Depois de no final do ano passado ter sido constituído arguido no caso Pedro Mantorras, o angolano que na época 2000/2001 se transferiu do Alverca para o Benfica, Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, voltou a ser ouvido no Ministério Público (9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal, de Lisboa) no processo onde é suspeito de fraude fiscal. O pedido de inquirição foi feito pelo próprio dirigente que tentou assim evitar o previsível arquivamento do caso por falta de provas.
O CM sabe que a intenção de Luís Filipe Vieira foi evitar que o despacho do DIAP deixasse dúvidas sobre o seu comportamento. Dúvidas essas que, numa altura em que Luís Filipe Vieira faz do esclarecimento do ‘Apito Dourado’ uma bandeira contra a corrupção, lhe poderiam ser muito prejudiciais.
Ainda segundo apurou o CM, o processo encontra-se neste momento concluído e já não voltará à PJ. E os esclarecimentos posteriores de Vieira também pouco ou nada acrescentaram a uma investigação cujo relatório final da Judiciária já defendia o arquivamento das acusações contra Vieira no caso Mantorras. Não porque tivesse ficado claro que não se apoderou de parte da verba da transferência, mas sim por falta de provas que confirmassem a denúncia inicial de desvio de dinheiro.
EMPRESÁRIOS ENVOLVIDOS
A acusação deverá ser brevemente conhecida. E tudo indica que o MP siga as indicações da PJ e acuse o empresário Jorge Manuel Mendes pelos crimes de fraude fiscal e/ou abuso de confiança e burla. Paulo Barbosa, outro dos empresários ouvido como arguido durante o inquérito, deverá ver as suspeitas contra si serem arquivadas.
Em causa está o alegado desvio de uma parte significativa do dinheiro que devia ter entrado nos cofres do Alverca. Foram cinco milhões de euros que, em 2000, terão sido pagos pelo Benfica e que consubstanciavam 50 por cento do passe do futebolista. As autoridades acreditam porém que depois de entrar nas contas do Alverca, uma fatia substancial da verba não ficou no clube. E relacionam esse facto com um depósito em dinheiro feito na conta do referido empresário.
O CM falou com João Correia, advogado de Filipe Vieira, que confirmou a inquirição no DIAP. Garantiu que o dirigente está de consciência tranquila, aguardando o total esclarecimento do processo.
INTERROGATÓRIO ADIADO
A investigação deste caso arrasta-se há mais de cinco anos. Mas no Verão do ano passado, quando a Polícia Judiciária se preparava para interrogar Luís Filipe Vieira, uma fuga de informação complicou todo o processo. A notícia de que o presidente do Benfica poderia ser constituído arguido levou as autoridades a atrasar a sua inquirição que só aconteceu em meados de Novembro. Menos de dois meses depois, a PJ concluiu o processo e enviou-o para o DIAP.
Luís Filipe Vieira e Jorge Manuel Mendes eram sócios da empresa que foi responsável pela transferência do jogador, do Zambizanga (Angola) para o Alverca. O clube ribatejano pagou na altura um milhão de euros por 50 por cento do passe do atleta, mas Vieira garante que quando se deu a transferência para o Benfica já havia cedido a sua posição à SAD do Alverca. O clube da Luz comprou depois os direitos desportivos do jogador por cinco milhões de euros.
Durante a transferência de Pedro Mantorras para a Luz, Luís Filipe Vieira teve uma dupla qualidade.
Surgiu inicialmente como vendedor, enquanto presidente do Alverca, e depois como comprador, quando tomou posse como gestor do futebol do clube da Luz.
As autoridades investigavam também a quem efectivamente pertencia os restantes 50 por cento do passe do atleta, já que alguns documentos juntos ao processo davam conta de que Luís Filipe Vieira seria, ele próprio, o detentor dos direitos desportivos do jogador. Vieira já o veio negar publicamente, mas para as autoridades os elementos que juntou ao processo não serão absolutamente esclarecedores.
18 milhões de euros foi a quantia que Luís Filipe Vieira garantiu que valeria o passe de Pedro Mantorras. Sucessivas lesões do atleta ‘diminuíram’ o seu valor no mercado.
1,5 milhões de euros terão saído dos cofres do Alverca, em notas, havendo idênticos depósitos na conta do empresário. PJ suspeita de burla.
ARGUIDO
Luís Filipe Vieira foi constituído arguido a 17 de Novembro. O caso só foi conhecido três semanas depois e em Janeiro foi proposto o arquivamento do caso.
ATRASOS
O processo começou a ser investigado pela Polícia Judiciária em 2002. Cinco anos depois, o inquérito ainda não está concluído.
FRAUDE FISCAL
Além dos indícios de burla, as autoridades acreditam que nem todas as verbas envolvidas no negócio foram declaradas ao Fisco.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.