Aveiro é uma bela planície, com as pessoas bem instaladas na vida e que não estão para se chatear”. Esta é a célebre frase de Manuel Madaíl, outrora presidente da colectividade e actualmente a exercer as funções de presidente da AG.
Com efeito, o emblema aveirense desperta um misto de paixões. Para uma pequena minoria, o clube mais representativo do distrito é pertença dos ‘cagaréus’ de gema que chamam a si os pergaminhos de um passado glorioso e que não abdicam desse estatuto. Com o crescimento da cidade e a forte influência da universidade, esse preconceito foi-se esbatendo. A comunidade emigrante representa uma forte parcela dos seus apoiantes, sobretudo os “murtoseiros” radicados nos Estados Unidos, e de um modo geral todos os concelhos limítrofes da capital do distrito. A simpatia alastra-se agora às vilas e aldeias ao longo da IP 5, um fenómeno que está a conquistar os amantes do futebol. Isso deve-se ao esforço da modernização em estender os tentáculos ao interior, mas esse avanço tem sofrido recuos constantes. Os motivos são óbvios quando a equipa não ganha. Atingir a fasquia dos 10 mil sócios é um objectivo difícil de atingir. Em 2001 equacionou-se a hipótese de se constituir uma SAD mas os sócios vetaram esse propósito da direcção, que considerava na altura a única saída possível para angariar um mínimo de três milhões de contos para reduzir o passivo e projectar o futuro.
Durante seis anos consecutivos, o futebol profissional foi dirigido pelo armador Silva Vieira. Seguiu-se um período conturbado e regido por várias comissões administrativas até ao aparecimento do actual líder Mano Nunes. Nos últimos cinco anos, o clube passou a dar lucros, uma proeza na vida da colectividade que no entanto é contestada pela falta de investimentos.
NOVO ESTÁDIO
A transferência para o novo Municipal de Aveiro está a suscitar grande controvérsia. Dois protocolos assinados com a EMA (Empresa Municipal de Aveiro), que gere o recinto, têm levantado celeuma e a celeridade do processo esbarra com as dificuldades financeiras da edilidade, que assumiu o compromisso de construir campos de treinos onde se situam os parqueamentos destinados ao Euro. Até essas obras estarem concluídas, o Beira-Mar continua a utilizar as velhas instalações do Mário Duarte sob a pressão da Câmara Municipal em querer vender os terrenos para saldar as dívidas do novo estádio.
O braço-de-ferro já causou trocas de palavras azedas entre as duas instituições, com Alberto Souto dividido entre as duas partes. Um diálogo surdo com queixas do Beira-Mar a reclamar subsídios em atraso e a pôr em causa a honorabilidade do compromisso assumido pela Ema.
A gestão do novo estádio pode transformar-se num elefante branco, dado que a média de assistentes por jogo não ultrapassa as quatro mil pessoas. Ninguém sabe ao certo como será o “deve e haver” deste acordo, ainda que as receitas próprias para o futebol estejam salvaguardadas pelas receitas da televisão, patrocinadores e parcerias estabelecidas com a Stellar Group e a TBZ.
