“Eu não tinha mandado Peseiro embora” diz Jorge Jesus

Ex-treinador do Sporting e do Benfica diz que na Europa não há clubes com dinheiro para lhe pagar.

04 de dezembro de 2018 às 01:30
Jorge Jesus
Jorge Jesus Foto: EPA
Jorge Jesus em exclusivo à CMTV Foto: CMTV
Jorge Jesus em exclusivo à CMTV Foto: CMTV

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O Correio da Manhã continua esta terça-feira a publicar a entrevista com Jorge Jesus, feita no Dubai, durante a folga do treinador do Al Hilal.

CM – Olha de forma diferente agora que está longe?

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JJ - A forma de estar no futebol na Arábia Saudita vai fazer com que quando voltar a Portugal olhe para as coisas de forma diferente. Temos a mania dos ‘mind games’ em Portugal. Vou deixar de fazer isso. Porque entro em conflito individual. Foi o que fiz com o Rui Vitória quando troquei o Benfica pelo Sporting. Também o fiz com o Lopetegui. Não lhe chamava Lopetegui. Chamava-lhe "Lotopegui" porque havia interesse em expor o treinador adversário. Era uma estratégia de comunicação.

CM – Como viu a saída de José Peseiro e a contratação de Marcel Keizer?

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JJ - Quem contratou o José Peseiro não foi o atual presidente. O Frederico Varandas é um homem que gosta de tomar decisões e ter as suas ideias. Se tivesse sido ele a contratar Peseiro, não o tinha mandado embora assim. O José Peseiro não estava a fazer um mau trabalho. Acho normal que um presidente não queira trabalhar com um treinador que não escolheu, mas se eu fosse o presidente não tinha mandado o Peseiro embora.

CM – Imaginando que Sérgio Conceição é novamente campeão e sai no final da época, vê-se como o próximo treinador do FC Porto?

JJ - Gosto muito do Sérgio, sou amigo dele. É muito mais novo do que eu, vai dar os passos que tem de dar e eu vou continuar a dar os meus. Para onde? Não sei. Quando volto a Portugal? Não sei. Agora, que tenho isso como objetivo da minha carreira, tenho.

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CM – E não se vê a treinar um grande da Europa?

JJ - Não, porque acho que eles não têm dinheiro para me pagar. Se eu for para a Europa têm de me pagar o dobro que pagam aqui para eu receber o mesmo. Falando abertamente: eu hoje ganho oito milhões limpos por ano, se for para a Europa têm de me pagar 16 milhões. Quem paga isso?

CM – E o Real Madrid ou Barça?

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JJ - Esses pagam, mas neste momento, ao vir para a Arábia Saudita, perdi prestígio na Europa. Nem o Real, nem o Barcelona ou outra grande equipa vêm buscar o Jorge Jesus que está na Arábia Saudita. As outras podem vir-me buscar mas não vou porque não têm dinheiro para me pagar. Ir para Portugal é o único cenário que coloco, embora saiba que vou perder cinco ou seis milhões por ano. Mas não me importo, vou para o meu país, para a minha terra, vou para ao pé dos meus amigos.

"Sem ronaldo é ir ao casino"

CM - Como vê a seleção sem Cristiano Ronaldo?

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JJ - Não vejo.

CM - Mas a Seleção ganha sem ele.

JJ - Uma coisa é ganhar dois ou três jogos. É a mesma coisa que ir ao casino. Vais lá a primeira e a segunda vez e podes ganhar. Ficas todo feliz da vida. Mas depois vais lá a terceira, a quarta, a quinta e a sexta e deixas lá o dinheiro todo e até o que não tens.n

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