Um dos 'Magriços', que alcançaram o melhor resultado de sempre de Portugal em Mundiais, coloca a fasquia alta para a atual seleção. E recusa fazer comparações entre Eusébio e Cristiano Ronaldo.
Neste mundial, como analisa o empate com a RD Congo e o triunfo sobre o Uzbequistão?
Bom, eu olho para esses jogos com um olhar distinto. Uma coisa foi o primeiro jogo, outra coisa foi o segundo. É sempre importante considerar o valor do adversário. Digamos que a forma de olhar o adversário no primeiro jogo, tendo em conta o resultado que se assistiu, não foi muito feliz para Portugal. No segundo jogo, toda a gente se libertou, e aí demonstrámos o real valor que temos, não só apenas no resultado, mas sobretudo na exibição.
O próximo jogo com a Colômbia é a prova do algodão?
É preciso ser realista, ser responsável, e continuar pujante naquilo que é a interpretação da responsabilidade do jogo e, ao mesmo tempo, essa ambição de orgulho da representação do país pode levar-nos para a fase seguinte. Estou plenamente convencido que isso vai acontecer. Portanto, é a oportunidade, mais uma vez, de todos os jogadores trazerem todo o talento ao serviço do coletivo e fazer sete pontos, que dá a garantia do 1.º lugar no grupo. Todos os jogadores não necessitam de mais dinheiro. Tragam mais glória para Portugal. É isso que se pede.
Portugal pode chegar longe na competição?
Acho que sim. Temos uma qualidade de jogadores, com abundância em todas as posições, para ter uma excelente participação nesta Copa do Mundo.
Esta geração é comparável aos ‘Magriços’ de 1966, que nesse Mundial em Inglaterra acabou no 3.° lugar?
Atualmente, tudo é diferente. Não se deve cair num erro crasso em fazer comparações. Nada disso tem um efeito real e correto, digo eu. A geração de 66 é uma geração espontânea, que chega a Inglaterra ainda um pouco desconhecida naquilo que é o universo do futebol, que é a Copa do Mundo. Depois, resolve trazer para Portugal uma medalha de bronze e a representação no pódio. E foi a consagração de toda aquela excelente geração.
E quanto à atual?
Esta é outra grande geração que nós temos, o que prova uma coisa muito interessante que eu digo há muitos anos: o jovem português tem vocação para jogar futebol. Está aí. Eu acho que se pede que esta gente faça melhor do que fez a seleção de 66.
Cristiano Ronaldo, com o bis diante do Uzbequistão, tornou-se no português com mais golos na fase final dos Mundiais, suplantando Eusébio. Que comentário lhe merece?
Não se deve discutir uma coisa que não tem discussão. Cada um no seu tempo, cada um na sua geração. Foram e são grandes. Portanto, não vale a pena fazer isso. Gostaria de dizer ao Cristiano Ronaldo, nesta Copa do Mundo, que o Eusébio seja uma fonte de inspiração para que ele marque sempre golos para Portugal.
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