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Teste deixa Sousa optimista

Em tempo recorde, Carlos Sousa conseguiu pôr de pé um projecto pessoal para não falhar, pelo segundo ano consecutivo, aquela que será a sua nona participação no Dacar.

18 de dezembro de 2004 às 00:00

O primeiro contacto de Carlos Sousa com a Nissan Pick-Up aconteceu somente agora, numa pista dos arredores de Paris, a poucos dias do início da edição 2005 do mítico Dacar, que tem partida marcada para o próximo dia 1 de Janeiro, na cidade espanhola de Barcelona. Um ensaio que foi bastante curto, logo a seguir à apresentação oficial de todas as equipas que integram o Team Dessoude, numa cerimónia realizada em Saint Lô, na bretanha francesa, e que serviu basicamente para o piloto português conhecer a sua nova máquina.

O teste a sério, destinado à afinação da Nissan Pick-Up e à preparação de toda a operação para este Dacar, vai decorrer este fim-de-semana, na mesma pista dos arredores de Paris, juntamente com o belga Grégoire de Mevius e o japonês Kenjiro Shinozuka, os outros dois pilotos de ponta do Team Dessoude para esta edição da prova africana, que terminará a 16 de Janeiro na capital do Senegal.

Apesar de na altura a Nissan Pick Up ainda não estar nas condições ideais, com o motor a funcionar a praticamente metade da sua capacidade (‘cortava’ na casa das 4000 r.p.m.), devido a problemas de electrónica, mesmo assim Carlos Sousa considerou que o contacto foi muito positivo.

“Depois de ter estado durante vários anos a conduzir um carro totalmente diferente, mudar cria-nos sempre alguma expectativa ou alguns receios”, referiu o piloto português, que não deixou de salientar o facto de ter estado durante vários anos a conduzir um carro totalmente diferente e isso cria alguma expectativa e até alguns receios em mudar.

Desta vez, Carlos Sousa não muda apenas de marca, trocando também de navegador, igualmente francês. Chama Thierry Delli-Zotti e no seu currículo conta com quase uma vintena de participações no Dacar, tendo-o feito no desempenho de várias tarefas. Já participou como piloto, por bastantes vezes, como mecânico e nos últimos anos como navegador.

Mecânico de profissão, Thierry Delli-Zotti regressa cinco anos depois ao Team Dessoude e pela mão de Carlos Sousa, estando também ele optimista em relação a esta sua presença no Dacar ao lado do piloto português. “A presença de Carlos [Sousa] é um bom presente. Aprecio-o como piloto, mas também como pessoa e forma como aborda a competição”.

Carlos Sousa, por seu lado, considera que Thierry Delli-Zotti é um navegador com muita experiência que em nada fica atrás dos que teve no passado, como por exemplo Henri Magne, que considera “um grande campeão”.

Na cerimónia de apresentação do Team Dessoude, Carlos Sousa viu serem-lhe enaltecidas as suas qualidades como piloto e o palmarés que apresenta, tendo o ‘patrão’ da equipa, o francês André Dessoude, manifestado o seu agrado por poder contar com o piloto de Almada na sua formação para o Dacar deste ano, sublinhando a propósito: “estou muito satisfeito com a chegada do Carlos [Sousa], que como o Grégoire [de Mevius] é, antes de tudo, um senhor e um grande desportista”.

"PIOR CENÁRIO SERIA NÃO PARTICIPAR"

Carlos Sousa, Piloto da Nissan, está de volta ao Dacar, depois de no ano passado ter ficado de fora por opção da sua equipa de então.

Correio da Manhã – Isto é um retrocesso na carreira?

Carlos Sousa – Não acho. Grandes campeões estiveram em marcas em que ganhavam, mudaram para outras e continuaram a ser excelentes pilotos e a conseguir vitórias. Para mim, esta é uma época de transição, um momento de transição na minha carreira. Tivemos muito pouco tempo para preparar este projecto – só estamos presentes devido à muita vontade e à grande ajuda da Galp e da TMN, os patrocinadores que me acompanham desde sempre – e penso que esse é que é o factor-chave de tudo isto, porque eu, ao não participar neste Dacar, possivelmente hipotecava toda a minha carreira como piloto. Não interessa que seja em melhores ou piores condições, só sei que as possíveis de encontrar em tão curto espaço de tempo. Honestamente, penso que são as condições que me vão permitir ter uma ter uma presença honrosa. Ou seja, não participar é que seria o pior dos cenários. Ao estar com outra equipa, eu não acho de todo que seja o pior cenário. Esta é a vontade dos patrocinadores, de ir a este Dacar.

