Águia mais perto do líder
Jonas e Rúben Dias foram os autores dos tentos que ditaram o triunfo sobre o Aves.
Dois golos em três minutos permitiram ontem ao Benfica derrotar o Desp. Aves (2-0) e lançar-se na perseguição ao líder FC Porto, que só hoje defronta o P. Ferreira.
A equipa de Rui Vitória, que alinhou com João Carvalho no lugar do castigado Pizzi, controlou sempre o jogo. Com uma posse de bola de 70%, os encarnados estiveram sempre por cima e só pecaram na finalização. José Mota gizou um plano para sair com pontos da Luz. Muito forte defensivamente, com o guarda-redes Facchini e o central Felipe a adiarem as pretensões do Benfica. Rafa era a gazua que tentava abrir a defesa fechada e solidária do Aves com cruzamentos perigosos e dois lances na cara do golo. Mas o último reduto dos forasteiros aguentava-se como podia.
Na etapa complementar, continuavam a suceder-se os lances de perigo, mas as bolas ou morriam nas mãos de Facchini ou não acertavam na baliza. O andar do cronómetro favorecia os avenses, pois aumentava a pressão e a necessidade do Benfica de marcar.
Mas quem tem Jonas, tem golo. E foi mais uma vez o brasileiro a desatar um nó que estava a ficar complicado (72’). Rafa arrancou e cruzou atrasado para Fejsa, que atirou uma bomba. Facchini travou o remate, mas não segurou a bola que sobrou para Cervi e este assistiu Jonas no 1-0. Simples e eficaz. A muralha avense ruiu. E três minutos volvidos, Rúben Dias estabeleceu o resultado final. Também foi numa recarga a uma defesa incompleta de Facchini a um remate de Jiménez. Os três pontos deixam o Benfica a apenas dois da liderança, mas os dragões jogam hoje.
"Nunca manchei a honra do clube"
"Nunca, tanto eu como a minha direção, manchámos a honra do Benfica", disse ontem Luís Filipe Vieira na primeira reação aos últimos casos da Justiça que envolvem Paulo Gonçalves, assessor jurídico das águias. Visivelmente incomodado e com um discurso inflamado, o líder das águias reconheceu que o clube tem sido vítima de um "ataque sem precedentes". "Violaram o nosso espaço, violaram anos de trabalho de uma empresa com dimensão mundial e até hoje nada sabemos", apontando aos rivais. "Não nos conseguem derrotar pela competência que toda a estrutura tem e o que quiseram fazer foi manchar o nosso nome. Éramos uma referência no futebol e hoje temos a nossa marca manchada."
Numa sala onde estavam presentes Domingos Soares de Oliveira, Rui Costa e Rui Vitória, o líder das águias prometeu "levar tudo até às últimas consequências". "Acreditamos na Justiça mas na clubite não. Não posso pensar que na Justiça possa haver política. Quem nos fez mal, está bem identificado e exigimos tratamento igual. Vão a casa de quem têm de ir", lamentando que o clube não tenha tido "aquilo que o comum cidadão tem, que é o direito ao sigilo". Luís Filipe Vieira anunciou a criação de um gabinete de crise e deixou um novo aviso: "Acabou a paródia que tem sido instalada à conta do Benfica!"
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Análise do jogo
Positivo: Jonas ‘à Eusébio’
O brasileiro Jonas é o abono de família deste Benfica. Marcou o seu 31º golo em 26 jogos na Liga. Ontem superou a marca de Eusébio, ao marcar em 22 jornadas do mesmo campeonato. Um caso sério e um trunfo para o pentacampeonato.
Negativo: Faltam ’ jogatanas’
João Carvalho foi a surpresa no onze do Benfica. Assumiu o lugar do castigado Pizzi, mas como tinha dito Rui Vitória na conferência de imprensa, não basta uma boa jogatana para fazer um craque. João Carvalho tem muito trabalho pela frente.
Arbitragem: Arbitragem segura
Rui Costa teve uma arbitragem segura e sem casos. Bem nos fora de jogo e no capítulo disciplinar. Mesmo nas entradas mais duras ajuizou bem. Bem auxiliado nos foras de jogo. Uma arbitragem onde nem foi preciso o recurso ao vídeo-árbitro.
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Análise dos jogadores
Rafa - Foi sempre o mais inconformado e criativo do Benfica. Está num bom momento e foi desequilibrador. Tem classe, mas falta-lhe golo.
Bruno Varela – Exibição segura, mesmo num lance de atrapalhação geral na área. Cumpriu.
André Almeida – Não teve tantas arrancadas e cruzamentos como o habitual. Tem um remate com perigo à malha lateral.
Rúben Dias – Continua muito faltoso. Forte a defender, acabou por coroar a exibição com o segundo golo, numa recarga a um remate de Raúl Jiménez.
Jardel – Domina o jogo aéreo, mas teve alguns passes errados comprometedores.
Grimaldo – Não foi o desequilibrador que a equipa precisava no ataque, mas cumpriu a defender.
Fejsa – Deu consistência ao meio-campo com muitas recuperações de bola. Trabalhou por ele e pelo jovem João Carvalho. Tentou a longa distância com perigo.
João Carvalho – Falta de tarimba e rotinas. Desperdiçou uma boa ocasião de golo com um remate por cima. Longe de substituir Pizzi.
Zivkovic – Trabalhador, criou desequilíbrios e até ajudou a defender. Está cada vez mais consistente.
Cervi – Sempre em alta rotação. Empenho total. Boas arrancadas e cruzamentos. Foi ele quem assistiu Jonas no primeiro golo da partida.
Jonas – Mesmo numa noite que não estava a correr bem, voltou a ser decisivo com o 31º golo na Liga. Um faro de golo incrível.
Raúl Jiménez – Agitou o jogo. É ele que faz o primeiro remate da recarga para o golo de Rúben Dias.
Keaton Parks – Ativo contribuiu para trazer consistência ao meio-campo.
Seferovic – Sem tempo.
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