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Jorge Jesus: "Não sinto culpa, mas posso ter apressado saída de CR7”

Selecionador garante que não mudaria nada em relação ao que fez no último estágio e recusa a ideia de ser responsável pelo adeus de Ronaldo. Tinha planeado convocar o capitão.

07 de novembro de 2026 às 01:30

“Tomei uma decisão de treinador, não mudava nada, zero! Estou consciente de que não fiz nada para que isto tivesse acontecido”, assume Jorge Jesus, sem qualquer arrependimento, após Cristiano Ronaldo ter anunciado o adeus à Seleção Nacional.

Contudo, o técnico admite que “se calhar apressou as coisas”, mas recusa ter forçado o abandono do jogador mais internacional de sempre por Portugal ( 234 jogos). “Não saiu por minha causa. Estava na cabeça dele, se não fosse nesta convocatória, seria na próxima. A história dele não pode ser ignorada, e nunca o vou fazer”, reconhece o selecionador, que ainda ironizou quanto ao timing da retirada do capitão. “Eu ia ficar sempre na história [pela saída do Cris da seleção] porque tinha quatro anos com a FPF. Ficaria ligado à saída dele, só se, em 2030, ele ainda pensasse jogar”. 

O selecionador esclarece que “não sente mágoa nem culpa” pela saída do agora ex-capitão, revelando que tencionava convocá-lo para o duplo compromisso com a Dinamarca (dia 14) e País de Gales (17) da Liga Nações. “Não falei com ele, porque estava a pensar convocá-lo, e, aí teria tempo para falar. Claro que pensava que ele voltava”, disse o selecionador, que não foi informado da decisão de CR7.

Apanhado de surpresa, não sabe os motivos para a opção do jogador, que tinha garantido há um mês a disponibilidade de voltar à seleção após cumprir castigo. “Não sei responder o porquê da decisão dele. Mas respeito”, reforça o técnico.

Confrontado com o comunicado explosivo de Ronaldo a dar conta da traição em Copenhaga, o selecionador irritou-se. “Esse tema já foi falado, não vou falar mais”. E rejeita sair do 'Caso Ronaldo' com mais autoridade perante o grupo e também com mais pressão para o sucesso imediato. 

Antes do anúncio dos 28 jogadores convocados, Pedro Proença prestou homenagem ao máximo goleador da seleção (146 golos): "Esta é e será sempre a tua casa. Porque Cristiano Ronaldo é mais do que um jogo. Um símbolo, o nosso maior símbolo. O nosso eterno capitão." Após as palavras do presidente da FPF, foi exibido na Cidade do Futebol um vídeo da despedida de Ronaldo da seleção. 

Gustavo Varela e Alberto Costa em estreia

Gustavo Varela, avançado do Monza, e Alberto Costa, defesa do FC Porto, são as principais novidades da convocatória para os jogos com a Dinamarca e o País de Gales. Para além destes estreantes, destaque para os regressos de António Silva, Mateus Fernandes, Forbs, Quenda e Rodrigo Mora. Em sentido oposto, Nuno Mendes está lesionado, Francisco Conceição castigado, Ronaldo retirou-se e Gonçalo Inácio fica de fora por opção técnica.

Mourinho quer palco para Ronaldo

A única coisa de que gostaria é que a sua retirada como jogador de futebol fosse diferente”, reagiu José Mourinho ao adeus de Cristiano Ronaldo à seleção nacional. O treinador, que orientou o avançado no Real Madrid entre 2010 e 2013, afirmou respeitar a decisão do jogador de 41 anos: “Ele não terminou a carreira. Quem o conhece sabe que ele ainda tem objetivos profissionais.”

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