Fernando Santos recorda união da seleção na vitória de todos os portugueses no Euro2016
Faz esta sexta-feira 10 anos que Portugal conquistou o título europeu frente à França.
Fernando Santos recordou, esta sexta-feira, à agência Lusa a importância da união da seleção portuguesa na inédita conquista do título europeu de futebol, frente à França, em 10 de julho de 2016, que o antigo selecionador partilha com todos.
"Dez anos passaram desde aquele dia inesquecível em Paris. O tempo dá-nos distância para olhar para tudo com maior serenidade e perceber ainda melhor a dimensão do que alcançámos. Se há uma ideia que guardo desse percurso é esta: o nós esteve sempre acima do eu. Foi esse o maior segredo da nossa caminhada", começou por recordar o treinador, agora com 71 anos.
O lisboeta chegou à equipa das 'quinas' em 24 de setembro de 2014, depois de ter treinado os três 'grandes' Benfica, FC Porto e Sporting, e levou-a ao primeiro grande título em seniores, com um golo improvável de Eder, no prolongamento da final, que Portugal disputava pela segunda vez depois da desilusão, em casa, no Euro2004, num 'elenco' com Ricardo Quaresma, Nani, Ricardo Carvalho, Pepe e, sobretudo, Cristiano Ronaldo.
"Tivemos jogadores de enorme talento, mas o talento, por si só, não chega. O que fez a diferença foi a confiança que todos depositaram uns nos outros, a capacidade de trabalhar diariamente pelo mesmo objetivo e a união que se criou dentro daquele grupo. O Cristiano Ronaldo, enquanto capitão, teve um papel absolutamente determinante, dentro e fora de campo", realçou.
Na mensagem escrita partilhada com a agência Lusa, por ocasião dos 10 anos da conquista do título europeu, Fernando Santos elogiou a postura do ainda capitão da seleção portuguesa: "Liderou pelo exemplo, pela ambição e pela forma como nunca deixou de acreditar".
"Mas todos os restantes jogadores foram inexcedíveis. Dos que jogavam mais até aos que jogaram menos, todos deram tudo, nos treinos, nos jogos, no ambiente que criaram entre eles para que Portugal conquistasse o maior título da sua história. Depois, cada jogador, cada elemento da equipa técnica e cada profissional da estrutura da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contribuiu, à sua maneira, para que aquele sonho se tornasse realidade. Todos foram importantes", prosseguiu.
O selecionador luso até ao Mundial2022, que ainda levou a seleção portuguesa à conquista da primeira Liga das Nações, em 2019, enalteceu, sempre, o coletivo da equipa, mas também o apoio dos adeptos.
"Nunca esquecerei também o apoio extraordinário dos portugueses. Sentimo-lo em cada estádio, em cada treino, em cada momento da competição. E guardo um carinho muito especial pelos nossos emigrantes em França, que transformaram Marcoussis numa verdadeira casa da seleção. A energia, o afeto e o orgulho com que nos acompanharam deram-nos uma força difícil de explicar", recordou.
Fernando Santos deixou "uma palavra de reconhecimento a toda a estrutura da FPF", considerando que, "muitas vezes, o trabalho mais importante é aquele que não se vê".
"A dedicação, a competência e o profissionalismo de todos criaram as condições para que a equipa pudesse pensar apenas em competir e representar Portugal da melhor forma", vincou.
Voltando a olhar para os 23 campeões da Europa, o técnico foi só elogios.
"Aquela seleção tinha qualidade, talento e jogadores de nível mundial. Mas, acima de tudo, tinha uma identidade. Era uma equipa que acreditava no valor do trabalho, da disciplina, do compromisso e da solidariedade. Foi essa união que nos permitiu superar todas as dificuldades e escrever a página mais marcante da história do futebol português", referiu.
E é por isso que, uma década volvida, a memória de Fernando Santos sobre a final, o golo e o momento em que Ronaldo levantou a taça de campeão da Europa, no Stade de France, em Saint-Denis, pelas 23:48 locais (22:48 em Lisboa), após um jogo em que saiu aos 25 minutos, por lesão.
"Dez anos depois, continuo a sentir o mesmo orgulho. Não apenas pelo título conquistado, mas pela forma como foi conquistado. Porque aquela vitória pertence a todos, não a mim", rematou, sem individualizar o triunfo selado pelo golo do suplente Eder, aos 109 minutos.
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