Internacional argentino confessou que o que lhe custou mais foi ser tratado por algo que não é.
O argentino Gianluca Prestianni reiterou nunca ter chamado macaco ao brasileiro Vinícius Júnior e garantiu que "jamais" foi ou será racista, ao contrário do que foi acusado na sequência do Benfica-Real Madrid, da Liga dos Campeões de futebol.
"Pensei no meu pai, na minha mãe, nos meus avós, por terem de ouvir coisas que não sou e que não se passaram. Eu sou jogador e estou habituado a ouvir certas coisas, mas eles não estão habituados e isso doeu-me", começou por dizer o extremo do Benfica, numa entrevista ao canal argentino Telefe, esta quarta-feira divulgada.
O jogador, de 20 anos, que esteve ao serviço da seleção da Argentina nos últimos dias, assumiu ter ouvido o francês Kylian Mbappé chamar-lhe "racista de m..." logo após o incidente com o avançado brasileiro no Estádio da Luz.
“Não sou racista, nunca fui e jamais serei. Para nós, argentinos, isso é um insulto normal, é alguém a tentar tirar-te do sério e tentar tirar-te do jogo. Mas nunca pensei em reagir ao que me disse. Eu só penso em responder dentro de campo”, referiu Prestianni, que está a cumprir a terceira época ao serviço dos ‘encarnados’.
Contudo, o internacional argentino assegurou que nunca esteve preocupado com o que iria acontecer, mas confessou que o que lhe custou mais foi ser tratado por algo que não é.
“O que mais me custou foi tratarem-me como alguém que não sou. Mas estou tranquilo, porque as pessoas que me conhecem sabem que tipo de pessoa sou. Estou muito agradecido ao clube, por ter acreditado em mim e me ter apoiado, e aos meus companheiros também. Isso, para mim, é muito mais importante do que vir fazer publicações para as redes sociais”, salientou.
Prestianni lamentou ter falhado a partida da segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, devido ao castigo aplicado pela UEFA: “Custou-me muito não jogar o segundo jogo. Castigaram-me por algo que não disse”.
Por outro lado, elogiou o treinador José Mourinho, que classificou de “um craque, uma grande pessoa”, com a qual falou sobre o caso em que se viu envolvido, além dos colegas no Benfica.
“Falei com eles para esclarecer as coisas, porque, cá fora, diziam-se muitas coisas e eles poderiam ficar confusos e até afetados. Tenho companheiros de equipa com a mesma cor de pele do Vinícius e nunca aconteceu algo. Para nós, argentinos, chamar ‘maricón’ [maricas] ou ‘cagón’ [cobarde] é algo normal”, concluiu sobre o caso.
Em 17 de fevereiro, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da ‘Champions’, que o Real Madrid venceu por 1-0, o avançado brasileiro Vinícius Júnior, após ter marcado o único golo do jogo, dirigiu-se ao árbitro e acusou Prestianni de lhe ter dirigido insultos racistas.
O árbitro francês François Letexier interrompeu o encontro, disputado no Estádio da Luz, em Lisboa, e acionou o protocolo antirracismo, retomando o jogo quase 10 minutos depois.
Após a partida, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinícius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e outros jogadores dos ‘merengues’ confirmaram a ofensa por parte do argentino.
A UEFA suspendeu provisoriamente Prestianni com um jogo de castigo enquanto decorre o inquérito aos incidentes e, mesmo sem poder jogar, o argentino viajou na semana seguinte com a equipa para Madrid, onde o Benfica foi derrotado por 2-1 e afastado da Liga dos Campeões.
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