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Juízes de férias deixam casal de homicidas à solta

Magistrados só vão ler acórdão de assassinos em setembro, Mónica e Fernando foram condenados a 22 anos e estão à solta.

09 de julho de 2026 às 01:30

No dia 23 de abril deste ano, os juízes do Tribunal de Beja receberam de novo o processo relativo ao homicídio brutal de dois idosos alemães em Baleizão, no ano de 2023. O acórdão vinha devolvido do Tribunal da Relação de Évora, que, pela segunda vez, mandava reformular o acórdão que condenou Fernando e Mónica a 22 anos de cadeia pela morte de Ian Otto, de 79 anos, e Ilse Borwart, de 71, à pancada. Três meses depois, o Tribu- nal de Beja “empurrou” a leitura do acórdão para setembro. “Nunca antes, atenta a proximidade das férias judiciais”, segundo o tribunal. Mónica e Fernando estão em liberdade, continuam à solta, apesar de condenados por dois homicídios qualificados.

O crime remonta a abril de 2023, quando os idosos foram encontrados sem vida, em avançado estado de decomposição, numa propriedade conhecida como a Quinta do Paraíso. O filho das vítimas, residente na Alemanha, alertou as autoridades, após vários dias sem conseguir contactar os progenitores. A Polícia Judiciária investigou o caso e deteve os dois caseiros, Mónica e Fernando, um mês depois, na zona de Aljustrel. Na origem do crime terá estado a “deterioração da relação do casal alemão com os caseiros” e também valores monetários. Os suspeitos levaram uma viatura dos patrões e os cartões bancários.

Mónica e Fernando saíram em liberdade em maio do ano passado. A primeira decisão condenatória aconteceu em abril de 2024, mas como houve recursos e sem decisão definitiva, os homicidas acabaram por ficar à solta por excesso de prisão preventiva. Foram condenados uma segunda vez, mas perante novo recurso do advogado Pedro Pestana, o Tribunal da Relação de Évora mandou reformular, pela segunda vez, o acórdão.

“Não houve uma reapreciação efetiva da prova, mas antes a reprodução substancial do acórdão anteriormente anulado, sem se demonstrar que a prova válida, isoladamente considerada, foi determinante para as conclusões alcançadas”, escrevem os juízes desembargadores. Basicamente, os juízes acusam os magistrados de Beja de não terem trabalhado as provas. Em setembro, haverá uma terceira decisão.

Advogado critica acórdão

Pedro Pestana, advogado do casal, disse ao CM que “é algo raríssimo na justiça haver uma segunda anulação de um acórdão condenatório”. O mesmo advogado acrescenta que “o segundo acórdão era praticamente uma reprodução do anterior”. Só em setembro é que vai haver nova decisão judicial.

Pedro Pestana, advogado
Pedro Pestana, advogado FOTO: Direitos Reservados

Homicidas no Alentejo

Mónica e Fernando trabalham esporadicamente. Vão fazendo trabalhos agrícolas e regressaram ao Alentejo depois de serem libertados.

“Só roubámos”

Fernando e Mónica assumem que roubaram o casal de alemães em abril de 2023, mas que não são responsáveis pela morte. A justiça alemã já enviou para Portugal um pedido de esclarecimentos sobre a condenação dos homicidas.

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