Autoridades paquistanesas estão a investigar o desaparecimento de um avião de carga que seguia com cinco tripulantes a bordo. Ex-comandante da TAP, José Correia Guedes, considera episódio "muito estranho".
Um avião de carga paquistanês com cinco tripulantes a bordo desapareceu na terça-feira. Segundo a Autoridade de Aviação Civil do Paquistão, está em andamento uma operação de busca.
O Boeing 737 vinha de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e estava a caminho de Karachi, no Paquistão, quando iniciou uma descida rápida e perdeu contacto com os controladores de tráfego aéreo por volta das 21h21 (horário local) de terça-feira (17h21 de Lisboa). Minutos antes da descida, a aeronaves ainda conseguiu relatar um problema no sistema de navegação, informou a mesma autoridade.
"Os pilotos terão reportado ao controlo de tráfego aéreo do Paquistão problemas nos sistemas de navegação. Pouco depois, o avião começou a descer e a mudar subitamente de rumo", explicou na rede social X o ex-comandante da TAP, José Correia Guedes.
As autoridades iniciaram agora uma operação de busca no Mar Arábico e a Marinha e a Força Aérea foram mobilizadas para o local onde o avião desapareceu, acrescentou a mesma autoridade aeroportuária. A causa do desaparecimento da aeronave ainda não foi determinada e "será vital encontrar as caixas negras para sabermos o que aconteceu". O ex-comandante da TAP classifica o cenário, no entanto, como "muito estranho".
"O avião tinha estado a fazer manutenção em Sarjah nos Emirados Árabes Unidos. Há relatos de problemas de navegação, possivelmente jamming [interferência intencional ou acidental nos sinais de rádio e de satélite], mas isso não chega para derrubar um avião. Que aconteceu então?", questiona José Correia Guedes. "Voei Boeing 737 durante anos e posso garantir que em descida de emergência, com speedbrakes estendidos e velocidade máxima VMO, a razão de descida dificilmente excede 8000 pés por minuto. Segundo os dados ADS-B disponíveis, o avião da K2 terá registado mais de 22.000 pés por minuto, um absurdo."
A aeronave era operada pela K2 Airways - uma companhia área privada de carga com sede em Karachi. Segundo o seu site, foi fundada em 2018. Num comunicado divulgado esta quarta-feira, a K2 Airways identificou cinco tripulantes a bordo da aeronave e afirmou estar "a cooperar plenamente com a Autoridade de Aviação Civil do Paquistão e outras agências governamentais."
"Continuamos a rezar, sinceramente, pela segurança dos nossos colegas", dizia o comunicado.
O último grande acidente aéreo no Paquistão ocorreu em 2020 e envolveu um avião de passageiros. Nesse acidente, o avião da Pakistan International Airline caiu ao aproximar-se do aeroporto de Karachi, matando todos os 99 passageiros e tripulantes a bordo, com exceção de dois.
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