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Conceição iguala registo de Artur Jorge, mas não houve ‘bigode’ na 15ª vitória. Rio Ave quase estragava o Natal.
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O bruaá que se ouviu no Dragão com o apito final de Tiago Martins traduz um misto de alegria pela 15ª vitória consecutiva - igualando o recorde de 1985 de Artur Jorge - e de alívio por se sair com três pontos de um jogo em que o Rio Ave obrigou o FC Porto a sofrer.
Os homens de Vila do Conde até marcaram primeiro, mas a equipa de Conceição deu a volta com grande velocidade.
Velocidade teve precisamente Danilo na recuperação da entorse que lhe permitiu estar este domingo no centro do terreno a dar o pontapé de saída para um início de partida frenético. Um lance de perigo para cada lado antes de Carlos Vinícius - este não engana, é craque - ficar isolado após excelente passe de Dala. O brasileiro deixou Casillas para trás e inaugurou o marcador.
Mas este Dragão não fica a lamber feridas. Trata-as de imediato, com pós de perlimpimpim de Brahimi. O argelino fez uma arrancada mágica, antes de lançar Corona na direita. O cruzamento sai para Soares, que volta a encontrar Brahimi. Prémio merecido. 1-1 aos 16’, FC Porto com tração à frente e debilidade no setor recuado face às transições vila-condenses.
A saída de Dala por lesão acabou por diminuir o stress azul-e-branco, e seria Marega a trazer maior descanso. Força impressionante do maliano face à impotência de Nélson Monte. Estava feita a reviravolta, a quarta dos últimos cinco jogos. Mais um arrepio ou outro para Iker e uma bola no poste de Corona e chegava o intervalo.
Nessa altura, já despontava Coentrão, que deu dores de cabeça a Conceição.
A segunda parte começa com Casillas a defender - lance anulado - e Corona a desperdiçar na outra baliza. O maior perigo passou a ser mesmo do Rio Ave. Telles (grande corte aos 60’) evitou o empate, seguido por Iker e ainda por Felipe.
Figura por várias razões, Coentrão foi expulso em confusão com Maxi. Nervos à flor da pele até ao apito final. Apesar das vertigens, o Dragão fica no topo, agora a quatro pontos do segundo, Benfica.
"Rio Ave surpreendeu pela agressividade"
O técnico portista teceu, ainda, elogios à equipa de Augusto Gama (assumiu o comando após a saída de José Gomes para o Reading). "O Rio Ave é uma boa equipa. Tem bons valores individuais, mas hoje [domingo] surpreendeu-nos pela agressividade que não teve nos outros jogos. Deve ter sido dos jogos em que fez mais faltas e isso é uma estratégia que se compreende e só valoriza a nossa vitória", concluiu o técnico Sérgio Conceição.
Estrela de Brahimi guiou o rei Marega
Casillas – Nada podia fazer no golo, mas tremeu em demasia, pelo ar e com os pés. Excelente defesa em lance que seria depois anulado.
Maxi – Jogo complicado e truculento. Sofreu até Dala sair. Merecia ter visto amarelo antes da confusão final.
Felipe – Importante, como sempre, no jogo aéreo. Só que foi várias vezes ultrapassado por Vinícius. Grande bloqueio de remate perto do fim.
Éder Militão – Já não chegou a tempo de evitar o 0-1. Alguns cortes a impedir males maiores, como aos 61’.
Alex Telles – Momento decisivo aos 60’, ao atirar para canto golo certo do Rio Ave. Um par de centros perigosos.
Danilo – Recuperado da lesão, foi essencial a segurar o barco na hora de maior tormenta. Falhou no remate.
Herrera – Sentiu problemas na transição dos visitantes, mas ganhou muitos duelos individuais importantes.
Brahimi - Motor da reação portista curou as feridas do golo com pós de magia. Arrancada brilhante no empate, empurrou a equipa para a remontada. Criou espaços até rebentar fisicamente.
Corona – Péssima entrada ao iniciar o golo do Rio Ave. Depois, foi sempre a subir. Esteve nos tentos portistas e falhou, ele mesmo, dois ou três.
Marega – Rei dos golos no FC Porto, trouxe o ouro da vitória de Natal. Sete tentos nos últimos cinco jogos.
Soares – Deu o 1-1 a Brahimi, no único momento de inspiração. Esforçado a defender, arriscou um penálti.
Óliver Torres – Trouxe alguma calma ao miolo.
Hernâni – Sem efeito.
Adrián – Sem tempo.
ANÁLISE
+ Primeiro soco não é KO
É o quarto jogo, em cinco, em que o FC Porto recupera do primeiro soco. Melhor, nem demorou muito a fazê-lo. Elogios para Fábio Coentrão e Vinícius num Rio Ave que não se sentiu órfão de José Gomes.
- Buracos para tapar
O momento defensivo dos dragões não é o melhor e o Rio Ave provou-o logo no início da partida, provocando calafrios durante vários momentos. É a parte má da reviravolta: deixar o adversário entrar por cima.
Soares arriscou penálti
É o lance do jogo em termos de arbitragem: aos 63’, Soares é imprudente numa entrada na área e atinge, quase em simultâneo, a bola e a perna de Nadjack. Decisão difícil em campo, numa repetição dá a ideia que o toque no jogador é anterior, logo penálti. Perdoou amarelos, com Maxi à cabeça.
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