Bruno Sá acusa Varandas de dirigir um clube "para clientes". "Não me ensina o que é ser Sporting", responde o oponente
Assembleia Geral Eleitoral do clube acontece no próximo sábado, 14 de março.
Frederico Varandas e Bruno Sá estiveram esta quinta-feira frente a frente num debate para discutir a presidência do Sporting, antes da Assembleia Geral Eleitoral do clube no próximo sábado, 14 de março. O debate foi realizado no Museu do Sporting
Frederico Varandas integra a lista B e apresenta-se nestas eleições como o líder com mais títulos no futebol sénior masculino. Foi com Varandas que os 'leões' voltaram a ser campeões depois de 19 anos sem conquistar o título.
Bruno Sorreluz, mais conhecido como Bruno Sá, é empresário e proprietário do restaurante 'Cantinho do Sá', junto ao recinto de Alvalade. Candidatou-se referindo que "em 2030" poderia ser tarde.
"Os sócios do Sporting conhecem-nos e, sobretudo, conhecem o que foi feito em 2018", começa por dizer Frederico Varandas, que abriu o debate. "Entendemos que é o caminho que o Sporting deve seguir". Varandas garantiu que a decisão da recandidatura prende-se no "continuar da missão" pensada em 2018. "A verdade é que passado 7 anos o Sporting é hoje o que qualquer adepto que ama o seu clube quer", apontou o atual Presidente verde e branco, que garante que quer continuar a cumprir os princípios do clube.
Na primeira intervenção, Bruno Sá referiu existir ainda "muita coisa a melhorar". "Candidato-me pela democracia, com uma ideia diferente da atual - baseada nos clientes. Para o Dr. Varandas, o Sporting é clube de entretenimento. Para mim, é um clube de sócios e virado para as pessoas", apontou.
Sobre a dimensão financeira do clube, o atual presidente dos verdes e brancos apontou: "Foi mais um ano com resultados positivos, o quarto consecutivo. O Bruno acusou-me de autoelogio. São factos e resultados. Não posso deixar de os dizer. Se foi bem ou mal feito, os sócios dirão. Nas seis épocas desta direção, cinco tivemos lucro". Bruno Sá diz que o clube passou de 200 para 500 milhões de euros em dívida. "Onde aumentou a dívida dos fornecedores? O aumento deve-se à compra de jogadores", respondeu Varandas.
Sobre a entrada de capital externo, Bruno Sá referiu que "tem de passar pelos sócios". "Como Varandas não é transparente, não desmente aquilo que eu disse: o aumento da dívida significa que vai entrar capital externo", acusou. "No nosso plano a 10 anos, temos previsto entrada de um parceiro estratégico, com uma participação minoritária", respondeu o atual presidente em Alvalade.
"Parece óbvio, menos para o Frederico Varandas, que os sócios não têm direitos. Diga-me onde é que o número de sócios aumentou? O lema de campanha era unir o Sporting, agora não lhe interessa dizer isso", continuou Bruno Sá, que acusou Varandas de dirigir um clube "para clientes". Em resposta, o atual presidente leonino diz que "basta agarrar nos factos". "O Sporting tinha 74 mil sócios com quotas em dia, hoje tem 125 mil", apontou.
"O Bruno não me ensina o que é ser Sporting. Sofri a minha vida toda a ver Benfica e FC Porto lá em cima. Sabe porque o sócio é feliz? Porque ganha e vê os rivais em baixo. Coisa que eu nunca vi", retaliou Frederico Varandas, num momento em que o debate subiu de tom.
O debate estendeu-se e foram abordados temas como as claques, o tipo de futebol praticado pela equipa, os treinadores, o investimento na formação, marketing, património e transformação digital.
"O meu debate era esclarecer, apresentar propostas. Obviamente nunca temos oportunidade de debater no Sporting. O Sporting tornou-se num clube fechado", disse Bruno Sá nas declarações finais.
"Durante décadas, fomos o terceiro. O Sporting era o amigo confortável e víamos Benfica ou FC Porto. Hoje, o Sporting é o alvo número um, um clube com valores, sem casos", referiu Frederico Varandas.
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