paixão popular pela selecção foi um dos mais acabados trabalhos de Scolari em Portugal. Foi o primeiro seleccionador a conseguir superar a tradicional indiferença dos adeptos portugueses por jogos de carácter particular. Considerando apenas os jogos realizados nos dez estádios do Mundial, a selecção atingiu com Scolari a mais elevada percentagem de sempre, com ocupação de 85 por cento da lotação.

A LUZ COMO TALISMÃ

O estádio da Luz foi talismã dos apuramentos para os Europeus de 1984, 1996 e 2000 e para o Mundial de 2010, mas a maior assistência registou-se no Portugal-Eslováquia, de qualificação para o Mundial de 2006.

OITO JOGOS CINCO VITÓRIAS

Hoje a selecção joga na (nova) Luz pela nona vez, apresentando um registo de 5 vitórias, 2 empates e 1 derrota, com triunfos nas últimas três partidas ali realizadas.

DRAGÃO SEM CHAMA

O primeiro jogo da campanha de salvação de Paulo Bento, com a Dinamarca, foi realizado no Dragão, perante menos de 25 mil espectadores, uma das assistências mais baixas de sempre naquele recinto, o que não impediu a equipa de alcançar uma grande vitória. A descrença justificava a falta de chama, em contraste com o que se sente hoje, menos de um ano depois.

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