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Imobiliário enche cofres dos muncípios

Receitas de IMT crescem 24,2% superando pela primeira vez dois mil milhões de euros. Estado transfere para os municípios cerca de 159 milhões de euros do IMT Jovem.

08 de julho de 2026 às 01:30

As transações imobiliárias renderam mais de dois mil milhões de euros, o ano passado, aos cofres dos municípios, um recorde de receitas com o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis. Um valor que contribuiu para o excedente de 492 milhões de euros registado em 2025, superior aos 267 milhões de euros de 2024, "mantendo-se a tendência de saldos positivos verificada na maioria dos anos da última década", conclui o relatório do Conselho de Finanças Públicas sobre a Evolução Orçamental da Administração Local em 2025, divulgado esta terça-feira.  

A receita fiscal dos municípios cresceu 13% em 2025, com destaque para um aumento de 24,2% do IMT e 5,9% do IMI. Assim, a receita com o IMT cresceu para 2146 milhões de euros, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos dois mil milhões de euros,  e a de IMI para 1589 milhões de euros. Recorde-se que os municípios são compensados pela isenção de IMT na aquisição de habitação própria por jovens, tendo sido transferidos 158,7 milhões de euros em 2025. 

A receita registou um aumento de 14,6% face a 2024, mais 1,8 mil milhões de euros,tendo a despesa efetiva crescido 13%, correspondente a mais de 1,6 mil milhões de euros, sobretudo devido ao aumento da despesa de capital, que avançou 30,3%.

O conjunto dos municípios terá apresentado em 2025 um excedente orçamental de 492 milhões de euros, mais 224 milhões de euros de 2024, e superior ao excedente de 452 milhões previsto no Orçamento do Estado para 2025. "A evolução confirma uma trajetória de saldos positivos desde 2010, interrompida apenas em 2013 e 2021", afirma o Conselho de Finanças Públicas. 

 

Taxa turística quase duplica

O valor arrecadado pelos municípios com a taxa turística atingiu o ano passado 174 milhões de euros, quase duplicando face a 2024. Lisboa, Porto e Funchal concentram quase três quartos desta receita (73%), num total de 127 milhões de euros, de acordo com o relatório do Conselho de Finanças Públicas. Esta taxa, cobrada por mais quase meia centena, é exigida por dormida em alojamentos turísticos. Em Lisboa, o valor a pagar pode ir até quatro euros, enquanto no Porto é até três euros e no Funchal dois euros, consoante a época do ano ou até o tipo de alojamento.

Dívida total sobe 204 milhões de euros

A dívida total de 307 dos 308 municípios (Penedono não reportou), entre dívida financeira e não financeira, considerada para efeitos do limite legal, terá aumentado em 2025 para 3,8 mil milhões de euros, mais 204 milhões de euros face a 2024. Segundo o Conselho de Finanças Públicas, 143 municípios terão registado um agravamento da respetiva divida que, no seu conjunto, correspondeu a um aumento de 393 milhões de euros. Por outro lado, sete municípios encontram-se acima do limite da dívida total e, dentro deste grupo, dois apresentam situações de rutura financeira: Fornos de Algodres e Vila Real de Santo António.

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