"Bruno de Carvalho não teve coragem", diz Octávio Machado

Ex-dirigente diz que só Jesus estava do seu lado e denuncia estratégia para o afastar.

20 de julho de 2017 às 01:30
Sporting, Chaves, Octávio Joaquim Coelho Machado, Palmela, Palmelense, Setúbal, professor de Bruno de Carvalho, presidente, FC Porto, Alvalade, Salgueiros, Paulo Gonçalves, diretor, Jorge Jesus, Bruno de Carvalho, Manhã, Rui Caeiro, Benfica, Sporting-Benfica, desporto, futebol Foto: Mariline Alves
Sporting, Chaves, Octávio Joaquim Coelho Machado, Palmela, Palmelense, Setúbal, professor de Bruno de Carvalho, presidente, FC Porto, Alvalade, Salgueiros, Paulo Gonçalves, diretor, Jorge Jesus, Bruno de Carvalho, Manhã, Rui Caeiro, Benfica, Sporting-Benfica, desporto, futebol Foto: Mariline Alves
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Octávio Machado na CMTV Foto: CMTV
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Octávio Joaquim Coelho Machado, tem 68 anos e é natural de Palmela. Na sua carreira como jogador de futebol representou Palmelense, V. Setúbal e FC Porto e vestiu a camisola da seleção nacional.

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Correio da Manhã – Porque é que saiu do Sporting?

-Octávio Machado – Foi uma saída anunciada, depois das notícias falsas que surgiram atrás do anonimato, como quando escreveram que a minha família me tinha pedido para sair, ou que ia abandonar devido a problemas de saúde. Essas notícias fragilizaram-me e davam a ideia de que estava a perder influência no clube.

-Sente que foi empurrado para fora do Sporting?

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- Não sei. Jorge Jesus disse- -me que queria que continuasse as minhas funções e opôs-se sempre à minha saída, deu-me sempre confiança e tranquilidade. Antes de enviar a carta a anunciar a saída, contei a Jesus. Ele tentou demover-me, mas não podia continuar só com o apoio de uma pessoa. A estratégia foi montada nas minhas costas.

-Uma estratégia orquestrada por Bruno de Carvalho?

- Se eu soubesse, dizia. Tive uma reunião com Rui Caeiro, vice-presidente do Sporting, para o informar da minha saída, e ofereceram-me outras funções. Nessa altura, Bruno de Carvalho estava na Guatemala e disse-me que depois ia falar comigo, mas isso nunca aconteceu.

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-Que funções lhe ofereceram nessa altura?

- Queriam que fosse comentador. Perguntaram-se se seria melhor contra Pedro Guerra ou contra André Ventura. Mas nunca me vou descaracterizar, posso perder dinheiro ou funções, mas não dignidade. Vê-se mesmo que não me conhecem. Não permito que me pisem.

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-Bruno de Carvalho é o presidente ideal para o Sporting?

- Ninguém nasce a saber tudo. Vai crescer como presidente, sobretudo porque tem

em Jorge Jesus o seu melhor conselheiro. Bruno de Carvalho estava fragilizado antes de Jesus chegar e a relação entre eles é sincera, não é uma paz podre. Jesus não está mais frágil sem mim. Aliás, está muito mais forte do que estava. Eu sei que está… O Sporting será campeão quanto mais força Jesus tiver.

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-Com a experiência que tem não podia ter sido um professor de Bruno de Carvalho?

- Não sei se se estava a borrifar para mim, mas não foi capaz de me dizer aquilo que pensava nos olhos. Não teve coragem e eu desejava que dissesse o que queria de mim. Só saio em rota de colisão com um grupo de cobardes, mas não acredito que o presidente soubesse das notícias que saíam sobre mim. Alguns é que são passarinhos.

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-Como por exemplo?

- O caso mais chocante é o Sporting-Benfica. Eu estava castigado e soube que Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, estava no túnel a pressionar o árbitro Artur Soares Dias. Ai é que se viram os passarinhos que o deixaram estar ali. Se eu lá estivesse, voava. Fui eu que denunciei a situação.

-Como vê a intervenção de Bruno de Carvalho no balneário em Chaves?

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- O presidente não teria tido a veleidade de fazer o que fez, se Jesus estivesse no balneário. Podia ter surgido dali algo de indesejável. A cena repetiu-se contra o Belenenses. Uma equipa não pode viver destes estados de alma. Em Chaves, o presidente exteriorizou o que lhe ia na alma, mas a equipa não pode viver disto".

Octávio fala de antigos presidentes

Octávio Machado falou sobre Pinto da Costa e Bruno de Carvalho, com elogios e críticas a ambos. Sobre o líder portista, Octávio disse que lhe faltou à palavra quando "jurou pela filha que não tinha contrato com Mourinho". Sobre Bruno de Carvalho afirmou que o atual presidente leonino "foi obrigado a cumprir a palavra".

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Esperança chamada Geraldes

"Tenho uma grande esperança em André Geraldes [novo homem forte do futebol do Sporting]. Vai ter uma evolução e futuro tremendo", disse Octávio Machado ontem na CMTV. O ex-diretor leonino voltou a afirmar não acreditar que tenha sido André Geraldes a lançar para a opinião pública as notícias sobre a sua saída.

"Artur Soares Dias afastou-nos do título"  

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Artur Soares Dias foi um dos alvos de Octávio Machado. "Afastou-nos do título nos jogos em Guimarães e Boavista", disse o ex-dirigente leonino. O juiz portuense foi também criticado por permitir a presença no túnel de Paulo Gonçalves, assessor jurídico no Benfica, no intervalo do dérbi em Alvalade. Octávio acusou ainda o árbitro de ter ameaçado o lateral Jefferson antes do encontro com o Chaves. "Se falas, vais para a rua", terá dito o árbitro ao brasileiro.

O profissional Nuno Saraiva

Octávio Machado considera Nuno Saraiva, atual diretor de comunicação do Sporting, "um grande profissional com uma grande capacidade". "Todos os dias à noite, fazíamos o ponto da situação sobre a atualidade do clube e depois éramos surpreendidos por fugas de informação que fragilizavam o clube", salientou Octávio Machado, que elogiou ainda toda a estrutura criada desde que o técnico Jorge Jesus chegou ao clube há duas temporadas.

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