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Brasil de luto: Morreu o génio das novelas Benedito Ruy Barbosa

O autor morreu esta terça-feira, aos 95 anos, devido a complicações provocadas por insuficiência renal crónica.

07 de julho de 2026 às 18:38

"Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor", disse Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas bem conhecidas do público português, como 'Cabocla', 'Renascer', 'Rei do Gado', 'Terra Nostra', 'Sinha Moça' ou 'Pantanal', que morreu esta terça-feira (dia 7) de manhã, em São Paulo, onde estava internado, devido a complicações provocadas por insuficiência renal crónica.

O mais velho de cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e cresceu na vizinha Vera Cruz, região habitada por imigrantes japoneses e italianos. A morte precoce do pai obrigou a abandonar os estudos para sustentar a família. Trabalhou como vendedor de legumes e fez limpezas, até conseguir um emprego como revisor no jornal 'Estado de S. Paulo', onde descobriu a paixão pela escrita.

A estreia na televisão aconteceu em 1966, com 'Somos Todos Irmãos', na TV Tupi. Em 1971 escreveu 'Meu Pedacinho de Chão', novela exibida pela Globo, que o contratou. Em 1979 assinou 'Cabocla' e, em 1990, na TV Manchete, inovou com 'Pantanal', que mostrava as maravilhas do Brasil rural.

Seguiram-se 'Renascer' (1993), ambientada no interior da Bahia, 'O Rei do Gado' (1996), sobre a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, e 'Terra Nostra' (1999), que também retratava a imigração. A sua última novela foi 'Velho Chico', em 2016, que escreveu com a ajuda do neto, Bruno Luperi, e da filha, Edmara Barbosa.

Ruy Barbosa sempre disse que não sentia a pressão das audiências e que adorava os cenários rurais, pois tinha certeza de que "mesmo o povo de São Paulo traz na sola do pé a poeira da estrada". Na visão do autor, a novela precisava, acima de tudo, de fazer o telespectador "querer voltar no dia seguinte", para descobrir o desfecho de cada trama.

Viúvo desde 2014, foi casado durante 54 anos com a atriz Marilene Barbosa, companheira de vida e de trabalho, que morreu vítima de cancro. Juntos, tiveram quatro filhos: Edmara Barbosa, Edilene Barbosa, Ruy Barbosa e Marcelo Barbosa. A vocação para contar histórias acabou se tornar uma tradição familiar, que ajudou a manter viva a obra de Benedito. Edmara e Edilene seguiram os passos do pai na televisão, assinando adaptações de 'Cabocla', 'Sinhá Moça' e 'Meu Pedacinho de Chão'. Já Bruno Luperi, filho de Edmara, tornou-se um dos principais responsáveis por levar as obras do avô a uma nova geração de telespectadores, assinando os remakes de 'Pantanal' e 'Renascer'.

A família de Benedito Ruy Barbosa confirmou que o velório do autor, esta terça-feira, seria aberto ao público, em São Paulo.

Foram vários os artistas e personalidades que lamentaram a morte do autor e destacaram o seu legado. “Eu estava lamentavelmente esperando essa notícia. Edmara, a filha de Benedito, estava nos prevenindo há cerca de três dias, mais ou menos, que o grande Benedito, o nosso Bene, estava indo embora”, disse, emocionado, Tony Ramos.

“Hoje nos despedimos de uma pessoa maravilhosa que me deu a chance do meu primeiro trabalho. Sou eternamente grata por todo o apoio e carinho que recebi. Meus sentimentos à família e aos amigos, que também sentirão muito a falta dele. Seu legado e as memórias que construímos juntos estarão sempre no meu coração. Descanse em paz”, escreveu nas redes sociais Vanessa Giacomo.

Regiane Alves também lamentou a morte do autor e destacou a sua importância para a dramaturgia nacional: “E hoje perdemos o grande Benedito Ruy Barbosa, autor que retratou o nosso Brasil como ninguém. Obrigada pela Belinha e pelas as amizades que vieram através desse trabalho tão especial que foi Cabocla”.

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