Portugal continua a afirmar-se como um dos destinos mais atrativos para comprar casa, mas o perfil dos compradores internacionais está a mudar. Se durante muitos anos a procura era impulsionada sobretudo por investidores estrangeiros, hoje o mercado é muito mais diversificado.
08 de julho de 2026 às 11:14Emigrantes portugueses, descendentes de emigrantes, estrangeiros residentes e famílias que procuram construir um projeto de vida em Portugal estão a assumir um peso crescente na procura por habitação.
Os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que os compradores estrangeiros representaram 28% das compras de habitação em Portugal em 2025, sendo o Brasil, Angola e França as principais origens. Este número inclui estrangeiros residentes e não residentes e mostra que a procura internacional vai muito além do investimento externo.
Segundo Júlio Quintela, COO da Zome, o mercado está a assistir a uma mudança clara no perfil destes compradores. "Hoje já não falamos apenas de investidores estrangeiros à procura de rentabilidade. Há cada vez mais compradores que procuram uma casa para uso próprio, para preparar um regresso futuro, garantir património ou manter uma ligação familiar ao país."
No caso dos emigrantes portugueses, sobretudo residentes em França, Suíça, Luxemburgo, Reino Unido e Alemanha, a compra faz frequentemente parte de um plano de regresso gradual. Muitos adquirem uma casa para férias, para estar mais próximos da família ou para preparar a reforma.
Nestes casos, fatores como a proximidade aos familiares, os acessos, a qualidade da construção e a facilidade de manutenção do imóvel são tão importantes como o preço.
Já entre os compradores estrangeiros, os perfis são bastante distintos. Brasileiros, angolanos e franceses continuam entre as nacionalidades com maior peso, mas também existe procura proveniente do Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos e outros mercados europeus.
As motivações variam entre a qualidade de vida, a segurança, o clima, a estabilidade política e económica, a mobilidade internacional e a perceção de que o mercado imobiliário português continua a ser um investimento sólido.
O Algarve continua a liderar a procura internacional, sobretudo no segmento premium e de segunda habitação. Entre os compradores não residentes, concentra 29,7% das transações e 42,4% do valor investido.
Lisboa, Cascais, Oeiras e Porto continuam igualmente entre as zonas mais procuradas por compradores ligados à residência, ao investimento e à mobilidade profissional.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse por regiões do Norte e do Centro do país, sobretudo entre emigrantes portugueses que mantêm uma ligação familiar às suas origens e procuram imóveis com mais espaço, melhor relação qualidade-preço e maior tranquilidade.
As preferências variam consoante o perfil do comprador, mas existem algumas tendências comuns.
Os apartamentos T2 e T3 continuam entre as tipologias mais procuradas nas zonas urbanas, enquanto as moradias T3 e T4 são particularmente valorizadas por emigrantes e famílias que pretendem utilizar regularmente o imóvel ou regressar a Portugal no futuro.
Também as características da habitação assumem um peso crescente na decisão de compra. Eficiência energética, estacionamento, espaço exterior e imóveis novos ou reabilitados estão entre os fatores mais valorizados.
Um dos casos recentemente acompanhados pela Zome ilustra bem esta realidade.
Um casal português emigrado em França há mais de 20 anos decidiu adquirir uma moradia no Norte de Portugal. O objetivo não era revender o imóvel nem obter rentabilidade imediata. A compra fazia parte de um plano de regresso progressivo ao país, permitindo manter uma casa para férias, reforçar a ligação à família e preparar a reforma.
Na decisão pesaram a qualidade da construção, os bons acessos e a proximidade aos familiares. O preço foi importante, mas esteve longe de ser o único fator.
A procura internacional continua a crescer, mas não deve ser vista como uma realidade homogénea.
"Um emigrante português em França, um brasileiro residente em Portugal ou um investidor britânico no Algarve têm motivações, orçamentos e critérios de decisão muito diferentes", explica Júlio Quintela.
Segundo o responsável da Zome, embora alguns compradores internacionais tenham maior capacidade financeira e consigam decidir mais rapidamente, o impacto nos preços não é uniforme e depende da oferta existente em cada região e segmento.
No fundo, o maior desafio do mercado português continua a ser a falta de oferta ajustada ao rendimento das famílias.
Mais do que perguntar quem está a comprar casa em Portugal, importa perceber por que motivo compra, onde compra e que impacto essa procura está a ter no mercado imobiliário português.
Sobre a Zome
A Zome nasceu, em 2019, da fusão de duas empresas de referência do setor imobiliário, no mercado há mais de 20 anos. Em 2025, mediou um volume de negócios superior a 2.276 milhões de euros em mais de 11.320 transações, que originaram uma faturação superior a 53 milhões de euros. Colaboram atualmente com a Zome mais de 2.000 pessoas, repartidas por 57 hubs imobiliários na Península Ibérica.
Este conteúdo foi produzido pela ZOME.