– A ligação à Nissan é para continuar?

– Fui muito bem recebido pela ‘família’ Nissan, em França; falei com os responsáveis máximos e eles mostraram uma abertura muito grande para trabalharmos juntos no futuro. Penso que este será o primeiro toque para o que aí vem. Será o ponto de partida para o que aí vem. Só tenho de corresponder ao projecto que possuo. Para já, o nós fazermos da tal equipa B tem um sabor muito especial, que é o de todos os lugares que conseguirmos conquistar às equipas oficiais estarmos a marcar a nossa presença.

– Expectativas para este Dacar?

– Esta oportunidade foi-me dada, foi-me dada a hipótese de participar no ‘Dacar’ e penso que a um nível bastante razoável. Nós podemos pensar que fui da primeira para a segunda divisão, mas eu não encaro que tenha sido esse o passo. Penso é que fizemos uma passagem para outra margem, uma passagem para outra equipa e, se calhar, essa equipa vai-me permitir o que eu nunca consegui no passado. As minhas expectativas para este Dacar são as de conseguir o melhor lugar possível em termos de classificação geral.

– Parte em desvantagem para este ‘Dacar’?

– Nós vamos com algum atraso relativamente aos outros dois pilotos, mesmo dentro da minha própria equipa, pois já estão muito mais familiarizados, porque já disputaram provas, fizeram testes, etc., que é o correcto para um Dacar. Eles fizeram tudo o que é correcto antes do Dacar. O problema, em relação a mim, foi que este ano tivemos as provas que tivemos, nunca fomos convidados para quaisquer testes e isso é, sem dúvida, em ‘handicap’ que espero seja muito curto. Muito sinceramente, espero que nunca seja esse o motivo de qualquer desculpa da minha parte ou coisa assim. Penso que à terceira ou quarta etapa já estarei ao nível deles.

CARLOS SOUSA - PERFIL

Nascido a 16 de Janeiro de 1966, em Almada, casado e com um filho, Carlos Sousa junta-se à Nissan depois de uma brilhante carreira com a Mitsubishi. Integrado pela primeira vez no Team Dessoude, o piloto português vai participar no Dacar ao volante de uma Nissan Pick-Up, versão de 2003. Também pela primeira vez terá como navegador o francês Thierry Delli-Zotti, que tem uma larga experiência neste tipo de prova.

THIERRY DELLI-ZOTTI - PERFIL

Francês, nascido a 5 de Fevereiro de 1964, casado e com dois filhos, Thierry Delli-Zotti é um profundo conhecedor das pistas africanas, contando no seu currículo com nada menos do que dezoito participações no Paris-Dacar, seis delas como piloto, ao volante de um Mitsubishi Pajero. Como navegador, acompanhou o espanhol José Maria Servia, o francês Bruno Saby e o japonês Kenjiro Shinozuka.

CARACTERÍSTICAS DA NISSAN PICK-UP

Com 4,88 m de comprimento e 2,95 m de distância entre-eixos, a Nissan Pick-Up de Carlos Sousa está equipada com um motor a gasolina de 3,5 litros, que debita 280 cv às 5000 r.p.m., e caixa manual sequencial de seis velocidades. Dispõe de um depósito com capacidade para 500 litros de gasolina, utiliza pneus BF Goodrich e a sua velocidade de ponta é da ordem dos 185 km/hora.

COM O Nº 315

Nesta edição do Dacar, a Carlos Sousa foi atribuído o n.º 315, sendo ele que tem a numeração mais baixa de todos os pilotos que integram o Team Dessoude.

DOIS CHINESES

Integrados no Team Dessoude, dois pilotos chineses vão fazer a sua estreia nesta edição do Dacar, ao volante de Nissan Paladin (produzida na China), mas qualquer deles só fala a sua língua materna e os navegadores são franceses, que não sabem nada de chinês.

CINCO NAÇÕES

O Team Dessoude não podia ser mais internacional, com cinco nacionalidades entre os pilotos da suas dez equipas: Portugal, Japão, Bélgica, França e China.

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