Benfica pede reunião de emergência com FPF após saída de Duarte Gomes
Demissão foi motivada alegadamente por "interferências incompatíveis" com o setor da arbitragem.
O Benfica pediu esta quarta-feira uma reunião de emergência com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para exigir esclarecimentos face às revelações sobre a demissão de Duarte Gomes, motivada alegadamente por "interferências incompatíveis" com o setor da arbitragem.
Em comunicado no seu sítio oficial na Internet, os 'encarnados' exigem "esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva".
"O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor absolutamente essencial para a credibilidade das competições", lê-se.
O Benfica recorda que, "além dos alertas reiterados" ao longo da última temporada, já tinha assumido na última Assembleia Geral que esta seria uma época de "tolerância zero".
"Reafirmamo-lo hoje: o Sport Lisboa e Benfica será intransigente na defesa da verdade desportiva e exigirá total transparência, independência e responsabilidade de todos aqueles que têm o dever de proteger a credibilidade do futebol português", conclui o clube.
Na sexta-feira, Duarte Gomes apresentou renúncia ao cargo de diretor técnico da arbitragem na FPF e os motivos alegados, em participação formal ao organismo, levaram agora a federação a expor a situação junto do Ministério Público (MP).
"Os Presidentes dos Órgãos Sociais da Federação Portuguesa de Futebol (Direção, Mesa da Assembleia Geral, Conselho de Justiça e Conselho de Disciplina) remeteram de imediato os factos relatados para o Ministério Público, cumprindo o disposto no n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto", refere esta quarta-feira a FPF.
O n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto refere a denúncia obrigatória "sempre que os agentes desportivos tenham conhecimento ou suspeitem de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção e suscetíveis de alterar de forma fraudulenta uma competição desportiva ou o respetivo resultado".
Publicamente, o antigo árbitro não revelou os motivos da demissão, mas a decisão esta quarta-feira da FPF em remeter a situação para o MP no âmbito da Regime Jurídico da Integridade do Desporto levanta suspeição no setor da arbitragem.
No mesmo comunicado, a FPF indica que o Conselho de Justiça reunirá esta quarta-feira para analisar a participação disciplinar remetida pelo Presidente do Conselho de Arbitragem [Luciano Gonçalves] e que os seus órgãos "aguardam as conclusões das diligências a serem efetuadas pelas entidades competentes".
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