É penoso para quem viveu o Vitória dos tempos áureos vê-lo nesta situação. O estado actual do clube é o culminar de gestões ruinosas que foram delapidando o património ao longo dos anos. Antes, o clube era respeitado e agora não o é. Quem lá está já demonstrou ser incapaz de arranjar soluções”. É desta forma que Octávio Machado, antigo futebolista do Vitória de Setúbal, analisa de forma preocupada o momento de crise que o clube atravessa.
Fiel à sua forma de estar, directa e frontal, o ‘palmelão’ não poupou críticas a Chumbita Nunes, presidente dos vitorianos, e à sua direcção, considerando mesmo que estes não têm mais condições para conseguir resolver a crise instalada no Bonfim e como tal devem sair.
“É necessário, de uma vez por todas, fazer alguma coisa para que os dirigentes actuais vejam que estão a mais”, adiantou o ex-técnico sadino, antes de voltar ao ataque com duras palavras: “O Vitória e a cidade de Setúbal merecem mais do que aquilo que têm. O pior desta situação é quando as pessoas não dão a cara. Esgotaram toda a capacidade para resolver este problema”, referiu Octávio Machado.
“CANSADOS DAS MENTIRAS”
O antigo internacional português lamenta que os jogadores tenham sido “obrigados” a tomar a medida do pré-aviso colectivo de rescisão dos respectivos contratos. Ainda assim, Octávio garante compreender esta tomada de posição drástica, anunciada em conferência de Imprensa, por parte do plantel setubalense.
“Os jogadores quiseram dizer com esta atitude que estão cansados de tanta mentira. No entanto, não acredito que os atletas vão deixar o Vitória. Eles querem é que quem lá está saia, porque já viram que estas pessoas não têm forma de resolver os problemas do clube”, afiançou.
Octávio Machado recordou ainda que em 1974, enquanto jogador do Vitória de Setúbal, passou com os seus colegas de equipa por uma situação muito semelhante à que se vive actualmente no Bonfim. Na altura, tal como agora, foram necessárias medidas drásticas para que os atletas recebessem.
“Xavier de Lima era o presidente e nós estávamos há três meses sem receber. Quiseram-nos impor um regulamento de que não podíamos sair de Setúbal nem dar entrevistas. Pedroto era o treinador e deixou o clube em protesto com a situação. Um dia depois da saída apareceu o dinheiro”, lembrou.
TÉCNICO DIZ QUE SITUAÇÃO É "INSUSTENTÁVEL"
A caminho dos três meses de salários em atraso, a crise cresce no Vitória. A medida enérgica (e inédita) tomada anteontem pelos jogadores e pelo Sindicato – pré-aviso colectivo de rescisão de contratos – terá de ter uma resposta até quinta-feira sob pena do futuro do clube ficar irremediavelmente hipotecado. Norton de Matos, técnico sadino, confessa que a situação actual é “insustentável” e que não sabe até onde aguentará.
“Se esta questão não se resolver, vamos pagar muito em breve uma factura elevada. É insustentável e o desalento é total”, alertou o treinador em véspera de defrontar o Guimarães. Por sua vez, o capitão Marco Tábuas reafirmou que o cenário de greve nunca esteve em mente. “Já disse que não é isso que pretendemos fazer. Esta é a nossa vida e temos de treinar e jogar para manter a nossa forma. O que mais preocupa os jogadores é o facto de se estar no início do campeonato e já haver este problema”.
O bom arranque dos sadinos na Liga deverá cativar a atenção de vários clubes que poderão reforçar-se durante a reabertura do mercado no Bonfim, caso a rescisão se concretize. Apesar de constantemente criticado pelos atletas, que o acusam de “não dar a cara e faltar à verdade”, Chumbita Nunes continua a não querer comentar o caso.
INICIATIVA REÚNE SÓCIOS NO BONFIM
Um grupo de adeptos sadinos organizou uma iniciativa para levar hoje mais pessoas ao estádio do Bonfim. “O Vitória precisa de ti” é a lema desta campanha que pretende também angariar fundos para o clube setubalense.
HEITOR É A ÚNICA BAIXA NA EQUIPA
A única baixa na equipa de Norton de Matos para o encontro desta tarde com o Vitória de Guimarães (19h00) é o avançado Heitor, devido a lesão. O jogador continua a recuperar de uma mazela no joelho direito.
ASSEMBLEIA GERAL NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA
Na próxima sexta-feira, pelas 20h30, no Fórum Municipal Luísa Todi, tem lugar uma Assembleia Geral extraordinária do clube. A reunião magna tem apenas um ponto único de discussão: “Informação aos sócios e análise da actual situação do clube”.
"ESTOU TRISTE E PREOCUPADO" (Mourinho Félix, Ex-técnico e jogador sadino)
“Estou triste e preocupado. O Vitória já teve muitas crises e sempre conseguiu sair delas. Norton de Matos e os jogadores têm demonstrado muita categoria. Estou convencido de que tudo se vai resolver”.
"REGIÃO TEM DE SE UNIR" (José Couceiro, Ex-técnico sadino)
“Conheço a realidade do clube e tenho lá muitos amigos. Penso que há possibilidades de ultrapassar as dificuldades, mas é preciso que a região se una para resolver este problema.”
"HÁ QUE ANDAR PARA A FRENTE" (Hélio, Treinador-Adjunto do Vitória)
“Todos os vitorianos estão preocupados com a situação do clube. Já passámos momentos muito complicados, mas o Vitória precisa de andar para a frente. Acredito que isso vá acontecer”.
"CONJUNTO DE ESFORÇOS" (Sousa Marques, Presidente A. F. Setúbal)
“Tem de se congregar um conjunto de esforços que permita uma solução que não seja apenas imediata. Não acredito que vá acontecer ao Vitória o mesmo que ao Farense ou Salgueiros”.
"DIFICULDADES ESTRANHAS" (Acácio Correia, candidato à presidência nas últimas eleições)
“É estranho que tendo os ordenados mais baixos, a direcção esteja com dificuldades. É pena que um clube histórico tenha estes problemas. Assim é mais difícil conseguir apoios dos investidores”.
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