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'Operação Eclipse': Rede usa empresas para lavar 50 milhões de euros

Esquema 'Burla do CEO' permitiu a criminosos arrecadar fortuna após terem enganado alto responsável da Zurich Santander. Dinheiro passou por Portugal através de firmas de fachada.

08 de julho de 2026 às 00:30

Onze empresas foram criadas em Portugal unicamente para serem usadas numa burla gigantesca, que permitiu a uma rede criminosa internacional arrecadar cerca de 50 milhões de euros. Dois homens detidos no nosso país, na semana passada, no âmbito da ‘Operação Eclipse’ da PJ, já estão em prisão preventiva por terem participado na chamada ‘burla do CEO’. Outras nove pessoas foram identificadas. Segundo o Ministério Público, fazem parte desta organização vários indivíduos com ligação ao nosso país, mas também a Espanha, à Bélgica e ao Brasil.

A burla milionária remonta a novembro do ano passado. Para tal, um burlão, cuja identidade ainda não foi desvendada, fez-se passar por Mario Greco, CEO do Grupo Zurich na Suíça, e contactou o CEO da Zurich Santander, Claudio Chiesa, através do WhatsApp para darem seguimento a uma operação de carácter confidencial, de fusão e aquisição entre a Zurich e o Banco Santander. Chiesa de nada desconfiou e seguiu todas as instruções, uma vez que foram-lhe apresentados documentos e também um suposto advogado inglês muito conhecido no mundo empresarial. E assim, desde o dia 24 de novembro até ao dia cinco de dezembro (ou seja, em apenas onze dias), foram feitas várias transferências que totalizaram cerca de 50 milhões de euros. A quantia milionária foi lavada em Portugal através das onze empresas de fachada, controladas pelos onze suspeitos da rede, sediados no nosso país. Dois ficaram na cadeia.

‘Burla do CEO’ não levanta suspeitas 

Há fraudes que se percebem de imediato, e depois há outras que parecem mensagens normais, mas escondem intenções muito perigosas, como aconteceu neste caso. A ‘burla do CEO’ acontece quando o burlão se faz passar por alguém com autoridade dentro da empresa (muitas vezes o próprio CEO ou diretor financeiro) para convencer um colaborador a fazer algo que, noutra circunstância, levantaria suspeitas. O criminoso estuda a empresa, aprende a forma como comunica, identifica vulnerabilidades humanas e escolhe o momento certo para agir e arrecadar milhões.

PJ apreendeu telemóveis e computadores

Na sequência das buscas domiciliárias levadas a cabo pela Polícia Judiciária, foram apreendidos vários equipamentos informáticos, documentação bancária e telemóveis. A rede estaria a operar pelo menos desde agosto do ano passado, mas o golpe só foi levado a cabo quase no final do mês de outubro.

Prisão para cabecilha no país

O principal visado no nosso país e outro homem ficaram em prisão preventiva. Antero Claro Gonçalves, advogado, defende o primeiro. “Foi-lhe imputada uma posição hierárquica de relevo em Portugal. Contestamos integralmente por não corresponder à verdade. Teremos oportunidade de o demonstrar.”

Liderava testas de ferro

João Pólvora, de 43 anos, era, segundo a investigação, o homem que coordenava os vários testas de ferro das empresas fictícias criadas no nosso país.

42 transferências

Em onze dias, Claudio Chiesa fez 42 transferências de montantes avultados, alguns deles a rondar os 900 mil euros. Nunca desconfiou de nada, uma vez que assinou um contrato de confidencialidade e fez tudo de forma discreta.

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