DO SONHO EUROPEUI AO DRAMA DA DESCIDA
O fim do ciclo António Sousa teve como objectivo estabilizar o clube na SuperLiga e espreitar a breve trecho uma competição europeia. Mano Nunes ameaça abandonar a presidência, caso a equipa não se classifique nas dez primeiras posições, tão certo estaria do sucesso da nova parceria estabelecida com a Stellar Group. Esta empresa aconselha o técnico Mick Watsworth que viria a ser coadjuvado por José Alberto Costa e o preparador físico Ricardo Guerra. Os hábitos são alterados radicalmente e assiste-se à maior miscelânea cultural, num total de 11 nacionalidades. O técnico inglês, referenciado no seu país como “o pior treinador do mundo”, estrutura a equipa ao estilo britânico e perspectiva-se algo de revolucionário em Aveiro. Os resultados até à quarta jornada nem foram maus, mas o seu feitio irascível e autoritário provocou-lhe o despedimento. Seguiu-se Manuel Cajuda, um treinador experiente que cedo se deparou com a herança de gerir conflitos. As boas intenções não chegaram e ao fim de dois meses e meio regista-se mais uma chicotada. Nelo Vingada é contactado mas as suas exigências ficaram muito aquém das capacidades financeiras do Clube. Mano Nunes dá então como certa a contratação da dupla formada por Jozef Chovanec e Mladenov. O fiasco aconteceu dois dias depois com o técnico checo a declinar o convite. Surge então a terceira escolha direccionada para Luís Campos. Com o estigma de ter descido duas equipas numa só época (Setúbal e Varzim) e depois de ter sido despedido do Gil Vicente, o novo técnico terá a espada apontada ao peito.
A oposição resultante da lista perdedora das últimas eleições pede a cabeça de Mano Nunes. Marques da Silva (ex-membro da Direcção) já anunciou publicamente a sua disponibilidade e exige eleições antecipadas, apontando António Sousa como seu treinador.
JUNINHO PETROLINA RECORDADO
Os sócios do Beira-Mar não entendem as razões da saída de Juninho Petrolina para o Belenenses. Dizem que a equipa perdeu o organizador de jogo e não houve qualquer preocupação em o substituir. Paul Murray seria a solução, mas a verdade é que o inglês está muito longe disso e por vontade de Cajuda seria um dos jogadores a dispensar em Dezembro. Se Petrolina era apontado como um foco de desestabilização no balneário, a verdade é que os problemas continuaram. As recentes rescisões com Zeman, Levato e Pablo Rodriguez ilibam em parte o brasileiro. Das contratações iniciais, McPhee e Paul Murray eram nomes sonantes e escolhas de Mick Wadsworth. Dois jogadores da segunda divisão inglesa que desconheciam por completo a realidade do futebol português. Depois, a contratação do uruguaio ‘Tanque’ Silva como solução para o ataque e que ficou muito aquém da classe revelada pelo holandês Clyde Wijnhard. O Beira-Mar deixou sair 14 elementos do plantel da época anterior e reforçou-se com jogadores, a maior parte deles, provenientes de escalões secundários. O internacional australiano Galekovic é excepção e não se percebe muito bem as opções para o lugar dos guarda-redes serem preenchidas por mais um estrangeiro (Srnicek) que nos últimos cinco anos só fez 20 jogos.
LEIS 'ESTÚPIDAS' NÃO PEGARAM
Manuel Cajuda é taxativo: “Perdi prestígio no Beira-Mar”. Pela primeira vez na sua carreira, o técnico algarvio não conseguiu impor a sua autoridade e acusa frontalmente a falta de apoio directivo. “Senti que Mano Nunes foi impotente, depois de ter dito que eu era intocável e que a limpeza do balneário seria a solução. Afinal de contas, quem saiu fui eu.” Várias situações irritaram Cajuda. Os boatos de comportamentos “indecorosos” de alguns jogadores mereceram da parte do ‘mister’ a repulsa e pior do que isso foi a passividade patenteada para investigar essas mesmas situações.
“Se os jogadores bebem e caem à ria é cultura própria britânica como me disseram, então acho que devem manter essa tradição. Como na Grã-Bretanha se conduz pela esquerda, devem-no fazer nas nossas auto-estradas”, ironiza Manuel Cajuda quando invocou a célebre frase “Em Portugal mandam os portugueses”. Cajuda exigiu que todos os jogadores residissem em Aveiro. Exigiu também que os lesionados chegassem 45 minutos antes da hora prevista dos treinos. “Foram leis estúpidas que impus. Até esta lei de obrigar um elemento do departamento médico a acompanhar os estágios. Por último a lei estúpida de não querer ver nenhum jogador com uma cerveja na mão em estágios”, acrescentou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.