"Quem é que pode dizer que não à seleção?": O pináculo da carreira de 'JJ' chega repleto de desafios
Jorge Jesus é a primeira escolha de Pedro Proença desde que foi eleito presidente da FPF, alcançando o maior e mais prestigiante cargo em quase quatro décadas de banco.
Com quase 40 anos de carreira como treinador, Jorge Jesus atinge, aos 71 anos, o pináculo do percurso nos bancos, assumindo uma seleção portuguesa novamente a 'carpir mágoas' após mais um 'banho de realidade' numa competição de futebol.
A derrota com Espanha nos oitavos de final teve como consequência maior a eliminação do Mundial2026, mas também a saída do espanhol Roberto Martínez do cargo de selecionador, três anos e meio após ter rendido Fernando Santos na sequência de outra desilusão mundial, no Qatar - a narrativa das candidaturas lusas às grandes competições tem sido, invariavelmente, contrariada no campo.
A substituição do técnico não é propriamente uma novidade e o nome do novo responsável menos ainda, tendo em conta que Jorge Jesus era apontado há muito como o senhor que se seguiria, nomeadamente desde que José Mourinho se afastou do rol de opções da FPF com a ida para o Real Madrid.
Jorge Jesus é, assim, a primeira escolha de Pedro Proença desde que foi eleito presidente da FPF, alcançando o maior e mais prestigiante cargo em quase quatro décadas de banco, mesmo que tenha no currículo passagens por clubes com a grandeza de Benfica, Sporting ou Flamengo.
"Quem é que pode dizer que não à seleção? Já disse que não a uma das melhores seleções do mundo, não posso dizer a outra", confessou no final de maio.
Quando decidiu pendurar as botas e assumir-se como treinador, Jesus começou por baixo, na III Divisão, no Amora, em 1989, chegando a esta fase com um total de 16 clubes treinados, maioritariamente em Portugal, mas também na Arábia Saudita - onde se cruzou com Rúben Neves, João Cancelo, João Félix e Cristiano Ronaldo -, no Brasil e na Turquia, que lhe proporcionaram praticamente 1.500 partidas como técnico.
Estrela da Amadora e Benfica foram os únicos emblemas que comandou em duas ocasiões distintas, sendo que foi na liderança dos 'encarnados' que emergiu internacionalmente e começou a compor o palmarés de conquistas -- à cabeça, três títulos de campeão nacional entre 2009 e 2015.
Na Luz, cruzou-se com dois internacionais argentinos insuspeitos, Pablo Aimar e Javier Saviola, que, anos mais tarde, lhe reservaram elogios pelo conhecimento do jogo e pela forma como vive o treino.
"Aprendi muito com ele, pela sua forma de ver o futebol e a paixão que transmitia. Foi um excelente técnico", apontou o antigo avançado, cuja opinião foi reforçada por 'el mago', atual treinador-adjunto de Lionel Scaloni na seleção argentina: "Gostava de treinar com o Jorge no Benfica. Gostava dos exercícios e das explicações. Gostava da paixão com que ele vivia o futebol. Aprendi com ele e uso muito dele no meu papel de treinador".
Se a presença no Euro2028 é a exigência mais próxima do novo selecionador, não se pode descurar -- ainda que esteja mais distante -- o Mundial2030, a segunda competição organizada por Portugal desde o Europeu de 2004, agora juntamente com Espanha e Marrocos.
Contudo, outros desafios estarão mais próximos no horizonte de 'JJ', desde logo se será levada a cabo alguma renovação da seleção, se é possível aumentar o nível qualitativo da equipa com jogadores que estão espalhados por vários campeonatos e equipas de caraterísticas diferentes, sem esquecer o mais premente: qual será no curto prazo o papel de Cristiano Ronaldo, com quem o técnico esteve no Al Nassr até há poucos meses.
O capitão da equipa das 'quinas' anunciou que não disputaria mais nenhum Mundial, mas não revelou se pretende abandonar a seleção definitivamente, isto depois de uma fase final em que foram notórias as limitações do avançado na integração de um coletivo que, também ele, nunca foi potenciado por Martínez -- embora muitos queiram fazer da Liga das Nações algo que a competição não é.
Por outro lado, Jesus é, desde já, uma 'pedrada no charco' das escolhas da federação, tendo em conta que nunca treinou uma seleção, ao contrário dos seus antecessores mais recentes: Fernando Santos comandou a Grécia durante três anos antes de conduzir Portugal ao maior feito nacional em 2016 e Roberto Martínez esteve à frente da Bélgica, entre 2016 e 2022.
Neste particular, ergue-se uma outra curiosidade: sendo Jesus um assumido 'obsessivo' pelo treino de campo diário, com uma preocupação contínua com o pormenor e correção táticos, como irá adaptar-se a uma função que somente lhe permite ter jogadores de forma intermitente, na maioria das vezes durante oito a 10 dias e com dois ou três jogos pelo meio.
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