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Vieira ouvido no caso Mantorras

Depois de no final do ano passado ter sido constituído arguido no caso Pedro Mantorras, o angolano que na época 2000/2001 se transferiu do Alverca para o Benfica, Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, voltou a ser ouvido no Ministério Público (9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal, de Lisboa) no processo onde é suspeito de fraude fiscal. O pedido de inquirição foi feito pelo próprio dirigente que tentou assim evitar o previsível arquivamento do caso por falta de provas.

03 de maio de 2007 às 00:00

O CM sabe que a intenção de Luís Filipe Vieira foi evitar que o despacho do DIAP deixasse dúvidas sobre o seu comportamento. Dúvidas essas que, numa altura em que Luís Filipe Vieira faz do esclarecimento do ‘Apito Dourado’ uma bandeira contra a corrupção, lhe poderiam ser muito prejudiciais.

Ainda segundo apurou o CM, o processo encontra-se neste momento concluído e já não voltará à PJ. E os esclarecimentos posteriores de Vieira também pouco ou nada acrescentaram a uma investigação cujo relatório final da Judiciária já defendia o arquivamento das acusações contra Vieira no caso Mantorras. Não porque tivesse ficado claro que não se apoderou de parte da verba da transferência, mas sim por falta de provas que confirmassem a denúncia inicial de desvio de dinheiro.

EMPRESÁRIOS ENVOLVIDOS

A acusação deverá ser brevemente conhecida. E tudo indica que o MP siga as indicações da PJ e acuse o empresário Jorge Manuel Mendes pelos crimes de fraude fiscal e/ou abuso de confiança e burla. Paulo Barbosa, outro dos empresários ouvido como arguido durante o inquérito, deverá ver as suspeitas contra si serem arquivadas.

Em causa está o alegado desvio de uma parte significativa do dinheiro que devia ter entrado nos cofres do Alverca. Foram cinco milhões de euros que, em 2000, terão sido pagos pelo Benfica e que consubstanciavam 50 por cento do passe do futebolista. As autoridades acreditam porém que depois de entrar nas contas do Alverca, uma fatia substancial da verba não ficou no clube. E relacionam esse facto com um depósito em dinheiro feito na conta do referido empresário.

O CM falou com João Correia, advogado de Filipe Vieira, que confirmou a inquirição no DIAP. Garantiu que o dirigente está de consciência tranquila, aguardando o total esclarecimento do processo.

INTERROGATÓRIO ADIADO

A investigação deste caso arrasta-se há mais de cinco anos. Mas no Verão do ano passado, quando a Polícia Judiciária se preparava para interrogar Luís Filipe Vieira, uma fuga de informação complicou todo o processo. A notícia de que o presidente do Benfica poderia ser constituído arguido levou as autoridades a atrasar a sua inquirição que só aconteceu em meados de Novembro. Menos de dois meses depois, a PJ concluiu o processo e enviou-o para o DIAP.

Luís Filipe Vieira e Jorge Manuel Mendes eram sócios da empresa que foi responsável pela transferência do jogador, do Zambizanga (Angola) para o Alverca. O clube ribatejano pagou na altura um milhão de euros por 50 por cento do passe do atleta, mas Vieira garante que quando se deu a transferência para o Benfica já havia cedido a sua posição à SAD do Alverca. O clube da Luz comprou depois os direitos desportivos do jogador por cinco milhões de euros.

Durante a transferência de Pedro Mantorras para a Luz, Luís Filipe Vieira teve uma dupla qualidade.

Surgiu inicialmente como vendedor, enquanto presidente do Alverca, e depois como comprador, quando tomou posse como gestor do futebol do clube da Luz.

As autoridades investigavam também a quem efectivamente pertencia os restantes 50 por cento do passe do atleta, já que alguns documentos juntos ao processo davam conta de que Luís Filipe Vieira seria, ele próprio, o detentor dos direitos desportivos do jogador. Vieira já o veio negar publicamente, mas para as autoridades os elementos que juntou ao processo não serão absolutamente esclarecedores.

18 milhões de euros foi a quantia que Luís Filipe Vieira garantiu que valeria o passe de Pedro Mantorras. Sucessivas lesões do atleta ‘diminuíram’ o seu valor no mercado.

1,5 milhões de euros terão saído dos cofres do Alverca, em notas, havendo idênticos depósitos na conta do empresário. PJ suspeita de burla.

ARGUIDO

Luís Filipe Vieira foi constituído arguido a 17 de Novembro. O caso só foi conhecido três semanas depois e em Janeiro foi proposto o arquivamento do caso.

ATRASOS

O processo começou a ser investigado pela Polícia Judiciária em 2002. Cinco anos depois, o inquérito ainda não está concluído.

FRAUDE FISCAL

Além dos indícios de burla, as autoridades acreditam que nem todas as verbas envolvidas no negócio foram declaradas ao Fisco.

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