Manuel do Bombo foi suspenso pelo mesmo período de tempo.
Fernando Saúl suspenso de sócio do FC Porto durante seis meses
Fernando Saúl e Manuel do Bombo foram suspensos por seis meses de sócios do FC Porto, este sábado, na Assembleia Geral do clube.
No pavilhão Dragão Arena, no Porto, a maioria dos 846 associados que exerceram o seu direito de voto entre as 15:00 e as 20:00 não aprovou os recursos apresentados por cada visado das sanções aplicadas em novembro de 2024 pelo Conselho Fiscal e Disciplinar 'azul e branco'.
"591 votaram a favor da manutenção da pena de suspensão por seis meses aplicada ao sócio Manuel António Pinheiro de Barros, 231 votaram contra e 24 abstiveram-se. No caso de Fernando Saúl de Sousa, 581 votaram a favor da manutenção da pena de suspensão por seis meses, 227 votaram contra, 34 abstiveram-se e houve ainda quatro votos nulos", especificou o FC Porto.
A votação seguiu-se à discussão dos dois primeiros pontos da ordem de trabalhos, numa AG que reuniu 989 sócios e contemplou ainda um período de apresentação e discussão de outros assuntos de interesse para o clube, no qual 16 usaram da palavra e mereceram esclarecimentos por parte do presidente André Villas-Boas e dos 'vices' Tiago Madureira e João Borges.
Fernando Saúl, ex-oficial de ligação aos adeptos do FC Porto, jurou inocência e apelou a um voto consciente dos sócios que, este sábado, na Assembleia Geral do clube, decidiram se iria ser ou não suspenso de sócio do clube durante um período de seis meses. “Não cometi qualquer crime e as principais testemunhas desse facto são vocês, os sócios. Deixo à vossa consideração a decisão, sendo que ninguém em nenhum momento me viu a ameaçar, coagir, agredir ou arremessar objetos e é por esses factos que hoje [ontem] aqui estou. Quem viu, que vote a favor da minha suspensão, quem não viu, que decida em conformidade”, disse Saúl , que é também um dos arguidos do processo da ‘Operação Pretoriano’, devido aos desacatos que ocorreram na AG de novembro de 2023.
Fernando Saúl deixou claro que vai defender a sua inocência em tribunal. Depois da reunião magna, em que a filha foi também ouvida, falou aos jornalistas. “Só quero dizer que sou inocente e que amo o FC Porto, tudo o resto fica à consideração dos sócios e de todas as pessoas.”
Manuel do Bombo remeteu-se ao silêncio na Assembleia-Geral.
A deliberação dos recursos de Fernando Madureira, Sandra Madureira, Vítor Catão e Vítor Oliveira, todos expulsos do FC Porto, também constava da ordem de trabalhos original, mas foi suspensa na sexta-feira pela Mesa da Assembleia Geral (MAG) dos 'dragões'.
Esse quarteto faz parte dos 12 arguidos da Operação Pretoriano, sendo que, no início da semana, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto impediu as presenças na AG de Fernando Madureira, ex-líder dos Super Dragões, Sandra Madureira, sua mulher e antiga vice-presidente daquela claque afeta ao FC Porto, e Vítor Catão, adepto do clube e ex-líder do São Pedro da Cova, que está em prisão domiciliária com vigilância eletrónica.
Fernando Madureira é o único arguido em prisão preventiva, enquanto Sandra Madureira e Vítor Oliveira estão impedidos de estar em recintos desportivos, pelo que os três tinham requerido uma autorização para estarem presentes, mas o tribunal indeferiu-o, alertando para "o efeito perturbador e de exaltação, legitimamente expectável, que a sua presença poderia desencadear no decorrer da AG, com grave perigo da ordem e da tranquilidade pública".
A Operação Pretoriano foi desencadeada em 31 de janeiro de 2024, no âmbito da investigação aos incidentes e agressões ocorridos numa AG extraordinária do FC Porto, em 13 de novembro de 2023, no Dragão Arena, tendo resultado na detenção de 12 pessoas.
A direção 'azul e branca', presidida por André Villas-Boas, anunciou em agosto de 2024 que participaria formalmente dos sócios acusados naquela operação judicial, com vista à instauração de processos disciplinares por parte do CFD do clube.
Em 05 de dezembro, pouco mais de duas semanas depois das medidas determinadas pelo órgão comandado por Angelino Ferreira, o TIC do Porto decidiu levar a julgamento nos exatos termos da acusação os 12 arguidos da Operação Pretoriano.
A acusação do Ministério Público (MP) denuncia uma eventual tentativa dos Super Dragões em criarem "um clima de intimidação e medo" numa AG do FC Porto para que fosse aprovada uma revisão estatutária "do interesse da direção" do clube, então liderado por Pinto da Costa.
Em causa estão 19 crimes de coação e ameaça agravada, sete de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, um de instigação pública a um crime, outro de arremesso de objetos ou produtos líquidos e três de atentado à liberdade de informação.
Hugo Carneiro, igualmente com ligações aos Super Dragões, também está acusado de detenção de arma proibida, sendo que o MP requer penas acessórias de interdição de acesso a recintos desportivos para os arguidos entre um e cinco anos.
O FC Porto e a SAD gestora do futebol profissional 'azul e branco' constituíram-se assistentes da Operação Pretoriano, cujo julgamento ainda não tem local nem data marcados.
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